O envelhecimento da população do ABC eleva a procura por clínicas geriátricas, residenciais para idosos e centros-dia, e ao mesmo tempo, se torna um desafio entre as instituições. Dados do IBGE mostram que a região reúne 465.587 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a 16% da população, ou seja, na prática, um em cada seis habitantes do ABC é idoso, o que justifica a alta demanda por vagas e exige profissionais capacitados no cuidado com a pessoa idosa, sendo este um tópico delicado para as instituições.
O reflexo da alta demanda aparece na rotina das instituições, como no Residencial para Idosos Anastácia, em Santo André, na qual a procura por vagas cresceu cerca de 90% em comparação ao ano passado, tanto que a unidade passou a trabalhar com lista de espera. A enfermeira responsável técnica, Daniela Freire Soares Brolezi, atribui esse movimento ao envelhecimento da população e destaca que o principal obstáculo está na formação das equipes. “O maior desafio é contratar e reter profissionais qualificados, além da necessidade constante de capacitação para garantir um atendimento humanizado e seguro”, afirma.

A instituição atende idosos entre 65 e 98 anos, com graus de dependência I, II e III. A mensalidade parte de R$ 5,4 mil e inclui hospedagem, alimentação balanceada, enfermagem 24 horas, administração de medicamentos conforme prescrição médica, higiene, auxílio nas atividades diárias, monitoramento da saúde e acompanhamento de uma equipe formada por geriatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, nutricionista e profissionais de enfermagem.
Além da moradia permanente, o Residencial Anastácia oferece centro-dia, internação temporária e cuidados pós-operatórios. A rotina dos moradores inclui atividades de estimulação cognitiva, oficinas de artes, teatro, fisioterapia em grupo, jogos de memória, música, rodas de conversa, recreação e momentos de integração social. Informações são obtidas pelos telefones (11) 2564-4954 e (11) 94743-3269 ou pelo site da instituição.
Em São Bernardo, a realidade segue a mesma tendência. A unidade Centro do Terça da Serra, inaugurada há pouco mais de um ano, registra alta procura desde o início das atividades e já mantém lista de espera para quartos triplos e quádruplos. A sócia e gestora Ana Paula Assoni afirma que o crescimento da população idosa amplia a busca por atendimento especializado. “Nossa população está envelhecendo e precisa de um cuidado especializado, com muito carinho e amor”, destaca.
O investimento para hospedagem permanente parte de R$ 8,4 mil e contempla seis refeições diárias, cuidados assistenciais 24 horas, lavanderia, enxoval, avaliações geriátrica e nutricional e atividades multiprofissionais. A unidade também disponibiliza centro-dia, hospedagem temporária e atendimento pós-operatório para idosos entre 65 e 99 anos, com graus de dependência I, II e III, desde que não utilizem dispositivos como sondas.
A equipe reúne geriatra, fisioterapeuta, nutricionista, terapeuta ocupacional, educador físico, musicoterapeuta e profissionais responsáveis por oficinas de artes, teatro e palhaçaria. As atividades ocorrem de segunda a sábado. Ana Paula Assoni ressalta que outro desafio envolve a manutenção das equipes. “Nosso maior desafio é manter uma equipe responsável. As faltas em excesso impactam diretamente na operação e nos cuidados aos idosos”, explica. O contato da unidade é feito pelo telefone (11) 4331-4480, pelo e-mail saobernardodocampo2@tercadaserra.com.br ou no site oficial.
Escolha além do preço
Para algumas famílias, decidir pela instituição de permanência de um idoso representa um momento delicado. A escolha envolve questões emocionais, financeiras e práticas, sobretudo para quem concilia trabalho, filhos e outras responsabilidades. Morador de São Bernardo, o vendedor Otávio Lima, de 46 anos, iniciou a procura por uma instituição para a mãe, de 84 anos, após o agravamento de um quadro de saúde que passou a exigir acompanhamento permanente, na qual envolve o tratamento para o diabetes tipo 2.
Durante a pesquisa, encontrou mensalidades diferentes, lista de espera e dificuldades para localizar uma instituição próxima de casa. “A preocupação não é apenas com o valor. O mais importante é saber que minha mãe ficará nas mãos de profissionais preparados, que tenham paciência, conhecimento e tratem os idosos com respeito”, relata. Além do custo, a localização pesa na decisão, já que a possibilidade de visitas frequentes ajuda a preservar o vínculo familiar e permite acompanhar a rotina da idosa.
Qualificação das equipes é fundamental
A presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Santo André, Antonieta Rosa Nogueira, avalia que o envelhecimento acelerado da população exige muito mais do que o aumento do número de vagas em instituições de longa permanência. Na avaliação da advogada, a qualidade do atendimento depende diretamente da preparação das equipes e da valorização dos profissionais que atuam com esse público. “O cuidado com a pessoa idosa precisa unir conhecimento técnico, respeito e sensibilidade. É um trabalho que exige capacitação permanente e compromisso com a dignidade humana”, ressalta a especialista.
Antonieta defende que a qualificação de cuidadores e equipes multidisciplinares caminhe ao lado de políticas públicas capazes de fortalecer a rede de proteção à pessoa idosa. Na avaliação da presidente, famílias, instituições e poder público precisam atuar de forma integrada para assegurar um envelhecimento com qualidade de vida, segurança e respeito aos direitos da população idosa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
