
Segundo o relatório Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, e compilado pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) as exportações caíram 10,82% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. As importações também caíram 6,71%. O destaque positivo foram as altas nas exportações para as regionais do Ciesp de Diadema (19,7%) e de Santo André, que engloba também Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra (8,7%). Na outra ponta as regionais de São Bernardo e São Caetano tiveram queda nas exportações de 15,2% e 19%, respectivamente.
O ABC somou no primeiro semestre de 2025 US$ 2,8 bilhões em exportações e nos primeiros seis meses deste ano a conta chegou a US$ 2,5 bi. Nas compras externas foram US$ 2,7 bilhões de janeiro a junho do ano passado e a região importou US$ 2,5 até junho deste ano.
Individualmente Diadema ficou com o melhor resultado na balança comercial com 19,7% de alta nas exportações e queda de 11,5% nas importações. Para José Adolfo Gazabin Simões, diretor regional do Ciesp diademense, os números mostram que a busca por outros mercados, trouxe resultados positivos. Já quanto às importações ele analisa que as empresas estão buscando comprar os insumos de empresas brasileiras para se protegerem de incertezas do mercado externo.

“Dentre outros motivos, o expressivo aumento nas exportações, creio que é resultado do desenvolvimento de novos mercados em países com melhor desempenho econômico que o Brasil, por exemplo Argentina, bem como resultado de um esforço maior de venda, face o endividamento dos consumidores brasileiros. Já a diminuição das importações, penso ser reflexo justamente das melhores condições de compra no mercado interno aliado, talvez, a um ajuste no consumo, já que incertezas recentes (exemplo guerra) geraram compras maiores no período anterior, ajustando agora para uma nova realidade”, diz Simões.
O representante das indústrias de Diadema acredita que o clima político de eleições e eventual nova taxação americana sobre o produto brasileiro tenham influência na balança comercial da região. “Certamente, o foco no mercado interno é fruto das incertezas geo políticas. Os sustos recentes de sobretaxação e incertezas que permanecem, fazem a indústria nacional buscar alternativas de menor risco”, completa.
Apesar do avanço no percentual de exportações, Diadema ainda depende muito do mercado externo, importando mais do que exporta, o que resulta em déficit na balança comercial. A cidade exportou em seis meses deste ano US$ 79,6 milhões contra uma importação de US$ 283,5.
São Bernardo
A cidade com maior volume em comércio exterior da região, São Bernardo, exportou mais de US$ 1,6 bilhão no primeiro semestre deste ano, volume maior que o restante do ABC inteiro, porém o montante ficou menor do que os US$ 1,9 bi computados entre janeiro e junho de 2025. As importações também caíram de US$ 1,6 bi para US$ 1,5 bilhão.

Para o diretor titular do Ciesp de São Bernardo, Mauro Miaguti, a queda das exportações está diretamente ligada à indústria automobilística. A queda geral foi de 15,2%, mas por setor as principais quedas foram de veículos e tratores (-20,9%), cobre (-23,3%), tintas e vernizes (-12.9%) e plásticos (-14,3%).
“Não há um único fator que explique esse movimento. São Bernardo tem uma pauta exportadora concentrada na indústria automotiva: automóveis e tratores representaram 64,1% das exportações no período. Quando esse setor registra queda de 20,9%, o impacto sobre o resultado geral é relevante. Além disso, alguns mercados importantes também tiveram retração. A Argentina, que é o principal destino das exportações da regional, respondeu por 30,1% das vendas externas, mas apresentou queda de 42,5% em relação ao ano anterior. Esse dado ajuda a explicar parte significativa da redução, sobretudo porque o setor automotivo regional tem forte relação com o mercado latino-americano”, aponta Miaguti.
Sobre queda dos outros setores, como os de cobre, plásticos e de tintas e vernizes, o diretor regional do Ciesp diz pode ter mais a ver com a demanda global. “Isso indica um cenário de ajuste mais amplo, que pode envolver demanda externa menor, reorganização de estoques, ciclos de produção das empresas, custo de capital, câmbio e decisões estratégicas de grupos industriais globais. É um sinal de atenção, mas não deve ser interpretado isoladamente como perda estrutural de competitividade da cidade”, analisa.
Miaguti considera que há influência da política na balança comercial, porém esse não é o único fator. “É preciso cautela para não atribuir a queda apenas a esse fator. O relatório sozinho não nos permite afirmar qual foi o peso exato de cada causa. No caso de São Bernardo, a redução parece estar mais diretamente ligada à dinâmica de setores específicos, principalmente veículos, e ao desempenho de mercados relevantes para a regional, como Argentina e Estados Unidos. Claro que em períodos eleitorais ou de maior incerteza regulatória e comercial, as empresas tendem a ser mais conservadoras em investimentos, compras internacionais, formação de estoque e novos contratos de exportação”, interpreta.
Cobre
Sobre as importações, apesar da queda de 6,1%, insumos importantes para a indústria local, tiveram alta, como o cobre, com 122%. Para Miaguti ainda não é possível cravar se esse dado deve ser interpretado como ruim. “Não necessariamente uma alta de importações é negativa. O ponto central é saber se esse insumo está sendo transformado aqui, gerando produção, emprego, tecnologia e valor agregado em São Bernardo e na região. Não é de hoje que o CIESP de São Bernardo defende uma agenda objetiva para fortalecer a competitividade: ampliar o acesso a crédito para exportação, reduzir custos tributários e logísticos, acelerar a recuperação de créditos fiscais, apoiar a diversificação de mercados internacionais e estimular o desenvolvimento de fornecedores locais. No caso de insumos estratégicos, como cobre, máquinas, componentes elétricos e materiais ligados à mobilidade, é essencial mapear a cadeia regional e criar condições para que mais etapas produtivas permaneçam no território”, conclui.
A balança comercial, apesar da queda das exportações ainda segue favorável para São Bernardo que exportou US$ 1,6 bi contra importações de US$ 1,5 bilhão.
São Caetano
As exportações de São Caetano passaram de US$ 361 milhões entre janeiro e junho do ano passado para US$ 292,4 no mesmo período deste ano, uma queda de 19%. O maior tombo aconteceu no setor de máquinas aparelhos e instrumentos mecânicos, de 54,2%, seguido pelo segmento de automóveis e tratores (- 26,2%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-12,4%). Automóveis e tratores foi o setor que, sozinho resultou na redução de US$ 74 milhões nas exportações.

Setores menores tiveram crescimento importante, nas que não foi suficiente para definir positivamente as exportações. O setor de ferramentas e artefatos de cutelaria e talheres cresceu 305% e a exportação de frutas subiu 164%.
As importações, no entanto, subiram 2,6%, passando de US$ 182,8 milhões para US$ 187,6 milhões. Em milhões de dólares os aparelhos de óptica foram os que mais representaram importações neste ano, US$ 45,5 milhões, segmento que teve crescimento de 10,1% comparado com o primeiro semestre de 2025. Chama atenção o crescimento de 124,7% nas importações de produtos de perfumaria.
Apesar da queda nas exportações alta nas importações. São Caetano ainda tem uma balança econômica superavitária, ou seja, exporta mais que importa. Neste ano a cidade importou US$ 187,6 milhões e exportou US$ 292,4 milhões. O RD procurou o diretor titular do Ciesp local, Mauro Peres, mas até o fechamento desta matéria não teve retorno.
Santo André

As exportações em Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, totalizaram US$ 541,9 milhões, um aumento de 8,7% na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Já as importações ficaram em US$ 534,7 milhões, o que significa uma queda de 9% frente ao mesmo período do ano passado. Os principais produtos exportados foram borracha e suas obras (28,3%), armas e munições (20%) e plásticos e suas obras (14,7%). Por outro lado, as importações da regional se concentraram em plásticos e suas obras (17,3%), borracha e suas obras (12,5%) e máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (9,7%).
Santo André conseguiu inverter o déficit da balança comercial do primeiro semestre do ano passado, quando importou US$ 587,5 milhões e exportou US$ 498,4 milhões, para um superávit neste ano, com a exportação de US$ 541,9 milhões frente a US$ 534,7 milhões em importações.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
