O pré-candidato a deputado estadual Reinaldo Meira (Solidariedade), aliado do prefeito Taka Yamauchi (MDB) na Câmara onde exerce seu terceiro mandato como vereador, diz que a cidade precisa de um deputado estadual que tenha compromisso de continuidade com o mandato, sem pensar em disputar a prefeitura. Em entrevista ao RDCast, ele criticou deputados que deixaram o mandato no meio para disputar eleição municipal e mirou especificamente o ex-prefeito José de Filippi Júnior (PT), que governou a cidade três vezes. O parlamentar atribui a ele o início do rombo no IPRED (Instituto de Previdência de Diadema) que hoje chega a R$ 1,3 bilhão e que é alvo de investigação por uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) em trâmite na Câmara.
“Diadema tem dificuldade de interlocução com o Estado, sempre tivemos dificuldade haja visto que o governo era de um campo político e Diadema, na maioria das vezes, foi de outro segmento político, por isso sempre teve dificuldade de diálogo e estamos aqui hoje para tentar fazer esse diálogo”, iniciou Meira.
O pré-candidato disse que, mesmo com o alinhamento maior do prefeito com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que é pré-candidato a reeleição, ainda há necessidade de um deputado que faça o ‘meio de campo’. “Hoje hoje somos bem olhados pelo prefeito Taka e o governador, estivemos recentemente na inauguração da Praça da Cidadania, mesmo assim acho importante ter um interlocutor, um deputado estadual do municipio que possa buscar, além da emenda e trazer mais. Vamos estar ao lado, apoiando o governador Tarcísio, queremos a reeleição dele ainda no primeiro turno”, disse Reinaldo Meira.
Apoios
O pré-candidato à Assembleia Legislativa falou sobre o espaço que terá no meio de vários candidatos que terão apoio do prefeito de Diadema. “Vejo isso como um cenário natural, uma vez que o prefeito precisou de socorro, todos nós sabemos como o prefeito pegou essa prefeitura, mesmo que o pessoal tenha tentado normalizar dizendo que toda a prefeitura tem dívida. Para nós e para o prefeito não é normal ter dívida. Exemplo, São Bernardo tem milhões no caixa do seu instituto de previdência, Santo André também tem e porque Diadema deve mais de um bilhão de reais? Não podemos normalizar essa questão, não tem que dever, Diadema é cidade rica. Não era para estar numa situação dessa, era para estar muito melhor”, aponta.
Segundo Meira o IPRED estaria praticamente falido se a prefeitura não aportasse mais de R$ 100 milhões por ano. “Hoje tramita na Câmara uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) porque queremos apurar a responsabilidade, saber o porquê, cadê o dinheiro, quem administrou mal? É pela família dos aposentados. Esse rombo de R$ 1,3 bilhão começou com o empréstimo do prefeito Filippi em 1995, de R$ 8,5 milhões. Isso faz quase 30 anos, por isso que a dívida é bilionária hoje. Na época ele ameaçou dizendo que se não emprestasse não teria dinheiro para a folha de pagamento. Isso a CEI vai apurar.
Reinaldo Meira diz que a prefeitura melhorou muito sob o comando de Yamauchi, porém ele diz que a cidade precisa de muitas melhorias ainda e um deputado comprometido poderia contribuir neste processo. “Os números melhoraram na saúde e na educação, mas ainda tem muita coisa, porque não deu tempo do prefeito, em menos de um ano e meio fazer, porque Diadema vem de um período muito grande de degradação. A ressonância magnética do hospital Serraria está quebrada há anos. O Taka falou com o governador que, na hora, ligou para o secretário de Saúde, Eleuses Paiva. Então se tivesse um deputado atuante no município, um problema igual esse, que parece simples, e nada que envolve a saúde é simples, as coisas melhorariam um pouco”, analisa.
Desconfiança
Reinaldo Meira, elegeu o adversário político do prefeito Taka Yamauchi, o ex-prefeito Filippi como seu principal alvo de críticas, desenhando bem a polaridade e antagonismo político entre gestores. Ele falou que todos os deputados que a cidade teve foram péssimos porque pensavam na eleição seguinte para prefeito.
“O Filippi foi eleito deputado federal e deixou o cargo para ser secretário de saúde – do governo Fernando Haddad – na prefeitura de São Paulo. “Foi o pior secretário de saúde de São Paulo. Deixou o mandado que o eleitor lhe concedeu para representar Diadema para ser secretário. Teve outra eleição que ele foi eleito deputado depois saiu para ser prefeito, então não tem um seguimento do trabalho. As pessoas não têm confiança em votar em candidatos a deputado do município por isso”.
Pancadão
Um dos grandes problemas da cidade que, ao menos na avaliação do governo, está resolvido é o Pancadão, que chegou a ter quase uma dezena de pontos viciados na cidade. Meira quer levar essa experiência para o restante do Estado se confirmar sua candidatura e for eleito. “Se a estratégia tá correta ou não eu não sei, mas o prefeito acabou com os pancadões, uma coisa que parecia impossível, coisa de anos. É uma coisa que eu queria levar a assembleia para acabar com os pancadões em todo o Estado de São Paulo. Os pancadões são concentrados em regiões de grandes periferias, interior não tem muito, mas se pega nas divisas de Diadema ainda tem. Em Diadema esse combate teve pouca participação do Estado, a nossa Guarda Municipal, acabou com o pancadão com o serviço de inteligência, e com apoio da polícia militar. Nossa GCM foi fundamental, sem ela a PM sozinha talvez não conseguisse”, opina.
Por fim, Reinaldo Meira, comparou a discussão nacional pelo fim da jornada 6×1 com o compromisso de deputados que buscam votos na cidade, mas não se comprometem. “Essa escala três por um dos deputados tem que acabar, só no ano da eleição vêm aqui, depois que ganha vai para o seu município Sou um dos poucos pré-candidatos nascidos na cidade, de DNA de Diadema de verdade, sangue puro, nasci no Hospital São Lucas”, destaca o parlamentar que definiu uma única dobrada, com hoje deputado estadual e pré-candidato a federal, Alexandre Pereira (Solidariedade), filho do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força. Ele também calcula que a cidade pode fazer pelo menos dois deputados, se conquistados entre 35 mil e 40 mil votos. “Uma votação dessa não é nada fácil de acontecer, mas se trabalhar com afinco é possível”, finaliza.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
