O ex-prefeito de São Bernardo e pré-candidato a deputado federal Orlando Morando (MDB) participou do RD Cast desta terça-feira (30/06). Ao falar sobre sua experiência na Secretaria Municipal de Segurança Pública na Capital, o emedebista defendeu mudanças nas regras penais no Brasil, entre elas, a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e um novo código penal. Para Morando, tais mudanças vão atender aos pedidos da população e vão valorizar o trabalho das forças policiais.
“O Código Penal brasileiro virou uma piada. É um Código Penal de uma época que não tinha facção criminosa, de uma época que o crime não usava armas com a letalidade de hoje, fuzil. Nós estamos vendo o absurdo, no último final de semana, um tenente da ROTA ser friamente baleado na avenida Goiás, em São Caetano. E você sabe qual a pena, se for provado que aqueles indivíduos que foram presos, um deles foi o atirador, envolvimento direto, não vai ficar mais do que nove anos preso, se for condenado pelo júri popular. Quer dizer, você (tenta) tira(r) a vida de uma autoridade policial que está lá para defender as pessoas, claramente o modelo brasileiro hoje induz que o crime compensa.”, diz Morando.
Outra reclamação do pré-candidato é sobre a Justiça. O número de instâncias de julgamento, recursos e a atitude em alguns casos geram uma crítica do emedebista, principalmente no que pode gerar uma falta de apoio às forças de segurança em casos de prisões de suspeitos.
“A grande parte da população não sabe, um magistrado, um juiz, um desembargador, quando provado que ele errou, seja por uma corrupção, seja por ação ou por omissão, qual é a pena dele? Aposentadoria. Aposentadoria com salário integral. Quer dizer, isso não existe em nenhum lugar do mundo, só no Brasil, e ninguém tem coragem de acabar com essa realidade.”, comenta.
Secretaria

Sobre a experiência na Secretaria Municipal de Segurança Pública em São Paulo, Orlando Morando destacou o programa de videomonitoramento, o Smart Sampa, e o fim da Cracolândia. Aliás, o ex-secretário aponta a necessidade de mudar a ótica sobre como cuidar dos dependentes químicos.
“Quando nós fomos fechando o ciclo, primeiro, vamos lá, chegou a quase duas mil vagas disponíveis, não faltava mais leito para quem queria tratamento. Isso foi uma força-tarefa feita entre o Estado e o município. Criou-se o HUB, que é um CAPS, mais moderno, mais rápido, exclusivamente para atender os usuários do Crack.”, iniciou.
“Então, você primeiro deu as condições de saúde que se faziam necessário. Infelizmente, no Brasil, não se pode fazer a internação compulsória, que é um outro erro da lei, tem que autorizar por uma questão clínica. O doente tem um tempo mínimo para se desintoxicar, para pelo menos sair do organismo dele o efeito da droga.”, segue.
“Então, o que a gente presenciava lá? Você conseguia convencer uma pessoa a se internar, ele ficava dois dias, três dias, saia. Que é o modelo da legislação brasileira. Então, os analistas do tema dizem que a recaída é parte do tratamento. Eu concordo, mas você teria que ter uma permanência mínima. Para você ter uma ideia, na China, que eu fui conhecer o ano passado com o prefeito Ricardo Nunes, um usuário lá, a internação compulsória inicial é de 90 dias, a reincidência é dois anos, que é para desintoxicar.”, continua o pré-candidato.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
