
A apresentadora Astrid Fontenelle fez um pronunciamento na terça-feira (23/06), após um comentário compartilhado nas redes sociais gerar críticas de internautas. “Não sou de fugir das responsabilidades. Olho no olho da câmera, pontuo, aprendo. Não compactuarei com crimes raciais. Com ninguém”, escreveu na legenda do vídeo.
Fontenelle deixou uma mensagem na publicação em que o empresário Rodrigo Branco se desculpava após ser condenado por insultos racistas contra Thelma Assis, médica campeã do BBB 20. O processo durou seis anos.
A apresentadora disse ter conversado com o filho Gabriel, jovem negro, e ter sido alertada sobre a situação.
“Estou aqui para falar que errei no seguinte aspecto: ele, Rodrigo, fez o tal pronunciamento e eu falei ‘errou, mas cometeu um crime’. E isso precisa ser martelado. E eu o chamei para a luta antirracista. Errei de novo”, disse. “Aprendi hoje um pouco melhor o tamanho e a dimensão do pacto da branquitude.”
A apresentadora considerou, então, que errou ao deixar o comentário.
“Eu falei para o cara: para de palhaçada, você cometeu um crime, ponto final, pague o que deve na Justiça. E as outras coisas serão impostas pela vida: perda de trabalho, de amizade, que ele lamenta”, continuou Fontenelle. “Enfim, há muita coisa a perder, porque, se há quem perca mais, são as pessoas que sofrem racismo”, completou.
Nos comentários, Gabriel, filho de Astrid, deu mais detalhes da conversa com a mãe. “Pedi para ela apagar o comentário — que não foi de bom tom e semanticamente não funcionou”, explicou.
“Fiz a minha parte com ela e peço que façam com os outros artistas. Façam com que entendam que não existe a palavra ‘erro’ quando se trata de crime; não existe ‘parabéns pela coragem de se posicionar com humildade’, já que não se dá parabéns por um erro, quiçá racista, quiçá covarde e fruto de uma arrogância”, continuou Gabriel.
Ele lembrou ainda que o processo contra Thelma Assis durou seis anos e que Rodrigo “só se posicionou quando apertou, só quando a reputação dele virou jogo de gigantes”, pontuou.
“Não basta pedir desculpas, até porque dá para ver que arrependido ele não está, mas isso é outro tópico. O racismo invisibiliza o gênero: se ela ganhou o BBB porque era preta — um comentário do energúmeno —, nós só venceremos assim também. Demoramos anos para que fosse tratado como crime; falta dizer que quem comete é criminoso”, afirmou Gabriel, que completa 19 anos em julho.
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