
Começa mais um período de estiagem em grande parte do país, e cresce o alerta para os riscos de incêndios às margens das rodovias. Além dos impactos ambientais, as ocorrências podem comprometer a visibilidade, aumentar o risco de acidentes e gerar transtornos ao transporte de cargas e passageiros.
Dados divulgados pela concessionária responsável pelas BRs 060 e 452, em Goiás, mostram que cerca de 80% dos atendimentos do caminhão-pipa em 2025 tiveram relação com incêndios em vegetação. Foram 124 ocorrências registradas até o momento, o que mostra a dimensão do problema durante os meses mais secos do ano.
Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, a prevenção depende da atuação conjunta entre concessionárias, órgãos públicos, produtores rurais e usuários das estradas.
“O motorista circula diariamente nas rodovias e muitas vezes é o primeiro a identificar um foco de incêndio. Informar rapidamente a concessionária, o Corpo de Bombeiros ou órgãos competentes pode evitar que uma ocorrência pequena se torne mais grave. A prevenção também depende da atenção de quem está ao volante”, afirma o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho.
Os registros costumam aumentar entre junho e outubro, período marcado pela baixa umidade do ar e pela vegetação ressecada. Nessas condições, pequenos focos se espalham rapidamente e alcançam áreas próximas às pistas, o que compromete a segurança de quem trafega pela região.
O Sinaceg orienta que, ao encontrar fumaça na pista, os condutores reduzam imediatamente a velocidade, aumentem a distância de segurança em relação aos demais veículos, mantenham os faróis baixos acesos e evitem ultrapassagens.
Caso a visibilidade fique muito comprometida, a recomendação é procurar um local seguro fora da rodovia, como postos de combustível ou áreas de apoio, e aguardar até que as condições permitam retomar a viagem. Parar no acostamento deve ser evitado, pois a baixa visibilidade eleva significativamente o risco de colisões.
Segundo o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a colaboração dos usuários das rodovias pode contribuir para uma resposta mais rápida das equipes de emergência.
“As equipes de monitoramento atuam permanentemente, mas a participação dos motoristas é fundamental. Ao identificar um princípio de incêndio, a comunicação imediata às concessionárias ou ao Corpo de Bombeiros ajuda a acelerar a resposta e reduz os riscos no trecho”, destaca.
Além dos impactos sobre a segurança viária, esses episódios podem provocar bloqueios temporários, lentidão no tráfego e prejuízos à logística, especialmente em corredores estratégicos para o escoamento da produção nacional. A fumaça segue como um dos principais fatores de preocupação, já que reduz significativamente a capacidade de reação dos condutores e dificulta a percepção das condições da via.
Com a chegada da estação seca, o Sinaceg reforça que atenção, prudência e comunicação rápida são atitudes essenciais para reduzir riscos nas rodovias. Informar focos de incêndio, respeitar as condições de visibilidade e dirigir de forma preventiva contribuem para proteger vidas, preservar o meio ambiente e garantir maior segurança para todos os usuários das estradas.
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