O pré-candidato a deputado estadual, Ivan Silva (Podemos) quer usar sua experiência de três mandatos como vereador em São Bernardo e pouco mais de um ano como secretário de governo na prefeitura da cidade, para negociar mais verbas para a saúde do município. Segundo ele a cidade tem 800 leitos e cinco hospitais que atendem muitas pessoas de outras cidades, portanto seria justo uma maior participação do governo paulista no custeio. Silva também defende a organização dos políticos da região em torno de uma frente parlamentar que defenda a região.
“Com esses três mandatos, mais a bagagem de secretário de governo me deram a certeza de que estou preparado”, disse Ivan Silva entrevistado do RDCast desta segunda-feira (22/06). Sobre a diferença entre atuar na Câmara e na prefeitura, Silva foi direto na comparação entre os poderes e a experiência que os cargos lhe trouxeram. “O Executivo é totalmente diferente estamos do outro lado do balcão”.
A meta de Ivan Silva, se eleito, é buscar recursos para custear a saúde amparado no fato de que a cidade gasta muito nesta área e atende grande parte de pacientes acidentados em rodovias como a Anchieta, a Imigrantes e o Rodoanel, que cortam São Bernardo. “O Hospital das Clínicas tem status de estadual. Santo André tem o Mário Covas, Diadema tem o Serraria. Eu defendo mais verba do estado, não estadualizar o HC, mas são gastos mais de R$ 300 milhões por ano se a gente conseguir que o governo do Estado custeie 60%, disso. Ainda queremos investimento de programas como as Carretas da Mamografia e a Rede Lucy Montoro de reabilitação. Essa despesa é estadual, atendemos mais de 40% de pessoas de fora da cidade e não é justo São Bernardo pagar essa conta que não é dela, o Estado precisa ajudar”, critica.
Resultados
Ivan Silva diz que entrou para a política pelas mãos do prefeito Marcelo Lima (Podemos) primeiro na sua assessoria. Ele queria mesmo era ser delegado, e chegou a fazer provas para isso. Porém, diz que a função pública acabou surgindo para ele de outra forma. “Infelizmente interrompi esse sonho, mas de outro lado os planos de Deus são maiores que os nossos, e assim fui para a vida pública.
Na secretaria, como secretário de governo assumiu a postura imposta pelo prefeito de um governo de entregas e disse ter aprendido muito no cargo. “Minha secretaria é de meio não de entrega, mas é bem mais difícil que ser vereador. A gente tem que resolver os problemas da prefeitura, no meu caso eu atuava mais ligado à Câmara para defender o governo e resolver os problemas sem que cheguem ao prefeito ou causem dano ao município. Foi uma experiência grande, importante e também difícil porque você acaba sendo escudo do governo”.
A capacidade de Ivan Silva foi posta em prática quando o prefeito Marcelo Lima foi afastado do carco por cinco meses. Como ele nunca deixou de acreditar no padrinho político, ele e a equipe seguiram com o governo, sem deixar que a crise tomasse conta da gestão. “Importante é que a gente sabia da competência e caráter do prefeito e tínhamos a responsabilidade de cuidar da cidade, não podia uma crise política gerar outra crise. Deixamos para o Judiciário resolver. A gente manteve as coisas no lugar porque não podíamos perder o controle e com isso não teve nenhuma perda do serviço público. A gente não podia gerar crise dentro da crise, e conseguimos segurar, tinha certeza que ele ia voltar e seguramos 45 dias com mãos de ferro”, relembra.

Morando x Lima
Como Ivan Silva atuou como vereador na gestão Orlando Morando (MDB) e depois com Marcelo Lima, ele avalia que a relação com Lima é melhor. “São estilos diferentes. O governo Marcelo tem alcançado números significativos, ele é prefeito de entregas. Ele é muito mais dinâmico que o Orlando”, destaca.
Para Ivan Silva é possível que o ABC tenha mais deputados estaduais e federais. Ele defende o voto em candidatos da região. Só São Bernardo, segundo ele poderia fazer vários candidatos eleitos. “São 650 mil eleitores, com esse leque é possível fazer mais, o Marinho (Luiz Marinho, ex-prefeito e hoje ministro do trabalho) fez. Ele elegeu a Ana do Carmo, o Luiz Fernando e o (Teonílio) Barba (todos do PT). Se população entender que é mais importante ter representantes na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) do que na Câmara Federal pode fazer mais”, analisa.
O Podemos, partido de Ivan Silva, que tem como presidente estadual o prefeito Marcelo Lima, ainda não definiu os apoios majoritários para a eleição deste ano. Segundo o pré-candidato, a probabilidade é seguir Tarcísio de Freitas (Republicanos) que tenta se reeleger no Estado, mas a questão federal não está decidida. Ele destacou o papel de Lima como articulador. “A ideia é fortalecer o partido, fazer o maior número de cadeiras na estadual e federal. Temos feito dobradas importantes eu com a Renata Abreu, com o Carlos Rodrigues e outros deputados federais. Estamos sendo coerentes nas decisões. Em Santo André também tenho uma dobrada, como o André do Viva (Avante), em São Bernardo faço com o Watanabe (PL). São de 60 mil a 70 mil votos, que é a média de corte para deputado estadual, é um número grande de votos é como se fosse uma eleição para vereador no Estado todo e você precisa de apoios, por isso é difícil, mas dá para chegar lá”, diz o pré-candidato.
Se eleito, Ivan Silva quer integrar a comissão de Saúde, por verbas nesta área, e também a de Transporte, para atender a pedido dos caminhoneiros por mais segurança na Via Anchieta. “Essa demanda os caminhoneiros me pediram; pela Anchieta descem 20 mil caminhões por dia. A ideia é proibir carros e motos na Anchieta nos dias de semana, e deixar só os caminhões porque é muito perigoso. Toda semana tem acidente no trecho de serra. Sem os carros os caminhões poderão usar as duas faixas. Talvez nem precise de lei, só um ato administrativo. Isso vai salvar muitas vidas”, justifica.
Sucessão
Ivan Silva falou sobre como o atual governo recebeu a prefeitura, dos problemas com caixa e problemas políticos. Falou da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da alça do quilômetro 16 da Anchieta como um dos problemas sérios, além de dívidas e materiais comprados com dinheiro público esquecidos em galpões.
“A na alça da Anchieta foram gastos R$ 16 milhões e não solucionou o problema. Esse foi o papel do vereador que é fiscalizar e eu votei a favor da CPI porque tem que ser trazido à tona, pois pessoal do Rudge Ramos está reclamando do gasto do dinheiro. Precisa fazer algo para desafogar aquela alça”, comenta.
Silva também falou de problemas em equipamentos inaugurados pelo prefeito que antecedeu o atual governo como a UBS Santa Terezinha que não estava totalmente pronta. “Tinha gerador porque a Enel não tinha feito ligação então o barulho incomodava os vizinhos e fumaça entrava na UBS. Como essa teve muita obra a toque de caixa, além isso pegamos a prefeitura com muitas dívidas, achamos um galpão no Botujuru cheio de material escolar estragando, isso é irresponsabilidade”, avalia.
O pré-candidato a deputado estadual, lembrou a lei criada em São Bernardo para punir com multa quem agredir servidor municipal da Saúde. Uma das propostas é levar isso também a âmbito estadual. “Estava aumentando muito o índice de agressões contra os profissionais de saúde e depois dessa lei não deve mais problema. São Bernardo foi a primeira cidade que criou essa lei, a gente pode levar para o âmbito estadual. Os profissionais de saúde reconheceram a importância do projeto, tanto que o pessoal do Coren (Conselho Regional de Enfermagem) fizeram congratulação”, aponta
Frente parlamentar
Ivan Silva diz que ter o presidente estadual do partido e prefeito de uma das maiores cidades do Estado vai ser importante para um eventual mandato de deputado estadual. “Ele vai ajudar bastante a gente administrar esse mandado e, como deputado, vamos ter relação com muitos prefeitos, tomara que ele não tenha ciúmes. Ideia é fortalecer nossa região, mas não esquecer outras, importância de ter um olhar amplo. No reduto eleitoral o deputado é mais demandado, mas nada impede de mandar recursos para outras cidades também”.
Dentro desta análise de atendimento das bases, Ivan Silva defende a Frente Parlamentar do ABC, que poderia já ter resolvido problemas históricos da região, como acesso ao Metrô. “Estou na vida pública há 20 anos e sempre ouço a falar do Metrô que chegou em outras regiões e não chegou no ABC. Isso seria um ganho, um desenvolvimento tão grande, mas infelizmente a vaidade atrapalhou. Não tem outra região com tanta representação, agora temos a chance de fazer mais”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
