
Neste mês, a Lei Seca completa 18 anos no Brasil, consolidada como uma das principais políticas públicas de enfrentamento à violência no trânsito. Sancionada em 19 de junho de 2008, a legislação endureceu as penalidades para motoristas que dirigirem sob efeito de álcool e estabeleceu a política de tolerância zero para alcoolemia ao volante. Em 2026, a importância histórica da legislação também ganhou reconhecimento oficial com a criação do Dia Nacional da Lei Seca.
Ao longo desse período, a legislação ampliou a fiscalização, o debate sobre segurança viária e a percepção de risco sobre associar álcool e volante. Ainda assim, os números mostram que o problema permanece presente nas rodovias e cidades do País.
Levantamento recente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta redução nos sinistros relacionados à ingestão de álcool nas rodovias federais desde a implementação da Lei Seca. Mesmo assim, as operações registram milhares de autuações todos os anos por essa infração.
Atualmente, dirigir sob efeito de álcool é considerado infração gravíssima no Brasil, com multa de R$ 2.934,70, suspensão do direito de dirigir por 12 meses e retenção do veículo. Em situações em que o teste do bafômetro aponta índices mais elevados de álcool, a conduta também pode configurar crime de trânsito.
Para Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons, empresa especializada em fiscalização e gestão de trânsito, a principal transformação provocada pela Lei Seca foi cultural, mas ainda há desafios importantes relacionados à conscientização e ao comportamento de risco. “Há 20 anos, esse comportamento era encarado com muito mais naturalidade. Hoje existe maior percepção de risco e reprovação social, mas ainda convivemos com situações preocupantes que continuam colocando vidas em perigo”, afirma.
Segundo Campos, um dos principais problemas está justamente na falsa sensação de controle que o álcool provoca nos condutores. “Muitos motoristas acreditam que pequenas quantidades não comprometem a capacidade de dirigir, quando na verdade o álcool afeta reflexos, percepção de distância, tempo de reação e tomada de decisão em qualquer dose. No trânsito, segundos fazem diferença”, explica.
Dados da própria PRF reforçam que excesso de velocidade, distração e ingestão de álcool continuam frequentemente associados aos sinistros mais graves registrados nas rodovias federais brasileiras.
Além da fiscalização presencial, especialistas apontam que o avanço da tecnologia aplicada ao trânsito também contribui para ampliar a segurança viária, por meio de monitoramento inteligente, análise de comportamento e gestão operacional das vias. “A tecnologia é uma aliada importante, mas nenhuma solução substitui a responsabilidade individual. Segurança viária começa pelas escolhas feitas antes mesmo de ligar o veículo”, completa Campos.
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