O ex-prefeito de Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PSD), é pré-candidato a deputado estadual defendendo o voto regional para as duas esferas legislativas, estadual e federal. Em dobrada com o também ex-chefe do Executivo de São Bernardo, Orlando Morando (MDB), e com a maturidade política, diz que desenhou a sua candidatura para vencer, e que uma derrota, mesmo com boa votação, traz muitos danos a imagem política. Uma das suas bandeiras é a defesa de custeio do tratamento a pessoas autistas. Juntamente com o filho e hoje prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL) o pré-candidato implementou uma clínica especializada e que fornece o óleo extraído da cannabis para tratamento, de forma pioneira na região.
Em entrevista ao RDCast, Volpi diz que a motivação para sair candidato veio da necessidade de deputados da região, que tragam verbas. “Cidades que tenham mais de 100 mil habitantes e que não tenham representante na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa, vão se tornar altamente dependentes da economia do Estado e da União, porque transmissão de recursos passa por deputado. Mauá, por exemplo, tem 315 mil eleitores e dois deputados, se tivesse votação regional poderia ter três ou quatro, o ABC poderia ter oito ou nove. A gente vai aglutinando uma certa quantidade de votos para conscientizar as pessoas importância da regionalização do voto”, justifica.
Volpi também conta ter se apaixonado pela causa do autismo e que hoje, inclusive é o candidato do PA (Partido do Autista) que ainda está em formação. “Eu me apaixonei há sete anos, pelo TEA (Transtorno do Espectro Autista), quando recebi no gabinete várias famílias para a entrega do cordão aí entra uma criança de grau três e entendi a complexidade que é cuidar. Não temos hoje política pública para o amanhã, temos para o dia a dia, mas não temos do governo federal, estadual e muito menos municipal para o amanhã. Passei a conhecer um pouco o que é o TEA e me apaixonei pela causa e hoje faz parte do meu programa o foco no autismo”, anuncia.
Segundo o pré-candidato, para ter verba para os tratamentos, é preciso deputado que briguem por essa causa, para que receitas sejam vinculadas, como a loteria esportiva, por exemplo já destina parte para o esporte, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) reverte para a habitação. “Tudo tem uma vinculação, os neurodivergentes caminharão para isso. Por exemplo, o recurso a fundo perdido o prefeito teria que aportar 10% dele para causa neurodivergente. Aí começa a se ter alternativa de projeto para vislumbrar quanto vamos ter em Ribeirão Pires em 40 anos. Hoje temos 381 laudados na rede municipal não sabemos quantos tem a rede estadual, devemos ter ao todo, cerca de 700. Daqui 30 anos os 700 terão 50 anos, ninguém cuida deles se os familiares morreram. Teremos possivelmente, em 30 anos, mil idosos com TEA e que possivelmente não terão quem cuide.
Volpi diz que não custa tanto o município manter a clínica em parceria com a entidade Flor da Vida, mas o benefício para quem utiliza o serviço é grande. “Na clínica 50% dos usuários têm tudo gratuito, se a pessoa pode ela paga alguma coisa, para isso fazemos a análise social. Um frasco de cannabidiol custa R$ 250 na farmácia vai sair por R$ 1.200 a R$1.300, fica muito mais acessível. É tão barato aquilo, porque o médico psicólogo, a assistente social tudo tem na rede. Esse assunto vou levar para a Assembleia”, anuncia.
Divisão
Ao analisar a parte da região composta por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Volpi diz que, se houvesse entendimento aquela parte do ABC poderia ter mais deputados e, consequentemente, mais recursos. “Mauá tem dois deputados brigando a vida inteira. Os dois desejam o mesmo lugar. Se tivéssemos entendimento teríamos crescimento muito grande. Poderíamos, em Mauá, Ribeirão e Rio Grande, termos quatro deputados estaduais, imagina o número de recursos que iriam para as cidades. Que falta faz para Rio Grande da Serra ter que mendigar R$ 2 milhões para comprar remédio. E ele (prefeito) vai no deputado que muitas vezes não é nem daqui. No ABC ficaram sem votar, em branco ou nulo para deputado, quase 500 mil eleitores. Se todos estivessem votado, teríamos mais dois estaduais pelo menos ou pelo menos mais dois federais na sobra. São pessoas que nunca deram valor ao que é ser deputado, acham que pode ser qualquer um”.
“Eu defendo o voto regional. Na eleição passada, em Ribeirão Pires, não tínhamos candidato próprio a deputado estadual, tivemos 50 mil eleitores votando em candidatos de fora. Agora temos três candidatos lá. Em Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Mauá são 190 mil eleitores e podemos dar ao candidato dessas cidades uma base eleitoral forte”, continua o ex-prefeito.
Tabela SUS Paulista
Volpi também falou da ampliação da Tabela SUS Paulista para os hospitais municipais. “Um parto aproximadamente R$ 12 mil e fazemos 60 a 70 partos por mês, e recebe R$ 500 e poucos reais do SUS. Desembolsamos, se fizermos só 50 no mês, R$ 18 mil e recebemos só R$ 500, o SUS Paulista vai nos dar R$ 2.700. Se elevar o número de nascimentos, e podemos fazer até 100 por mês, esses R$ 2.700 podem chegar até até 40% do valor real que a gente paga. Gastamos ano passado R$ 172 milhões em saúde, recebemos R$ 54 milhões, o resto é tesouro e emenda parlamentar”, comenta.
Consórcio
Para Volpi o Consórcio Intermunicipal é ótima iniciativa, como também a Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC. “A Agência teve um auge muito grande. Eu tinha o projeto da região metropolitana do ABC e o Celso (Daniel – prefeito de Santo André, morto em 2002) tinha o da Agência, discutimos e o governador não aceitou meu projeto, mas eu acho que hoje se fossemos região metropolitana com direcionamento de orçamento maior. Vivemos numa região em que Santo André, São Bernardo e São Caetano não têm necessidade de viver consorciado com ninguém a força política destas cidades é muito maior que das outras. Em outras regiões no Vale do Ribeira, onde o consórcio de lá tem 14 cidades, eles se consorciam diminuem o curso daquilo. Diadema é independente também, quem depende mais é Rio grande da Serra e Ribeirão, mas o consórcio vem buscando importantes recursos no transporte, na segurança e no roteiro cultural.
Dobrada
A dobrada que Volpi firmou com Orlando Morando visa a regionalização do voto, mas pesa o potencial de votos. “A regionalização parte do princípio de quem está mais próximo e tem chance de vencer. O Orlando não nasceu para ser segundo em lugar nenhum; é um sujeito arrojado. Ele vai ganhar a eleição e vai ser um dos mais votados do MDB. Ele tem uma projeção na vida pública eu me adapto muito ao perfil dele. A regionalização vai ser muito importante e ele não pode abandonar a minha região. Meu pacto com ele é o da regionalização e ele é o que terá a maior chance de sucesso do ABC.
O lançamento da pré-candidatura a deputado estadual teve um preço para Volpi que foi a interrupção de sucessivos apoios firmados com o deputado estadual Thiago Auricchio (PL). “Foi o pior almoço que eu tive na vida quando fui almoçar com o Auricchio e anunciar que seria candidato. Tenho carinho por ele não posso negar. Expliquei que é o momento de uma cidade com mais de 100 mil habitantes ter seu candidato a deputado estadual. Fiz duas campanhas para o Thiago Auricchio, fizemos votos para ele, é um bom rapaz é um bom político e vai ganhar a eleição, não tenho nada a reclamar, mas a gente precisava dar um passo à frente”.
Volpi conta que deseja continuar contando com a ajuda de Auricchio na Alesp já que aposta que o deputado será reeleito. Também disse que entrou na disputa para ganhar a eleição e não apenas para manter seu nome em evidência. “Quantos disputaram para fazer nome e caíram, eu vou disputar para ganhar. Você não pode começar a ter derrotas porque vai ficar muito marcado por elas. Se ele (Auricchio) vencer e eu não, Ribeirão vai ter um deputado, o ruim para Ribeirão, Rio Grande e Mauá é se nenhum de nós vencermos.
Outra divisão, porém encarada com certa amistosidade no grupo político que governa Ribeirão Pires está ligada à pré-candidatura a Rubens Fernandes, o Rubão (Solidariedade), vice-prefeito da cidade, que quer disputar vaga na Câmara dos Deputados. Volpi reconhece a importância da candidatura, mas seria, segundo Volpi, estratégia de elevar seu nome visando eleição para prefeito em 2028. “Ele conhece a periferia e foi muito importante para nós. Ele escolheu ir para a eleição e eu nunca pedi para retirar, jamais faria isso. Acho que está tentando lançar nome, o que é muito justo. Outra candidatura é do sargento Alan (PSD), para deputado federal, essa me atrapalha porque eu estou dobrando com o Orlando. Se ele fizer de 5 mil a 6 mil votos ele se cacifa se fizer 3 mil ele pode sofrer”, comenta.
Com gosto pela política e sentindo-se preparado, Volpi diz, no entanto que esta deve ser sua última disputa eleitoral. “Eu já falei isso umas duas ou três vezes, mas estou preparado apesar da minha idade. A saúde está boa”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
