
O número de moradores acompanhados em programas ou grupos de cessação do tabagismo nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Diadema quase triplicou no último ano, passando de 67 pessoas, em 2024, para 241, em 2025. Esse é o número divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde no mês da Conscientização e Prevenção do Câncer de Pulmão, destacando os malefícios do tabagismo – o Junho Branco.
O secretário municipal da Saúde, Antônio Carlos do Nascimento, avalia que a gestão vem investindo na formação de profissionais para atendimento da demanda e tem observado o aumento na procura por tratamento, com maior adesão aos grupos ofertados pela Atenção Primária. A dispensação dos insumos, como medicamentos, adesivos e material de apoio, também está regularizada.
Atualmente, 19 das 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferecem tratamento e acompanhamento para fumantes, com rodas de conversa, prescrição de medicamentos e adesivos para apoio na suspensão do fumo.
A frentista Maria Alciana Lima Cruz, ao longo de anos, perdeu oportunidades de trabalho e companheiros em consequência do tabagismo. “Eu também gastava cerca de R$ 500 por mês para comprar cigarros. Já tinha tentado várias vezes, mas cheguei à conclusão de que sozinha não conseguiria”, lembra. Ela participou do Grupo de Cessação do Tabagismo da UBS Nações, no segundo semestre de 2025, e conseguiu largar o vício do cigarro.
“Fui muito bem acolhida pelos profissionais e isso me deu força. Os remédios ajudaram bastante e minha força de vontade também”, orgulha-se Maria. “Vai fazer um ano que eu parei de fumar. Ao longo desse tempo, sou uma outra pessoa, comecei academia. Durmo bem, tinha dor nas pernas que, hoje, não sinto mais. Agora, como bem e não sou mais nervosa”, afirma a moradora de Diadema.
Desde o início de 2025, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Nações promoveu três grupos com 51 pacientes. Desses, 18 concluíram todo o processo e abandonaram o vício do cigarro. Embora o número possa parecer pequeno, a mudança de hábito requer esforço contínuo e apoio de pessoas próximas. “Trabalhamos cessamento e redução de danos. Além dos que pararam completamente com o cigarro, houve redução do consumo em 25 participantes”, ressaltou a farmacêutica Karla Silva.
Um novo grupo terá início no segundo semestre. O morador pode manifestar seu interesse ou ter indicação para participar em casos agravados de saúde, como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou pacientes cardíacos. A divulgação é feita com cartazes e panfletos, além de informações pelas equipes de saúde.
Como funciona
Ao todo, são nove encontros, sendo um acolhimento inicial para avaliação, quatro reuniões semanais e quatro encontros quinzenais. Após a conclusão, são agendadas consultas médicas para manutenção. Quando há indicação, são prescritos medicamentos, estratégias para lidar com abstinência e prevenir recaídas.
Karla explica que os encontros são estruturados com ações educativas, rodas de conversa, escuta qualificada e orientações sobre os malefícios do tabagismo, benefícios da cessação e estratégias para controle da ansiedade. “Também são abordados temas como alimentação saudável, atividade física e saúde mental, fortalecendo o autocuidado”, ressalta.
A equipe da UBS Nações é composta por nove profissionais, como administrativo, agente comunitário de saúde (ACS), assistente social, dentista, enfermeira, farmacêutica, médica, psicóloga e nutricionista. A quantidade e a formação dos profissionais podem variar de acordo com a UBS e a demanda do grupo formado.
Risco
O tabaco contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas. Seu uso contínuo aumenta o risco de diversas doenças, como câncer de pulmão, boca, garganta, esôfago, bexiga e outros órgãos, DPOC, infarto agudo do miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (AVC), além de problemas respiratórios e redução da qualidade de vida.
Embora a maioria da população conheça os prejuízos causados pelo tabagismo, deixar o vício é desafiador. A farmacêutica da UBS Nações relata que “o acompanhamento contínuo e a atuação integrada dos profissionais de saúde contribuíram para a melhora da qualidade de vida dos participantes e para o reconhecimento do grupo como uma importante estratégia de promoção da saúde e prevenção de doenças no território”.
A principal mudança observada pelos participantes, ao parar de fumar, é a melhora do paladar, do olfato e da qualidade de vida, com diminuição dos riscos para as doenças descritas acima.
“A interrupção do tabagismo contribui para a melhora da saúde da boca, da cicatrização dos tecidos, do paladar e da qualidade de vida. Os participantes são orientados sobre a importância da higiene bucal adequada, da escovação correta, do uso do fio dental e das consultas regulares com o cirurgião-dentista”, afirma a farmacêutica. Durante o grupo, os participantes passam por avaliação bucal para avaliar e identificar precocemente possíveis lesões.
Reconhecimento
A experiência foi apresentada durante o I Simpósio Regional de Tabagismo, realizado em 28 de maio, no Centro Universitário da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). “O Grupo de Tabagismo da UBS Jardim Nações apresentou resultados expressivos, caracterizados pelo aumento da divulgação das ações, ampliação do acesso da população ao tratamento e maior adesão dos participantes. Observou-se fortalecimento do vínculo entre usuários e equipe multiprofissional, redução do consumo de tabaco e casos de cessação do hábito de fumar”, afirma Karla.
Outra experiência positiva, da UBS São José, foi apresentada sob o título de “Inovação no Combate ao Tabagismo: uma Experiência Exitosa na UBS Vila São José”, na 21ª Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios do 38º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (COSEMS/SP), realizado entre os dias 09 e 11 de abril de 2025, em Santos. Mais informações em https://portal.diadema.sp.gov.br/diadema-disponibiliza-acompanhamento-a-quem-quer-parar-de-fumar/.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
