
Levantamento realizado pelo RD com dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES), do Governo do Estado de São Paulo, aponta que o ABC contabilizou 44 acidentes com escorpiões em 2025, contra 45 ocorrências em 2024. Apesar da leve queda no total, quatro municípios apresentaram aumento nos registros de picadas: Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, São Caetano e Diadema.
Em 2026, até o momento, já foram contabilizados 11 acidentes com escorpiões na região. Diadema concentra o maior número de ocorrências neste ano, com quatro casos. Em 2025, o município registrou dez acidentes, ante oito em 2024.
São Caetano aparece na sequência, com dois casos em 2026. No ano passado, a cidade contabilizou dez ocorrências, número superior aos seis registros de 2024.
Santo André e Mauá também somam dois acidentes cada neste ano. Em Santo André, foram nove casos em 2025 e dez em 2024. Já em Mauá, os registros passaram de sete para seis no mesmo período. Segundo a Prefeitura, os bairros com maior incidência de ocorrências são Vila Bocaina, Jardim Guarani e Vila Emílio.
São Bernardo registrou um acidente em 2026. O município apresentou uma das maiores reduções da região, passando de 14 casos em 2024 para seis em 2025.
Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não registraram acidentes neste ano. Em Ribeirão Pires, houve um caso em 2025 e nenhum em 2024. Apesar disso, moradores do Jardim Mirante relatam o aparecimento frequente de escorpiões nas residências. Já Rio Grande da Serra contabilizou duas ocorrências em 2025, após não registrar casos em 2024.
Cuidados
Após a picada, o sintoma mais frequente é dor intensa no local. Em situações mais graves, podem surgir náuseas, suor excessivo, agitação e alterações nos batimentos cardíacos e na respiração. Crianças de até 10 anos estão entre as mais vulneráveis a quadros graves, que podem evoluir rapidamente e demandar atendimento médico imediato.
Diante de qualquer suspeita de picada de escorpião, mesmo quando o animal não é visualizado, a orientação é procurar rapidamente um serviço de saúde e relatar a suspeita do acidente. O Ministério da Saúde recomenda que a vítima receba atendimento o mais rápido possível e alerta que medidas caseiras devem ser evitadas.
Sobrevivência e reprodução
O aumento do aparecimento de escorpiões durante o outono acende um alerta, já que os meses mais quentes do ano ainda estão por vir e a tendência é de crescimento das ocorrências no verão.
Segundo o biólogo Miguel Malta, a combinação de altas temperaturas, disponibilidade de alimento e ausência de predadores naturais cria condições favoráveis para a proliferação, especialmente em áreas urbanas. “As baratas são o principal alimento dos escorpiões, e onde há lixo, entulho e esgoto, há também grande oferta para eles. A escassez de predadores também favorece esse crescimento descontrolado”, explica.
A espécie mais comum na região é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), considerado um dos mais perigosos do País. Além da toxina potente, o animal peçonhento tem um método de reprodução preocupante: a partenogênese, ou seja, a fêmea é capaz de gerar filhotes sem a presença do macho.
O biólogo também chama atenção para a capacidade de proliferação da espécie e para a dificuldade de identificar a presença dos animais no dia a dia. “Um único escorpião pode dar origem a uma infestação. E como são animais de hábitos noturnos, muitas vezes passam despercebidos por permanecem em locais escuros e úmidos, como garagens, quintais, entulhos e frestas de parede”, afirma.
Mesmo durante períodos de temperaturas mais baixas, os escorpiões conseguem sobreviver por longos períodos. “Os animais entram em um estado de baixa atividade metabólica, o que permite que permaneçam até três meses sem se alimentar”, destaca.
Prevenção é chave
A principal forma de prevenção é eliminar abrigos e fontes de alimento dos escorpiões. Manter os ambientes limpos, sem entulho ou restos de comida, além de vedar frestas e orifícios próximos ao solo, estão entre as medidas recomendadas. “Se não houver abrigo ou alimento, o escorpião tende a procurar outro local”, afirma o biólogo.
A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Tatiana Lang, reforça que o descarte adequado de resíduos são fundamentais para reduzir os riscos. “A prevenção começa dentro de casa e no entorno das residências. A correta destinação dos resíduos reduzem os abrigos e a oferta de alimento para os escorpiões, o que diminuiu o risco de acidentes”, destaca.
O biólogo também orienta que moradores vistoriem calçados, mochilas, roupas deixadas no chão e áreas de jardim antes de manuseá-los, principalmente em locais com histórico de aparecimento desses animais. “A maioria dos acidentes ocorre justamente nesses momentos de descuido”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
