
Nesta terça-feira (10/6), celebra-se o Dia da Língua Portuguesa, idioma falado por cerca de 260 milhões de pessoas em todo o mundo e língua oficial de nove países. A data homenageia Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, considerado o maior poema épico em língua portuguesa e uma das obras mais importantes da literatura mundial.
A língua portuguesa tem suas raízes no latim vulgar, idioma falado pelos soldados e colonizadores do Império Romano que ocuparam a Península Ibérica a partir do século III a.C. Ao longo dos séculos, o contato com povos locais e invasões de diferentes origens, como visigodos e árabes, transformou o latim popular em novas formas de expressão, dando origem ao galego-português, falado na região noroeste da península.
A partir do século XII, com a formação do Reino de Portugal, o idioma consolidou-se de forma independente e evoluiu até chegar à língua falada atualmente por milhões de pessoas.
O português falado no Brasil
No Brasil, o português adquiriu características próprias ao incorporar influências de diferentes povos e culturas. O resultado é uma variedade linguística marcada por sonoridade, vocabulário e estruturas particulares.
“O português brasileiro se formou a partir da base europeia trazida pelos colonizadores, mas foi moldado por influências indígenas e africanas, criando uma sonoridade e uma estrutura únicas”, explica Lino Gonzaga de Oliveira, da Brazilian International School (BIS), de São Paulo.
Embora carregue a fama de ser um idioma difícil, o português não é necessariamente mais complexo do que outras línguas, avalia a professora Janaína Arruda, da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo. Segundo ela, a percepção de dificuldade depende, em grande parte, da língua materna de quem está aprendendo.
Isso ocorre porque os idiomas se organizam em famílias linguísticas com estruturas, sons e vocabulários semelhantes. Para Janaína, toda língua tem suas complexidades, mas o português não é mais difícil do que o francês, o alemão ou o inglês.
“Essa percepção pode estar associada à distância entre o português formal, considerado ‘norma’, e o falado no cotidiano. Quando o ensino se volta excessivamente para a norma culta e pouco para o uso real da língua, o aprendizado se torna mais desafiador. Dominar o português não significa decorar regras, mas compreender como ele funciona na prática”, afirma.
O peso do português no Enem
Mais do que um patrimônio cultural compartilhado por diferentes países, a língua portuguesa desempenha papel fundamental na trajetória acadêmica dos estudantes brasileiros. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela está presente não apenas nas 45 questões da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, mas também na redação e na interpretação de conteúdos de todas as áreas.
Para Janaína Arruda, a prova pode ser definida como uma verdadeira “maratona de leitura”.
“Os estudantes enfrentam muitos textos, de variados tipos. O que tem sido abordado com frequência é a interpretação textual e os gêneros textuais, como crônicas, tirinhas, charges e infográficos. Por isso, é essencial desenvolver a habilidade leitora. A falta de prática pode tornar a prova cansativa para quem não tem o hábito da leitura”, afirma.
A professora destaca ainda que a prova busca avaliar a capacidade do candidato de compreender o uso da língua em diferentes situações comunicativas. Nesse contexto, ganham importância temas como variações linguísticas, funções da linguagem e análise do discurso.
Também é fundamental compreender o uso das figuras de linguagem e sua relação com conteúdos de semântica, polissemia e ambiguidade.
“As questões de literatura costumam privilegiar textos modernos e contemporâneos e frequentemente utilizam letras de músicas, estabelecendo relações entre diferentes produções culturais e valorizando processos sociais ligados à formação da cultura brasileira. Além disso, as competências exigidas na redação demandam amplo repertório sociocultural”, acrescenta.
Os assuntos que mais caem na prova
Dominar os principais conteúdos de língua portuguesa é essencial para obter um bom desempenho no Enem. Mais do que conhecimento técnico, a prova exige leitura crítica, interpretação e capacidade de aplicar conceitos em diferentes contextos.
“Mais do que decorar regras, o aluno precisa entender como a língua funciona em situações reais. O Enem cobra aplicação prática, e não apenas teoria isolada”, destaca Juliane Pagamice, professora da Escola Internacional de Alphaville, em Barueri.
Entre os temas mais recorrentes estão:
Interpretação de texto e gramática
A maior parte das questões exige leitura atenta de textos diversos associada ao conhecimento das normas gramaticais. É comum que o estudante precise interpretar um trecho e, simultaneamente, aplicar regras da língua.
Gêneros textuais e tipos de discurso
Charges, reportagens, crônicas, poemas e tirinhas aparecem com frequência. As questões costumam explorar intenções comunicativas, características dos gêneros e tipos de discurso.
Literatura, variações linguísticas e funções da linguagem
São cobradas características de movimentos literários, como Romantismo e Modernismo, além de aspectos relacionados à linguagem formal e informal e às diferentes funções da linguagem.
Análise sintática, concordância, regência, crase e pontuação
Esses conteúdos geralmente aparecem em contextos práticos, exigindo a identificação de funções sintáticas e a aplicação correta das regras gramaticais.
Como acertar mais questões de português
Com base nos temas mais frequentes, algumas estratégias podem fazer diferença no dia da prova. Saber interpretar os enunciados, administrar o tempo e revisar as respostas com atenção aumenta as chances de acerto.
“A prova de língua portuguesa no Enem exige leitura estratégica. Muitas vezes, a resposta está no próprio texto, mas o aluno precisa saber onde procurar e como interpretar o que está sendo dito”, orienta Eloá Schuler, docente do Colégio Progresso Bilíngue.
Entre as principais recomendações estão:
Leia a pergunta antes do texto para identificar o foco da questão;
Destaque palavras-chave como “exceto”, “principalmente” e “figura de linguagem”;
Elimine alternativas claramente incorretas antes de analisar as demais;
Retorne ao trecho indicado para confirmar a resposta.
Como estudar português para o Enem
A preparação deve ir além da memorização de regras. O ideal é manter uma rotina de leitura, resolução de exercícios e revisões periódicas.
“Estudar português para o Enem não é apenas memorizar regras, mas treinar o olhar para reconhecer padrões linguísticos, estilos de texto e intenções comunicativas”, afirma Lino Gonzaga de Oliveira.
Entre as estratégias mais eficazes estão:
Ler diferentes formatos de texto, como jornais, reportagens, tirinhas, charges, anúncios e conteúdos digitais;
Produzir resumos e esquemas de análise sintática;
Resolver simulados e provas anteriores para se familiarizar com o estilo das questões;
Fazer revisões frequentes dos principais conteúdos, como crase, concordância, regência, gêneros textuais e figuras de linguagem.
Mais do que dominar normas gramaticais, ter sucesso no Enem exige compreender a língua em uso. Em uma prova cada vez mais voltada à interpretação e à análise crítica, a leitura continua sendo a principal aliada dos candidatos.
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