
Junho chega ao Sesc Santo André ao som da sanfona, do triângulo e de um gênero que atravessa gerações. Entre passos arrastados no salão, conversas que se prolongam depois da música e melodias carregadas de estrada, histórias e celebração, o Forrobodó ocupa a unidade com uma agenda dedicada às múltiplas expressões do forró e às suas ligações com a cultura popular brasileira.
Ao longo do mês, os encontros se espalham pelos espaços em experiências guiadas pela dança, pela escuta e pelo convívio. Baião, xote, ciranda, samba, reggae e MPB percorrem repertórios que aproximam herança e invenção, enquanto a ambientação inspirada nas festas populares e no imaginário nordestino transformam a unidade em um cenário de cores, trocas e circulação, acompanhando o clima de celebração que atravessa a programação.
Música
A abertura acontece na sexta feira (5), às 20h,com Fran Nóbrega e o show Mãe da Lua. A cantora conduz canções voltadas às vozes femininas do forró e das manifestações nordestinas, trazendo à cena temas ligados à ancestralidade, ao sagrado feminino e à maternidade. Na semana seguinte, no dia 11, o grupo Madame Fulô ocupa a o palco com De Fulô em Fulô. Formada por musicistas de Sorocaba, a banda reúne clássicos do gênero e referências da cultura do nordeste em uma apresentação marcada pela coletividade e pela presença feminina na música tradicional da região. A apresentação é gratuita e livre para todos os públicos.
Dia 11, às 19h30, o grupo de forró Madame Fulô, composto por musicistas de Sorocaba e região, apresenta o show “De Fulô em Fulô”. No concerto, terão repertório clássicos do forró e releituras de músicas que não são dessa linguagem, com arranjos especiais para a formação. Clássicos como “Xodó”, “Xote das Meninas”, “Sabiá” e também releituras de sucessos como “A Primeira Vista” de Chico César e “Todx Putx” de Ekena estão presentes, além de “Dengo”, música autoral da vocalista, Flor Maria. A apresentação é gratuita e livre para todos os públicos.
No dia 12, às 20h, o Circuladô de Fulô celebra 25 anos de trajetória. Nome importante do forró universitário desde os anos 2000, o conjunto revisita composições que acompanharam sua caminhada, como “A Sol, a Lis e o Beija-Flor”, “Águas Mansas” e “Levitar”, em uma noite guiada pela memória afetiva e pela relação construída com o público ao longo das décadas. As tradições da ciranda ganham espaço nos encontros conduzidos por Mestra Penha Cirandeira, nos dias 13 e 27. Entre canto, roda e partilha, a artista reúne o público em vivências ligadas à oralidade, aos saberes populares e às heranças transmitidas de corpo em corpo, de voz em voz. As apresentações, com classificação indicativa de 14 anos, possuem ingressos que variam entre R$50,00, R$25,00 e R$15,00. Clique aqui para conferir.
Aos sábados, de 13 à 27/6, às 16h, o show Ciranda das Tradições apresenta músicas para dançar, cantar junto e se emocionar assistindo toda a bagagem ancestral da mestra Penha Cirandeira, que estará presente no evento. Penha vem acompanhada pelos seus aprendizes para trazer a fala potente de uma mulher mestra, mãe e rezadeira que nunca pisou numa escola, mas que é herdeira de uma pedagogia ancestral. As apresentações são gratuitas e livres para todos os públicos.
Dia 18, às 19h30, o coletivo Forró das Minas integra artistas de diferentes vivências em uma celebração voltada ao forró pé de serra e às expressões nordestinas. O trabalho nasce do encontro entre mulheres musicistas e lança luz sobre a diversidade de trajetórias presentes na cena contemporânea do gênero. Já no dia 25, também às 19h30, o Bucado d’ Doiis parte da formação clássica do trio, com a sanfona, zabumba e triângulo, para percorrer diferentes paisagens sonoras. Idealizado por Uglau e Roggi, o projeto mistura música e teatralidade em uma construção que aproxima elementos tradicionais e experimentações modernas. As apresentações são gratuitas e livres para todos os públicos
Na reta final da programação, às 20h do dia 26, Marcelo Jeneci sobe ao palco com o show Night Clube Forró Latino. A sanfona, instrumento que acompanha sua trajetória desde o início, conduz um repertório que aproxima Luiz Gonzaga, composições autorais e referências da música pop em um trânsito constante entre delicadeza melódica e pulsação dançante. O percurso musical se encerra em 3 de julho, com a banda Peixelétrico em Peixelétrico Afro Baião. O grupo reúne músicas próprias, faixas do álbum comemorativo de 25 anos, clássicos do forró universitário e do pé de serra em uma apresentação que incorpora elementos de frevo, samba, reggae, blues e MPB. A apresentação, com classificação indicativa de 14 anos, possui ingressos que variam entre R$50,00, R$25,00 e R$15,00. Clique aqui para conferir.
Teatro
Além da programação musical, o projeto também abre espaço para experiências teatrais. Em escala miniatura, o teatro lambe-lambe Pequenos Mestres e Mestras, do Grupo Teatro do Imprevisto, ocupa o Espaço de Tecnologias e Artes aos sábados (13 a 27), em duas sessões de horários: das 11h30 às 13h e das 14h30 às 16h. Em pequenas caixas cênicas, a criação homenageia figuras dedicadas à preservação da cultura tradicional brasileira, evocando universos ligados à folia de reis, ao jongo, ao boi-bumbá e ao barro popular. As cenas reverenciam nomes como Lili Figureira, Ana Maria Carvalho, Kardec Gonzaga, Laudeni de Souza e Zé da Viola, convidando visitantes a se aproximarem de saberes e legados que seguem atravessando o tempo. A experiência é gratuita e livre para todos os públicos.
Aos domingos, entre os dias 7 e 28, às 16h, o teatro recebe o espetáculo Vitalino, Teu Nome no Barro, da Cia Tempo de Brincar. Inspirada na obra do Mestre Vitalino, a montagem acompanha a trajetória de uma boneca de barro que foge de um teiú, criatura que se alimenta das memórias das pessoas. A encenação costura referências aos caboclinhos, ao maracatu rural, às cirandas, aos mamulengos e às bandas de pífanos, aproximando o público de manifestações tradicionais pernambucanas por meio da música, dos bonecos e da narrativa popular. As apresentações, livres para todos os públicos, possuem ingressos que variam entre R$40,00, R$20,00 e R$12,00 (grátis para crianças até 12 anos). Clique aqui para conferir.
Durante todo o mês, também será possível experimentar um cardápio inspirado nas festas juninas e em preparos tradicionais da culinária brasileira. Entre receitas compartilhadas e aromas que transpassam os ambientes da unidade, a gastronomia acompanha de perto o clima do projeto e amplia a experiência proposta pela agenda.
No Forrobodó, cada noite parece alongar o tempo. A música escapa do palco, atravessa os espaços e encontra o público no compasso da dança, nas vozes que se cruzam pelo caminho, nos encontros que surgem sem pressa. Entre sanfonas, cores e o perfume das comidas típicas, o Sesc Santo André convida as pessoas a ocuparem junho como quem entra numa festa antiga: daquelas em que ninguém tem vontade de ir embora.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
