
Na rotina acelerada do dia a dia, lavar as mãos tornou-se um gesto quase automático. No entanto, o que muitos consideram uma tarefa simples e rápida é, na verdade, uma das formas mais eficazes de prevenir doenças, especialmente entre crianças.
Segundo especialistas, a higienização correta das mãos vai muito além de apenas passar água e sabão rapidamente. O processo envolve uma combinação de ação química e mecânica, fundamental para eliminar vírus e bactérias.
“O sabão limpa quimicamente a sujeira, mas o gesto mecânico de esfregar corretamente é o que realmente faz a diferença. A consciência do movimento, entre os dedos, sob as unhas e nos pulsos, é o que diferencia um enxágue rápido de uma higienização eficiente”, explica o pediatra Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
De acordo com o médico, o movimento ajuda a romper a membrana de gordura que protege muitos micro-organismos, inativando-os.
“É preciso ensinar isso às crianças desde cedo para que elas adquiram o hábito de lavar as mãos corretamente”, reforça.
Seis passos para lavar as mãos corretamente
Segundo o especialista, a higienização eficaz deve durar entre 40 e 60 segundos e seguir algumas etapas importantes:
- Molhar e ensaboar as mãos com água corrente;
- Esfregar as palmas uma na outra;
- Limpar entre os dedos;
- Higienizar dorsos das mãos e polegares;
- Esfregar unhas e pontas dos dedos;
- Enxaguar bem e secar com toalha limpa ou papel descartável.
O pediatra destaca que o hábito deve fazer parte de diversos momentos do cotidiano, como antes das refeições, após usar o banheiro, depois de tossir ou espirrar, ao tocar em superfícies públicas e após contato com lixo ou animais.
Redução de doenças
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a higienização correta das mãos pode reduzir em até 40% os casos de doenças diarreicas e cerca de 23% das infecções respiratórias. O hábito também ajuda a diminuir riscos de conjuntivite e verminoses.
Segundo Robledo, além da prevenção imediata, o hábito também contribui para reduzir o uso excessivo de antibióticos. “Ao lavar as mãos regularmente, as crianças adoecem menos e diminui a necessidade do uso desses medicamentos, prevenindo o surgimento de bactérias super-resistentes”, explica.
O médico ressalta ainda que o simples gesto também auxilia no desenvolvimento da autonomia infantil e no entendimento sobre autocuidado e responsabilidade coletiva. “Transformar esse ato automático em uma prática consciente contribui diretamente para proteger não apenas a própria saúde, mas também a de todos ao redor”, conclui.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
