
A Páscoa de 2026 chega mais cara para o consumidor no ABC. Levantamento do Centro de Inteligência de Mercado da Strong Business School, realizado em 75 pontos de venda nos sete municípios da região, mostra que os preços dos ovos de chocolate subiram bem acima da inflação, refletindo a crise global do cacau.
A pesquisa, feita entre 16 e 24 de março em hipermercados e comércios de menor porte, aponta que o preço médio dos ovos de Páscoa chegou a R$ 304 por quilo – alta de 16,7% em relação a 2025. O aumento supera com folga o IPCA, que acumulou 3,81% nos 12 meses até fevereiro. No mesmo período, o grupo de alimentos e bebidas registrou variação de 1,76%, evidenciando que o encarecimento dos ovos foi muito mais intenso do que a média dos preços ao consumidor.
O avanço dos preços tem origem no mercado internacional. Problemas climáticos e doenças em lavouras da Costa do Marfim e de Gana reduziram a oferta de cacau, pressionando o custo da matéria-prima e impactando diretamente os produtos derivados do chocolate.
Para o professor de economia da Strong, Sandro Maskio, o cenário deve pesar no orçamento das famílias. “Os ovos de Páscoa tendem a exercer maior pressão sobre o orçamento neste ano”, afirma. Ele ressalta que o aumento não é pontual: “O cenário internacional do cacau vem impondo custos mais elevados para toda a cadeia produtiva, e isso inevitavelmente chega ao consumidor”.
Ovos artesanais devem acompanhar tendência de alta
Apesar de não fazerem parte do levantamento, os ovos artesanais também devem acompanhar essa tendência de alta, já que o chocolate – principal insumo – ficou mais caro. Ainda assim, a indústria costuma amortecer parte dessas oscilações por trabalhar com contratos antecipados e iniciar a produção meses antes da Páscoa.
Além do aumento médio, o estudo revela grande variação de preços. Os valores encontrados vão de R$ 207 a R$ 638 por quilo – uma diferença superior a 200% entre os produtos. Em itens comparáveis, a variação média ultrapassa 80%, o que reforça a importância de pesquisar antes da compra.
Fatores como qualidade do chocolate, brindes, licenciamento de personagens e estratégias comerciais ajudam a explicar essa disparidade. Diante disso, a recomendação é clara: comparar preços deixou de ser apenas uma forma de economizar e passou a ser essencial para quem quer manter a tradição da Páscoa sem comprometer o orçamento.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
