A Guerra no Irã segue elevando a tensão no mundo, principalmente com as justificativas usadas pelos Estados Unidos para os ataques realizados em conjunto com Israel. A invasão feita na Venezuela aponta um padrão das ações estadunidenses no mundo e a possibilidade de facções brasileiras entrarem na lista de grupos terroristas chama a atenção de especialistas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), ouvidos pelo RDtv, sobre novas ofensivas, o que por consequência apresentam preocupações.
No caso dos ataques ao Irã, a justificativa foi o programa nuclear iraniano e a possibilidade do país produzir armas nucleares. No caso da Venezuela, foi apontada a suspeita de que o governo de Nicolás Maduro estaria dando algum tipo de suporte para o tráfico de drogas. Com a possibilidade de grupos como PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho entrarem na lista de terroristas causa preocupação para uma possível ação contra o Brasil.
“E me preocupa, sobretudo, esse movimento que o Trump está fazendo nos Estados Unidos atualmente para classificar, por exemplo, o PCC como grupos terroristas, dando para os americanos a prerrogativa de invadir um outro país, no caso o Brasil, para poder combater um suposto terrorismo praticado por esses organismos criminosos. Então isso certamente é algo preocupante, eu acho que nós brasileiros temos que nos preocupar com isso, porque essas ações de incursão acabam tendo impacto na variação das moedas, vamos pegar o caso do dólar, por exemplo, que sofre pressão de valorização e, portanto, desvalorização do real, o que gera impacto inflacionário, o aumento do preço dos combustíveis”, diz Volney Gouveia, gestor adjunto da Escola de Gestão e Negócios e coordenador do curso de Ciências Econômicas da USCS.

“A questão no Irã muda muita coisa, não se pode abrir muitas frentes. Os Estados Unidos hoje busca, com o Trump, principalmente com a lógica republicana, de passar a imagem hegemônica, de dizer que os Estados Unidos ainda é um dos grandes poderes mundiais. Todas essas atitudes, enfrentando inimigos, aproveitando oportunidades, cada uma das atitudes mostra essa tentativa de demonstração de poder”, inicia o professor e gestor do curso de Relações Internacionais da USCS, Vinicius Domingues Nunes.
“A questão aqui é observar que ele vai tentar fazer isso e conquistar uma espécie de posto, é muito menos materialista, é muito mais uma questão de imagem. Os Estados Unidos ainda podem interferir em qualquer parte do mundo e nenhum outro país tem poder o bastante para isso. Militarmente, é bem difícil”, explica.
Brasil e Estados Unidos ainda buscam uma data para o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Além de questões econômicas que já estavam no radar para a conversa que ocorreria no início de março, a não inclusão das organizações criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas estará na pauta. A intenção do governo brasileiro é buscar o entendimento sobre o combate ao tráfico de drogas em conjunto.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
