
Os números dos atendimentos das patrulhas Maria da Penha no ABC não são muito claros, mas mostram que mesmo nas cidades menores, há muito trabalho a ser feito na proteção das mulheres ameaçadas pelos companheiros e ex-companheiros. As patrulhas são mantidas pelas prefeituras, com um atendimento especializado, que está em expansão, mas também há patrulhas Maria da Penha na Polícia Militar. Para a delegada Renata Cruppi, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Diadema, e que ministra palestras sobre violência contra a mulher e como combater, as patrulhas têm um papel fundamental na proteção.
Em São Bernardo, a GCM (Guarda Civil Municipal) prendeu nesta quinta-feira (05/03) um homem que infringiu medida protetiva e entrou na casa da mulher da qual deveria ficar distante por ordem judicial.
Em São Bernardo o programa da GCM que atende as mulheres que protege as mulheres se chama Guardiã Maria da Penha. Segundo a prefeitura o homem invadiu a casa da ex-mulher que já é assistida pelo programa. Aparentemente alterado por uso de álcool ou drogas ele foi surpreendido na residência. A mulher relatou que a presença dele era indesejada, mas ele não queria sair. Quando os guardas informaram a ele sobre a prisão ele tentou fugir mais foi capturado na rua. Ele foi levado ao 3° Distrito Policial onde foi autuado em flagrante por descumprir de medida protetiva.
Na região em 2025 foram 16 casos de feminicídio, o dobro as mortes de mulheres assim classificadas no ano anterior. Fora o número de tentativas de feminicídio e as agressões, físicas e verbais.
“As patrulhas Maria da Penha são efetivas. A efetividade aumenta nos locais em que as patrulhas (da Polícia Militar e da Guarda Municipal) se comunicam, evitando fiscalizarem as mesmas assistidas. Há a possibilidade de uma ampliação no atendimento se há diálogo. O trabalho das equipes evitam muitos avanços da violência”, aponta a delegada.
Segundo Renata, o monitoramento das medidas protetivas é feito pelas patrulhas, mas há situações em que a mulher não quer, mas há formas de acompanhamento através de pessoas como familiares, amigos, vizinhos ou colegas de trabalho. “A fiscalização das medidas protetivas é feita pelas Patrulhas ou Guardiãs Maria da Penha, mas nem todas as mulheres aceitam o acompanhamento por medo ou outro motivo. Por isso da importância de conhecimento amplo da existência da medida e olhares atentos das pessoas próximas”, aponta.

Aplicativos como o ANA, já usado em algumas cidades, mas que o Consórcio Intermunicipal quer levar para toda a região, podem ajudar muito segundo a delegada que lida diariamente com situações de violência contra mulheres. “Fazem muita diferença, pois a mulher se sente mais amparada. As que não possuem o ANA na sua região, podem baixar o SP Mulher Segura. Este o atendimento é pela Polícia Militar”, orienta.
Medidas protetivas
As medidas protetivas foram um avanço enorme na proteção das mulheres, mas precisam de uma maior fiscalização segundo o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo e pós-graduado em Direitos Humanos, Adilson Paes de Souza. O volume de medidas protetivas aumentou 11% entre 2024 e 2025 somente no ABC.
““Se o agressor tem uma tornozeleira eletrônica e a mulher tem um token ou outro tipo de dispositivo de georreferenciamento, é possível emitir um alerta para a vítima e para a autoridade. A medida protetiva por si só não impede a aproximação dele da vítima. Só colocar a tornozeleira nele já é um constrangimento que pode evitar o feminicídio, para a maioria basta ter a medida protetiva que ele já se afasta, outros pagam para ver”, analisa o coronel. Para Renata Cruppi esse cruzamento de dados de localização são positivos. “Há um constante aprimoramento nos equipamentos de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra mulheres e meninas”, completa.
Em Santo André, apenas no ano passado foram 189 acionamentos do Botão do Pânico de aplicativo disponibilizado às mulheres vítimas de violência e mais outros 39 pedidos de socorro feitos por telefone. Somente em janeiro deste ano foram 27 acionamentos do aplicativo e mais dois via telefone. Em situações dessa natureza, um alarme soa na sala de comando da sede da GCM e a viatura imediatamente é informada sobre a localização dessa vítima. No ano passado só a Patrulha Maria da Penha prendeu 35 homens e só em janeiro deste ano foram mais cinco.
A GCM andreense amplia a equipe de atendimento. “Todas as viaturas da guarda municipal estão empenhadas no atendimento de vítimas de violência, porém nós temos a Patrulha Maria da Penha que é uma equipe especializada para esse atendimento no qual temos duas viaturas adesivadas para fácil identificação. A atuação da Patrulha acontece diuturnamente e é composta por três GCMs, sendo duas mulheres e um homem. A equipe ainda possui GCMs que trabalham na parte administrativa que cuidam de toda documentação das mulheres atendidas, chegando a 15 componentes. Temos também uma patrulheira pós-graduada em libras para que a gente possa melhor atender as mulheres surdas. Para agilizar ainda mais a atuação dos GCMs, neste ano serão destinadas duas novas viaturas exclusivas para o trabalho da Patrulha Maria da Penha, que virão por meio de recursos do Ministério da Justiça”, diz a administração municipal, em nota.
Mauá
Em Mauá, foram 17 acionamentos da Patrulha Maria da Penha no ano passado e neste ano, até o dia 28 de fevereiro foram mais dois chamados. O aplicativo disponibilizado está sendo aperfeiçoado para dar suporte também a aparelhos do tipo Iphone. No ano passado inteiro foram 33 homens presos pela patrulha e neste ano mais três. A Prefeitura afirma que todas as equipes da GCM estão prontas para atender a situações de violência contra a mulher, mas a especializada conta com 11 integrantes e o município quer ampliar esse contingente com mais dois guardas em cada plantão noturno, ampliando para 15 os guardas especializados neste tipo de atendimento.
Até nas cidades com menor população da região, como Rio Grande da Serra, o número de mulheres sob proteção é significativo. A prefeitura da cidade informa que em 2025 eram 96 mulheres sobre proteção e 76 solicitaram atendimento. No ano passado quatro agressores foram presos pela Guarda Civil. Desde 2025 a guarda local conta com uma viatura especificamente destinada ao atendimento da Lei Maria da Penha e que conta com dois guardas e mais um servidor municipal para suporte administrativo.
São Caetano
Em São Caetano, desde o início das atividades, 374 mulheres já foram acompanhadas pela Patrulha Maria da Penha na cidade. O número demonstra a evolução e consolidação do programa ao longo dos anos: 45 mulheres assistidas em 2023, 120 em 2024, 166 em 2025 e, em 2026, até o momento, 43 atendidas. Esse acompanhamento inclui visitas periódicas, fiscalização do cumprimento de medidas protetivas e orientação às vítimas.
As demais cidades da região não responderam até o fechamento desta matéria. A Secretaria de Segurança Pública também não divulgou números da Patrulha Maria da Penha da PM.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
