
Uma estudante de Direito da Faculdade Anhanguera, em São Bernardo, diz ter sido impedida de permanecer em sala de aula após chegar acompanhada do filho de 8 anos. O caso ocorreu na segunda-feira (02/03) e, segundo a aluna, gerou constrangimento e indignação.
De acordo com o relato da estudante, que prefere não se identificar, ela precisou levar a criança à faculdade naquele dia por não ter com quem deixá-la. Ao entrar na sala para assistir à aula, porém, foi interrompida pela professora diante dos colegas.
“Fui solicitada a sair da sala na frente de toda a turma e na frente do meu filho. Me senti humilhada e discriminada”, afirma.
A estudante relata que já havia levado o filho em outra ocasião e diz que desconhecia qualquer regra que proibisse a presença de crianças em sala de aula. Após o episódio, ela procurou a coordenação do curso, mas recebeu a mesma orientação: não poderia permanecer na aula acompanhada do filho.
Segundo a aluna, a coordenação sugeriu que a criança permanecesse nas dependências da instituição com outro responsável, mas não dentro da sala. “Me fizeram escolher entre meu filho e minha graduação. Isso foi muito doloroso”, declara.
A mãe afirma que a situação causou ainda mais indignação por ocorrer na semana do Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo (8). Para ela, o episódio levanta um debate sobre as dificuldades enfrentadas por mães que tentam conciliar os estudos com os cuidados com os filhos.
No dia seguinte ao ocorrido, a estudante afirma ter visto uma criança aparentemente da mesma idade circulando sozinha nas dependências da faculdade, o que a fez questionar a coerência da regra. “Se ao lado da mãe é proibido, como pode ser aceitável uma criança circular sozinha pelo campus?”, questiona.
O que diz a Anhanguera
Em nota, a Faculdade Anhanguera afirmou reconhecer a importância do papel das mães que buscam qualificação profissional, mas explicou que a restrição à presença de crianças em sala de aula ocorre por motivos de segurança e regulamentação.
Segundo a instituição, a medida segue princípios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece a proteção integral de crianças e adolescentes. “A não permissão de crianças na sala de aula não representa uma negativa deliberada, mas uma medida necessária para a segurança e as necessidades da criança”, informou a faculdade.
A instituição também destacou que o ambiente acadêmico exige concentração de professores e estudantes e pode envolver discussões de temas sensíveis, considerados inadequados para menores de idade.
Ainda de acordo com a Anhanguera, a faculdade mantém contato com a aluna para prestar esclarecimentos e oferecer suporte.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
