
Quem passa pelo Zoológico Municipal de São Bernardo pode acompanhar, em determinados dias, alguns itens diferentes deixados nos recintos dos animais: alimentos colocados em espetos, uma árvore de hortaliças com frutas penduradas, alimentos em formatos de bola, maça-do-amor ou espiga de milho.
A prática pode parecer apenas uma atividade lúdica, mas, na realidade, cada detalhe foi cuidadosamente planejado por uma equipe multidisciplinar do Zoo (que conta com biólogos, tratadores, veterinários e estagiários) para promover o bem-estar dos animais por meio de uma prática chamada enriquecimento ambiental.
A prática consiste em transformar os recintos em espaços de exploração e desafios, despertando a curiosidade e incentivando comportamentos que os animais desenvolveriam naturalmente em seu habitat.
“O enriquecimento ambiental é uma prática essencial de manejo que simula os desafios da natureza em cativeiro. Essas técnicas evitam o estresse, melhoram a saúde mental e estimulam comportamentos naturais dos animais como a busca por comida, estímulos olfativos, atividades físicas e socialização”, explicou o biólogo do Zoo, Matheus Falcão.
Na prática desta semana, o recinto das antas recebeu galhos em formato de árvore com verduras, frutas e legumes amarrados para que elas pudessem, estimulando o faro, reproduzir a busca pelo alimento e o esforço necessário para obtê-lo. A atividade reproduz situações encontradas na natureza e torna o momento da alimentação mais dinâmico e desafiador.
Já para os macacos, foram realizadas ações de enriquecimento físico e cognitivo, com espetos de frutas espalhados, auxiliando na exploração dos ambientes e a resolução de desafios. Os estímulos sensoriais também fizeram parte da programação no recinto dos quatis, com alimentos reproduzindo uma espiga de milho e maçã-do-amor (feitos com beterraba).
Embora pareçam simples aos olhos dos visitantes, todas as atividades seguem critérios técnicos e são planejadas individualmente para cada espécie. “Cada objeto desperta diferentes habilidades, respeitando as características e necessidades dos animais”, acrescentou Matheus.
Prática do Bem-Estar
O enriquecimento ambiental é uma ferramenta essencial para os animais sob cuidados humanos. Além de reduzir o estresse e prevenir comportamentos repetitivos, as atividades incentivam habilidades naturais, promovem maior qualidade de vida e reforçam o papel do Zoológico de São Bernardo como referência em conservação da fauna, pesquisa, educação ambiental e bem-estar animal.
Mais do que um espaço de visitação, o Zoológico de São Bernardo é uma unidade de conservação que desenvolve um trabalho permanente de proteção à fauna silvestre. “Ao compartilhar ações como o enriquecimento ambiental, o Zoo se aproxima da população, mostrando também todo o trabalho que fazemos nos bastidores da unidade, evidenciando o cuidado técnico e científico dedicado diariamente a cada animal acolhido pela instituição”, complementou o veterinário responsável pelo atendimento dos animais no Zoológico, Marcelo Gomes.
Diversão e aprendizagem
Quem acompanhou de perto a atividade próximo ao recinto das antas foi a família da pequena Manuela Bittencourt, de 7 anos. A garota foi visitar o Zoo ao lado de vários dos seus animais de pelúcia. “Ela é apaixonada por animais, já viemos aqui mais de dez vezes e essa é a primeira vez que vemos eles se alimentando, nesse formato, é um presente poder vê-los assim de perto”, disse a mãe, Aparecida Bittencourt.
Dona Aparecida, aliás, fez questão de parabenizar a equipe do Zoo que acompanhava a prática. “Eles fazem um trabalho incrível aqui. Vemos que eles cuidam com muito carinho de cada animal. Eles contaram um pouco sobre o que eles estavam fazendo e fiquei feliz em saber que eles pensam nesse lado do bem-estar e do lado psicológico. Todos nós precisamos”, ressaltou.
Preservação da fauna
O Zoológico Municipal, que fica dentro das dependências do Parque Estoril, atua como centro de triagem, tratamento e reabilitação de animais silvestres resgatados em São Bernardo e em cidades do Grande ABC, além de atender também ocorrências oriundas de São Paulo. Entre janeiro e maio deste ano, espaço localizado no Parque Estoril recebeu 244 animais para tratamento, um aumento de 110% em relação ao mesmo período relacionado a 2025
O atendimento inclui avaliação clínica, exames como raio-X e análise de sangue, além de acompanhamento contínuo até a recuperação. A unidade também mantém sob seus cuidados animais que, por conta de lesões permanentes, não podem retornar à natureza, garantindo bem-estar e manejo adequado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
