
Uma boa notícia para os mutuários do Condomínio João Ducin que é construído pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano) em Santo André; os novos moradores já começaram a visitar seus novos apartamentos e a entrega das chaves deve ocorrer entre abril e junho. A alegria de quem vê o sonho da casa própria mais próximo, contrasta com a tristeza de quem espera há muito tempo pelo seu imóvel e vê obras paradas há um ano, como os mutuários do Residencial Clara, na mesma cidade, obra que ainda não foi reiniciada, desde que a antiga construtora entrou em recuperação judicial no início do ano passado. As 480 unidades, que já deveriam ter sido entregues há um ano e meio, não têm qualquer previsão para ficarem prontas.
O auxiliar de TI, André Morais, não vê a hora de se mudar com a esposa e o filho pequeno para o novo apartamento no condomínio João Ducin. Na última semana o casal foi chamado pela CDHU para fazer a vistoria no apartamento que fica no bloco A. A alegria da família se mistura com a ansiedade de mudar para a casa própria e sair do aluguel, além da qualidade de vida de morar em um condomínio novo e planejado. Na vistoria o casal fez questão de documentar em vídeo os detalhes na nova moradia. André destacou ter gostado muito da qualidade do acabamento.
“A gente recebeu o e-mail da construtora solicitando essa marcação, foi no começo de fevereiro, marcamos e fomos vistoriar. Ainda faltam algumas coisas lá, mas o bloco A já está completo. Chegando lá, eu e minha esposa, ficamos maravilhados com a obra bem feita e acabamento bom. Vi que no bloco B ainda tem algumas coisas para fazer e o que me faz pensar que ainda tem um pouco mais para fazer nas outras duas torres. Pelo que foi dito, até o fim do mês todos os apartamentos vão ser vistoriados”, contou.
As chaves, segundo André, foram prometidas para meados de abril, já a CDHU disse apenas que serão entregues neste primeiro semestre. Independente do dia, a família já vive a ansiedade, móveis novos foram providenciados e detalhes de decoração da casa nova também. “Já temos algumas coisas encaminhadas, mas para evitar dor de cabeça vou comprar os móveis maiores um pouco mais tarde, mas já sei o que vou comprar”, disse Morais.
O casal já percorre lojas de itens de acabamento como home centers para o novo apartamento. “É muito bom olhar, pesquisar e escolher os materiais para o nosso novo apartamento. Estou adorando esse stress de correr atrás dos móveis novos”, completa.
De acordo com a CDHU o empreendimento João Dulcin está com 96% das obras concluídas, sendo a entrega das chaves prevista ainda para o primeiro semestre de 2026. “Na semana passada, foram iniciadas as vistorias das unidades habitacionais pelos futuros moradores das Torres A e B, não tendo ocorrido, até o presente momento, a entrega de chaves aos beneficiários, que ocorrerá após a conclusão das obras e regularização do empreendimento perante os órgãos públicos competentes e concessionárias de serviços públicos”, informa a companhia em nota.
O condomínio contará com 460 unidades habitacionais, todos com 55 m² de área. Os apartamentos de dois dormitórios terão sacada e serão entregues com piso cerâmico em todos os ambientes, revestimento cerâmico até o teto em todas as paredes das áreas frias. Além disso, serão entregues com louças sanitárias instaladas, bem como pia de cozinha e tanque para lavar roupas. A CDHU informa também que todas as unidades habitacionais contarão com individualização de medição de água, energia e gás. O empreendimento contará com salões de festas, quadra gramada, playground, horta comunitária, áreas de convivência e praças de jogos.
Tristeza
Enquanto os moradores do João Ducin estão comemorando e já contando os dias para mudarem-se para seus novos apartamentos, sobre o Residencial Clara ainda paira uma nuvem de incertezas e os inscritos para os novos apartamentos sofrem com a demora e são penalizados com o pagamento de aluguel quando já deveriam estar no novo apartamento faz tempo.

O Clara está com obras paradas desde o início do ano passado, quando a construtora Múltipla entrou em processo de recuperação judicial e deixou a obra. Desde então a CDHU vem justificando a demora na contratação de outra construtora nos processos burocráticos, mas, após um ano, a nova construtora ainda não foi definida e a obra continua parada com 85% de conclusão.
Uma das que esperam com muita ansiedade a entrega do apartamento, diz que não aguenta mais a espera e diz que, por vezes, chega a desanimar sobre um dia ter as chaves na mão. Ela pediu para não ser identificada. “De verdade… perdi a esperança”, diz a mulher que pretendia se mudar com o filho para o imóvel próprio e se livrar do aluguel. Ela conta que chegou a ouvir comentários de outros mutuários inscritos para aquele condomínio de que a construtora nova já teria sido definida, mas a CDHU não confirma. A inscrita no Residencial Clara disse que pretende procurar a justiça para que a CDHU arque com os meses de aluguel pelo atraso na obra. Apesar do desânimo, ela não quer desistir do sonho.
Sobre o Clara a companhia habitacional do Estado vem repetindo praticamente o mesmo posicionamento desde que as obras foram suspensas. Diferente do que disse o presidente da companhia, Reinaldo Iapequino, em visita ao ABC em maio do ano passado para a entrega de empreendimento em São Bernardo. Na ocasião ele garantiu que o procedimento de substituição da construtora seria rápido, mas um ano depois não houve avanço. “O empreendimento, com 85% das obras executadas, teve sua implantação paralisada após o pedido de recuperação judicial da incorporadora/construtora responsável. A seguradora contratada, em parceria com a CDHU, está conduzindo os trâmites finais de regulação do sinistro, etapa necessária para a definição e contratação da empresa que assumirá a retomada e conclusão das obras. A Companhia já detém a posse do empreendimento e mantém a guarda e vigilância do local até a substituta assumir as obras”, diz o posicionamento da companhia.
O Residencial Clara possui 480 unidades habitacionais, também com áreas de 55 m², e todos com sacada. Os apartamentos serão entregues com piso cerâmico em todos os ambientes, revestimento cerâmico até o teto em todas as paredes das áreas frias. Além disso, serão entregues com louças sanitárias instaladas, bem como pia de cozinha e tanque para lavar roupas. As unidades habitacionais também contarão com individualização de medição de água, energia e gás.
Financiamento
Segundo a CDHU os inscritos só vão começar a pagar seus apartamentos após o recebimento de chaves, o que ajuda aqueles estão morando de aluguel. “Os imóveis são financiados de acordo com os critérios da CDHU e das diretrizes da Política Habitacional do Estado, que preveem juro zero e comprometimento de 20% da renda, com o pagamento das parcelas mensais do financiamento em até 30 anos. Além disso, as famílias também são isentas de encargos durante a fase de obras e o pagamento da primeira prestação vai ocorrer somente 30 dias após a entrega das chaves do imóvel pronto para morar”, conclui a companhia, em nota.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
