
Em 2022, a população idosa com 60 anos ou mais no Brasil chegou a 32.113.490 pessoas, o equivalente a 15,6% dos habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número reforça o avanço do envelhecimento populacional no País, tendência que deve se intensificar nos próximos anos. Com isso, o RD buscou a oferta de cursos gratuitos de qualificação no ABC e de que forma essas iniciativas ampliam as oportunidades para esse público que se mantém na ativa a exemplo de outros países.
Assim, para se candidatar a um dos cursos, o interessado deve entrar em contato diretamente com o local onde a formação é ofertada para obter mais informações sobre requisitos, documentação e período de inscrições, já que as vagas são abertas conforme cronograma de cada município.
Inclusão digital
Em Diadema, a população da terceira idade tem acesso aos cursos Escola Digital e Informática. A formação desenvolve autonomia no uso do celular, segurança digital, comunicação online, uso consciente de aplicativos e redes sociais, além de fortalecer a independência e a autoestima. Já o curso de Informática amplia o aprendizado com uso do computador, editores de texto, organização de arquivos, internet e e-mails.
Qualificações
Em Santo André, a Escola de Ouro Andreense, localizada na Praça Maria Mariano, no Sítio dos Vianas, ofereceu em 202r dois cursos voltados especificamente à terceira idade: “aprenda a costurar em tecido plano e malha” e “aprenda a fabricar e vender panetones e doces natalinos”. As formações priorizaram a autonomia financeira. Foram atendidas 237 pessoas com 60 anos ou mais e a previsão para 2026 é superar os números do ano passado.
A oferta é diversificada em São Caetano. Nos Cises (Centros Integrados de Saúde e Educação para a 3ª Idade), são realizadas atividades como crochê, mosaico, pintura em tecido, bordado, culinária saudável e artesanato sustentável. Além da formação, os participantes têm a oportunidade de comercializar os próprios produtos mensalmente no local. As capacitações profissionalizantes ocorrem em parceria com a Fundação das Artes e o Fundo Social da Prefeitura.
Já em Rio Grande da Serra, o grupo Flor da Idade, vinculado ao Fundo Social (rua do Progresso, 700 – Centro), reúne aproximadamente 90 participantes. Entre as atividades oferecidas estão oficinas de gastronomia, com preparo de pães, bolos, doces e salgados, ampliando possibilidades de geração de renda e convivência social.
Em Mauá, o programa Qualifica Mauá (rua Rio Branco, 85 – vila Augusto) disponibiliza capacitações em informática básica, artesanato, bordado e costura para iniciantes.
Negar emprego por conta da idade é crime
A presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Santo André, Antonieta Rosa Nogueira, destaca que o principal obstáculo ainda é o reconhecimento das capacidades desse público. “Lamentavelmente, muitas contratações têm caráter explorativo, com o objetivo principal de fugir dos encargos sociais. Na maioria dos casos, as condições físicas, intelectuais e emocionais dos idosos não são respeitadas, o que contraria o artigo 26 do Estatuto do Idoso”, afirma.
O Estatuto da Pessoa Idosa garante proteção contra qualquer forma de discriminação por idade, inclusive no acesso a empregos. “O artigo 100 diz que impedir alguém de acessar qualquer cargo público por motivo de idade e negar trabalho a alguém por idade configura conduta criminosa, punível com reclusão”, explica.
A presidente da comissão também ressalta que o Estatuto prevê incentivos à inserção profissional da pessoa idosa. “O Estatuto estabelece programas do Estado para qualificar o trabalho do idoso, preparar para a aposentadoria com antecedência e estimular empresas a contratá-los, com possibilidade de incentivos fiscais”, explica.
Para Antonieta, a qualificação profissional também é ferramenta essencial na redução de vulnerabilidades sociais. “Os programas de aperfeiçoamento técnico são fundamentais para capacitar o idoso e ampliar suas oportunidades”, afirma.
Pertencimento
Ao RD, Leila Aparecida Perez Sanchez, docente do curso de Gestão de Recursos Humanos da USCS (Universidade de São Caetano do Sul), afirma que a permanência de pessoas com mais de 60 anos no mercado de trabalho não deve ser vista apenas como uma necessidade econômica. “Trata-se de uma questão de identidade, propósito e pertencimento social. O trabalho é um espaço de reconhecimento, interação e contribuição coletiva, elementos fundamentais para o bem-estar psicológico e para o envelhecimento ativo”, explica.
A docente destaca que a maioria da população acima de 60 anos atualmente possui escolaridade e profissionalização maiores do que em outras gerações. “Assim como os jovens precisam de certa especialização para concorrer a determinadas vagas, a população acima de 60 anos deve se preocupar com atualizações, tanto em tecnologias disponíveis para o trabalho quanto em temas específicos relacionados ao segmento em que deseja atuar”, afirma.
Embora algumas organizações resistam à contratação por questões de custo ou percepções culturais sobre o envelhecimento, empresas que adotam equipes multigeracionais percebem benefícios significativos. “Profissionais experientes contribuem para a transferência de conhecimento, estabilidade das equipes, melhoria nas relações interpessoais e tomada de decisões equilibradas. A convivência entre diferentes gerações amplia perspectivas e favorece soluções criativas e sustentáveis”, ensina Leila.
Segundo a docente, os setores que mais absorvem profissionais acima dos 60 anos são aqueles que valorizam experiência e relacionamento interpessoal. “Áreas de atendimento e hospitalidade têm ampliado contratações de trabalhadores mais velhos devido à confiabilidade e habilidades sociais desenvolvidas ao longo da vida profissional”, revela.
“O envelhecimento populacional brasileiro indica que a presença desses profissionais deixará de ser exceção e se tornará tendência estrutural. O desafio agora não é apenas ampliar vagas, mas construir ambientes de trabalho realmente inclusivos, capazes de aproveitar o potencial produtivo e social da longevidade”, alerta Leila.
Como se candidatar
Moradores do ABC com mais de 60 anos podem se candidatar a vagas de trabalho presencialmente nos postos municipais de atendimento ao trabalhador ou pelos canais digitais disponibilizados por cada cidade.
Santo André – Centro Público de Emprego, Trabalho e Renda (CPETR)
Atendimento presencial no térreo 1 da Prefeitura (Praça IV Centenário, s/nº – Centro).
As oportunidades podem ser visualizadas em: https://portais.santoandre.sp.gov.br/.
Para quem deseja empreender, o atendimento ocorre na Sala do Empreendedor Andreense.
Mauá – Casa do Trabalhador
Rua Jundiaí, 63 – Matriz
Diadema – Emprega Diadema
Cadastro online pelo site: https://emprega.diadema.sp.gov.br/vagas/
São Caetano – Portal do Emprego e Atende Fácil
Rua Maj. Carlos Del Prete, 651 – box 29 – Centro
Cadastro digital de currículos em: https://portaldoempregosaocaetanodosul.tweezer.jobs/
Rio Grande da Serra – Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT)
Rua Prefeito Carlos José Carlson, 280 – Centro
Ribeirão Pires – Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT)
Rua Capitão José Gallo, 55 – Centro
São Bernardo – Centro de Trabalho e Renda
Rua Padre Lustosa, 48 – Centro
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
