
Com a temporada do Carnaval, o consumo de álcool aumenta, mas não existe um consumo de bebidas alcoólicas considerado seguro e a ingestão de álcool durante o uso de medicamentos psiquiátricos pode ser nociva à saúde. Por isso, o médico emergencista do Pronto-Socorro do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, Igor Padoim, e o psiquiatra da mesma instituição, Michel Haddad, explicam os impactos da combinação.
Não existe nenhuma dose de álcool segura para quem toma remédios psiquiátricos e a quantidade de bebida também pode causar danos graves como sensibilidade, peso, alimentação, sono e uso de outras substâncias.
Além disso, pode causar lesões no fígado por sobrecarregar o órgão, que não está acostumado a metabolizar tal substância em determinada quantidade. Mas algumas medicações psiquiátricas podem apresentar um risco maior e nunca devem ser consumidas com a bebida.
Os remédios da classe Z, como o hemitartarato de zolpidem, ou os benzodiazepínicos, como Diazepam, Clonazepam e Alprazolam são os medicamentos com maior risco.
Segundo o psiquiatra do HSPE, Michel Haddad, no Carnaval, o consumo de bebida alcoólica, sono desregrado e impulsividade oferecem riscos à saúde. “Quando isso acontece em pessoas que usam medicações psiquiátricas, cresce a chance de efeitos colaterais, quedas ou acidentes, descontrole de humor ou ansiedade e perda de percepção de risco”, comenta o especialista.
De acordo com o médico, o álcool pode agir de duas formas. Pode reduzir a eficácia do tratamento, principalmente em casos de transtornos de humor e ansiedade, pois desorganiza o sono, aumenta inflamação, estresse fisiológico e piora os sintomas da questão psiquiátrica.
Em outros casos, a bebida alcoólica não reduz o efeito do remédio, mas se soma a eles, aumentando a sonolência e risco de confusão mental ou acidentes.
Os riscos oferecidos pelo consumo de álcool podem ser imediatos, com intoxicação, sedação excessiva, desorganização do sono, decisões arriscadas, crises de pânico e piora do humor. A longo prazo, pode piorar os sintomas, precisar de ajuste de doses do remédio controlado e aumento do uso problemático do álcool.
Efeitos do álcool com diferentes medicamentos
Diferentes medicamentos ou doses combinadas com o álcool apresentam graus variados de riscos. Segundo Haddad, os grupos de remédios mais preocupantes são:
Sedativos/hipnóticos e ansiolíticos: podem causar sonolência, apagões, quedas, acidentes, piora do julgamento;
Antidepressivos e antipsicóticos: podem aumentar a sonolência, tontura, queda de pressão, além de piorar coordenação motora e atenção;
Estabilizadores do humor: efeitos no sistema nervoso e, dependendo do caso, elevam risco de desidratação e toxicidade caso a pessoa estiver com pouca ingestão de água, vomitando ou sem dormir;
Psicoestimulantes: podem “mascarar” a sensação de embriaguez e levar a um maior consumo de bebida alcóolicas, além de elevar risco de taquicardia, ansiedade, descontrole.
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