
Pelo menos 5,3 mil cirurgias de catarata foram realizadas no ano passado pelas prefeituras, mesmo assim, em algumas cidades ainda há fila de espera. O número exato dessa fila não se sabe, pois a maior parte dos municípios não informou quantos aguardam o procedimento, nem há quanto tempo esperam pela cirurgia. O fato é que a demora piora a qualidade de vida dos pacientes, que ficam com a acuidade visual comprometida até serem operados.
Para Oswaldo Ferreira Moura Brasil, presidente da SBO (Sociedade Brasileira de Oftalmologia), os pacientes com catarata têm aparecido em número maior porque a doença está diretamente ligada ao acesso à saúde e ao envelhecimento da população.
“A catarata é uma condição extremamente frequente e em algum momento da vida todo mundo desenvolve, basta que a gente viva o suficiente, é como ter cabelo branco. A nossa lente natural que temos dentro do olho, o cristalino, vai ficando branca com a idade em determinado momento isso leva a uma baixa visão. Com mais qualidade de vida e as pessoas vivendo mais a catarata aumenta de incidência. É uma condição que vai ter uma demanda grande para o tratamento”, aponta.
O médico diz que a fila, que pode levar à demora para a cirurgia, não interfere no resultado final após o procedimento, o que ocorre é que, quanto mais demora, pior fica a visão de quem aguarda. “Na imensa maioria dos casos a cirurgia de catarata é feita de forma eletiva, não é de urgência. A partir do diagnóstico é possível fazer os exames pré-operatórios com tranquilidade e programar a cirurgia. O pior que pode acontecer, numa espera mais longa, é um tempo maior que a pessoa passa sem enxergar da melhor forma possível, mas não há perda visual no atraso da cirurgia exceto em raras situações associadas a inflamação e trauma. Na catarata relacionada a idade, que representa quase a totalidade dos casos estatisticamente, os resultados serão satisfatórios mesmo que se demore alguns meses pra operar”, tranquiliza Moura Brasil.

Parceria
Em Diadema a Prefeitura firmou em setembro do ano passado uma parceria coma FMABC (Faculdade de Medicina ABC) para a realização de cirurgias de catarata com o objetivo de zerar uma fila de 1,7 mil pessoas que aguardavam o procedimento na ocasião. Quase cinco meses depois nenhum paciente ainda foi operado por meio da parceria.
Ao ser indagada sobre o número de pacientes que já operaram, Diadema informa que nem metade dos que estavam na fila iniciou os procedimentos para fazer a cirurgia. Além disso, 757 pacientes, ou 44,5% dos que estavam na fila, foram agendados em consulta para avaliação cirúrgica na FMABC.
Diadema também tem estrutura própria para realizar a cirurgia da catarata. O Quarteirão da Saúde realizou só no ano passado 415 procedimentos. Outra opção seria encaminhar pacientes via Siresp (Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo) para a rede estadual, mas o município não informou quantos casos foram encaminhados desta forma. Atualmente, segundo o Paço, há 784 que aguardam avaliação para consulta com especialista, sem previsão do prazo médio de espera pelo procedimento.
Recorde
A cidade recordista no ABC em cirurgias de catarata é Santo André, onde só no ano passado foram feitos 2,7 mil procedimentos. Em 2024, foram 3,1 mil. O fluxo de atendimento começa pela UBS (Unidade Básica de Saúde), onde o paciente é encaminhado para o Poupatempo da Saúde para a primeira avaliação oftalmológica. Depois um especialista analisa o caso, pede os exames pré-operatórios com a expectativa é de que o procedimento ocorra em 45 dias, o que indica que não há fila de espera.
São Bernardo também fez um número importante de cirurgias de catarata no ano passado. Segundo o Paço, foram 1.457 operações. As cirurgias ocorrem na Clínica Municipal da Visão, após encaminhamento da UBS. “No dia da cirurgia, o paciente recebe as orientações necessárias e já sai com três retornos agendados para avaliação pós operatório, em intervalos de um, sete e 14 dias após a cirurgia”, sustenta o município que não informou o tempo médio de espera, nem quantos aguardam na fila.
Em 2025 o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de Mauá realizou 773 cirurgias de catarata, no ano anterior foram 1.141. Mesmo com o importante número de procedimentos, o município ainda tem 661 pacientes na fila à espera do procedimento.
Rio Grande da Serra não realiza cirurgias de catarata na rede e todos os pacientes são encaminhados para especialistas do Estado. O município não sabe, dentre os pacientes encaminhados, quantos foram operados. “Os pacientes são encaminhados pelo sistema de regulação para especialistas de referência, que a avaliam e encaminham o paciente para cirurgia se for o caso. Não temos acesso a esses números, nem se foram ou não realizadas as cirurgias”, diz a nota do município.
Outra cidade que não opera catarata e encaminha todos os pacientes para a regulação do Estado é Ribeirão Pires, onde a demanda não é grande e, segundo a Prefeitura, apenas duas pessoas aguardam na fila para operar. No ano passado 166 pacientes foram encaminhados.
São Caetano não respondeu.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
