ABC - segunda-feira , 6 de julho de 2026

Merendeiras protestam em Mauá e anunciam greve por atraso de pagamentos

Merendeiras de Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Mauá realizaram protesto em frente a Diretoria de Ensino de Mauá e depois foi protocolado o comunicado de greve. (Foto: Reprodução Viva ABC)

Merendeiras que atuam em escolas estaduais de Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Mauá fizeram um protesto na manhã desta terça-feira (20/01) em frente a Diretoria de Ensino de Mauá, por causa da falta de pagamentos. As trabalhadoras, contratadas pela CML Alimentação, empresa que presta serviços ao Governo do Estado, dizem que estão com salário, pagamento de férias e depósito no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) em atraso.

No protesto as funcionárias relataram diversos problemas com os pagamentos. Relataram que estão de férias e ainda não receberam o valor delas, que deve ser feito no momento em que as férias iniciam.

Em nota, a Seduc (Secretaria de Educação do Estado), diz que já sabe do caso e que a CML já foi notificada para regularizar a situação. A pasta não diz a quanto tempo a empresa tem contrato com o Estado nem se já houve problemas em outras regiões. A pasta estadual garante que não há atrasos no repasse para a empresa.

“A Unidade Regional de Ensino de Mauá informa que todos os repasses financeiros foram realizados de forma rigorosa. A empresa terceirizada foi notificada pelo descumprimento de cláusulas contratuais. Caso a situação persista, poderá ser instaurado processo administrativo, que pode resultar na rescisão unilateral do contrato. A URE Mauá permanece à disposição da comunidade escolar para mais informações”, diz nota na Seduc.

Uma funcionária que pediu para não ser identificada contou que essa é uma situação antiga na CML. Ela diz que tem quase dois anos de empresa e os atrasos sempre aconteceram. “Sempre foi assim e só piora. Esse não é o primeiro protesto, teve outro em dezembro, fomos todas para a frente da diretoria de ensino por causa do atraso de salários”, conta. Essa funcionária diz que cansou de atrasos e de humilhações na empresa e anunciou que vai resolver o caso na justiça do trabalho.

Em setembro de 2025 a prefeitura do Guarujá encerrou o contrato com a CML por causa dos mesmos problemas de atraso. Na época, em troca de gestão municipal, a prefeitura disse que estava com notas fiscais em aberto, situação diferente do contrato com o Estado no ABC, onde os pagamentos estão em dia, segundo a Seduc. Em Santos funcionários fizeram greve em janeiro do ano passado por problemas com pagamentos e plano de saúde.

Outra merendeira que falou com o RD na condição de não ter seu nome revelado, conta que já foram feitos vários acordos com a mediação do Sindicato das Merendeiras do ABC que não foram cumpridos. “Com o apoio do sindicato. Se comprometeram de pagar dia 9/01, depois foi para dia 13/01, depois 16/01 e depois ficou sem previsão. Depois que o sindicato cobrou fizeram um depósito de R$ 600 sem a nossa concordância desse 1/3 de férias e não querem pagar o restante”, aponta.

Farrapos

A funcionária reclamou das condições difíceis de trabalho, ela conta que em cada escola são duas merendeiras e quando uma falta a outra fica sozinha, pois a empresa não envia outra para substituir. “E são escolas grandes com 600 refeições”, diz. Os uniformes de trabalho estão em farrapos e não são substituídos também. “Nossos uniformes estão desmanchando, eu mesma tive que comprar uma camiseta porque a deles não dava mais para usar, agora nem material de limpeza estão comprando mais”.

Após o ato em frente a Delegacia de Ensino de Mauá, o Sindicato fez o comunicado de greve à empresa. De acordo com o documento os trabalhadores poderão entrar em greve em 72 horas após a reunião marcada para esta terça-feira (21/01) em Ribeirão Pires, se não houver o compromisso da empresa em sanar as irregularidades apontadas.

“Conforme deliberação em assembleia da categoria, os trabalhadores manifestaram profundo descontentamento diante das graves e reiteradas irregularidades trabalhistas e das precárias condições de trabalho impostas pela empresa”, sustenta o diretor sindical Genivaldo Barbosa da Silva. O comunicado de greve em cópia endereçada à Seduc, contratante dos serviços e recomenda o rompimento do contrato. “Inadmissível a continuidade da prestação de serviços diante do reiterado descumprimento das obrigações legais e contratuais por parte da empresa”, diz o documento ao qual o RD teve acesso.

A CML Alimentação foi procurada através do e-mail institucional para se posicionar sobre o assunto, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta. O espaço segue aberto.

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