
Olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, ardência, fotofobia, visão embaçada e secreção que gruda as pálpebras inchadas são sintomas da conjuntivite, a doença ocular externa mais frequente no verão. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, em Campinas, a conjuntivite ocorre durante todo o ano.
Prova disso são os dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que registraram aumento de 50% de casos na capital e de 35% no Estado. Minas Gerais e Rio Grande do Sul também enfrentaram surtos em 2025.
A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente e sem vasos sanguíneos que reveste o globo ocular e a parte interna das pálpebras, responsáveis pela proteção dos olhos. Quando ocorre inflamação, as pálpebras incham e os vasos da esclera (parte branca dos olhos) se dilatam, o que deixa os olhos vermelhos.
Quando o tratamento sofre atraso, a infecção pode atingir a córnea. Nesses casos, surge a ceratoconjuntivite. A ceratite, inflamação da córnea, é a quinta causa mais frequente de perda de visão no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Portanto, a conjuntivite não é uma condição simples e pode ter consequências graves quando alcança a córnea.
Gatilhos, tipos e causas
Queiroz Neto afirma que todos os tipos de conjuntivite podem ocorrer ao longo do ano, mas surtos virais e bacterianos se tornam mais comuns no verão. Aglomerações em praias e piscinas facilitam a transmissão de micro-organismos. Além disso, a irritação causada pelo sol, pela água do mar e pelo ressecamento da lágrima devido ao excesso de ar-condicionado aumenta a predisposição a infecções.
A conjuntivite viral é a mais frequente e se diferencia da bacteriana pela secreção viscosa e transparente. O principal agente é o adenovírus, o mesmo do resfriado, embora outras cepas também possam causar infecção, como o vírus do sarampo, coronavírus e herpes.
A conjuntivite bacteriana se caracteriza por secreção amarelada e pode surgir a partir de diferentes bactérias, principalmente Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus spp., além de clamídia em alguns casos. Já a conjuntivite alérgica resulta de hipersensibilidade à poeira, pelos de animais, pólens ou pode estar associada a doenças alérgicas como rinite e asma.
Segundo o especialista, a conjuntivite tóxica é mais frequente entre mulheres devido à exposição da mucosa ocular a cosméticos e maquiagem. Um estudo conduzido pelo médico mostra ainda que o uso inadequado do filtro solar no verão representa importante causa desse tipo de conjuntivite, já que o excesso de produto e a transpiração favorecem a penetração nos olhos.
Tratamento
“O tratamento da conjuntivite depende da causa, por isso o diagnóstico é fundamental. Um colírio errado pode agravar o quadro, então evite a automedicação”, afirma o médico, e reforça que o tratamento pode incluir colírios lubrificantes e limpeza frequente das secreções pelo menos três vezes ao dia, com gaze embebida em água filtrada ou soro fisiológico.
Casos virais, muitas vezes considerados leves, podem exigir corticoides e, quando há contaminação pelo vírus do herpes, antiviral. Na conjuntivite bacteriana, o tratamento requer antibiótico. Quando a causa é alérgica, o ideal é evitar contato com o agente desencadeante, além do uso de anti-histamínicos ou corticoides tópicos. Na conjuntivite tóxica, recomenda-se lavar abundantemente os olhos com água filtrada e, se o desconforto persistir, procurar um oftalmologista.
Prevenção
Os principais cuidados para prevenir a conjuntivite, segundo Queiroz Neto, são:
- Lave as mãos com frequência;
- Evite tocar os olhos;
- Evite abraços, apertos de mão e beijos durante surtos;
- Separe fronhas e toalhas;
- Não compartilhe maquiagem;
- Utilize apenas cosméticos dentro do prazo de validade;
- Evite exposição a agentes irritantes;
- Proteja os olhos do sol com chapéu e óculos escuros;
- Evite aplicar camadas espessas de filtro solar na região dos olhos;
- Higienize objetos de uso compartilhado com álcool gel.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
