
O Esporte Clube Santo André publicou, em seu canal oficial na antevéspera do Natal, comunicado que surpreendeu e trouxe tristeza à sua torcida; anunciou que entrou com um pedido de recuperação judicial, medida que visa suspender os pagamentos aos credores com a expectativa de recuperar as finanças do clube. O episódio é um triste marco na história de 58 anos do time que já ocupou a elite do futebol com a conquista da Copa do Brasil em 2004, quando venceu o Flamengo, por 2 a 0, no Maracanã.
O clube não menciona o montante da dívida, mas as dificuldades financeiras do Ramalhão não são novas, o balanço de 2024, datado de março deste ano, já apontava os problemas de caixa. “O Clube apresenta capital de giro negativo no montante de R$ 5.999 mil (R$ 10.440 em 2023), o patrimônio líquido negativo de R$ 4.078 mil (R$ 4.062 mil em 2023), evidenciando a necessidade de aporte de recursos financeiros. A Administração está envidando esforços com o objetivo de minimizar os impactos em seu fluxo de caixa”, diz o relatório de auditoria.
No comunicado deste dia 23/12, a diretoria do Ramalhão diz que o pedido de recuperação judicial é uma proteção para garantir que o clube não pare. “Essa medida é um passo fundamental para garantir a preservação da nossa instituição, a sustentabilidade financeira e o futuro de nossa história. Diferente de uma medida de encerramento, a Recuperação Judicial é uma ferramenta de proteção. Ela nos permite reorganizar o passivo de forma planejada, garantindo que o clube mantenha suas atividades em pleno funcionamento”.
No documento a diretoria diz também que as equipes, profissional e de base, se manterão operando, bem como a parte social. A direção do Santo André também diz que será transparente nas informações. “Estamos otimizando custos e renegociando dívidas para que o Esporte Clube Santo André retome o caminho do crescimento com a responsabilidade que sua grandeza exige. Acreditamos na força da nossa camisa, na competência da nossa equipe e, principalmente, no apoio da nossa comunidade para superarmos este momento crucial”, conclui o documento.
Futebol
No futebol o Ramalhão está fora do Brasileiro e, no Estado, está na série A-2, onde também está o Água Santa, de Diadema. O São Bernardo Futebol Clube, o Tigre, é o único do ABC na A-1. O Esporte Clube São Bernardo, o Cachorrão, está na A-3 e o São Caetano Futebol Clube, o Azulão, está na A-4. O Mauá e o Grêmio Mauaense disputam a segunda divisão.
No ranking nacional da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que tem 238 clubes, o Santo André ocupa a 98ª posição com 739 pontos este ano. Dentre os clubes do ABC, o Ramalhão é o segundo melhor colocado, perdendo só para o Tigre, que está na 60ª posição no ranking da CBF, com 1.776 pontos, mas o clube andreense está à frente do Água Santa (116° lugar com 505 pontos) e o São Caetano (224ª posição – 51 pontos).
Na mesma data do anúncio de pedido de recuperação judicial, o Ramalhão anunciou, como reforço para 2026, a contratação do meio-campista Elvis, que já passou por Ferroviária, Inter de Limeira, Portuguesa e Noroeste. Antes do recesso de Natal, o time principal do Santo André, passou por preparação física e até jogo treino com o time sub-20, demonstrando que não houve redução das atividades no futebol. O Ramalhão estreia no Paulista A-2 contra o Juventus no dia 11 de janeiro, na casa do adversário.
Dificuldades
As dificuldades dos times com a gestão tradicional não é rara e nem nova. Há exemplos de clubes que mudaram o tipo de gestão para SAF (Sociedade Anônima de Futebol) e melhoraram a condição, como o Tigre, que subiu este ano para a série B. São Paulo é o estado que tem mais clubes que adotaram a SAF como gestão, ao todo são 29, incluindo o Tigre. Porém nem todos que passaram por essa virada de gestão subiram nas competições.
O São Caetano passou por crise e o clube chegou a ir a leilão com lance inicial de R$ 90 milhões, depois passou por problemas no controle administrativo e também pediu recuperação judicial em 2024. Depois de vendido mudou o nome de Associação Desportiva São Caetano para São Caetano Futebol Clube. O time, que já ganhou relevância com o vice-campeonato Brasileiro de 2000 e 2001; também vice da Libertadores em 2001 e campeão paulista em 2004, caiu bastante nos resultados. Nos anos que se seguiram o time foi perdendo o protagonismo e hoje disputa a série A-4 do paulista sem participação no Brasileiro.
O único clube do ABC que disputa o Brasileiro, além do Tigre, que está na série B, é o Água Santa, que compete na série D.
Veja abaixo a íntegra do comunicado publicado na rede social do Ramalhão:

RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
