
O corpo de um homem foi encontrado na manhã desta quinta-feira (04/12) no lago do Parque do Pedroso, em Santo André. As informações iniciais dão conta de que ele teria cometido suicídio, inclusive deixando próximo ao lago seus pertences e uma carta de despedida. Na região, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) o número de pessoas que atentam contra a própria vida varia de 2,6 até 8,4 pessoas para cada grupo de 100 mil habitantes.
O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), responsável pelo Parque do Pedroso, informou que o homem se atirou no lago. “A equipe da Unidade de Conservação avistou o corpo da vítima na manhã desta quinta-feira (4) em um dos lagos principais do Parque do Pedroso. Um frequentador do parque localizou os pertences da suposta vítima e encaminhou até à administração do local. Os responsáveis identificaram uma carta de despedida entre os objetos, mas ao procurar pela pessoa, localizaram apenas o corpo. Imediatamente, os funcionários acionaram a Guarda Civil Municipal para acompanhar a ocorrência. De acordo com as imagens das câmeras de monitoramento, a vítima teria se atirado nas águas voluntariamente”, diz a autarquia em nota. O corpo foi retirado pelos bombeiros. A Secretaria de Segurança Pública confirmou o registro do caso como suicídio.
Os números de suicídios na região, segundo o IPEA são atualizados até o ano de 2022, sendo Diadema a que tem o maior índice; 8,4 suicídios por 100 mil pessoas. Ribeirão Pires com o menor índice, de 2,6. São Caetano aparece com índice de 3,02, Mauá com 3,35 e São Bernardo com 6,4. Não há dados para Santo André e Rio Grande da Serra.
Para Carlos Correia, voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida), a vida corrida do dia a dia, não se percebe quando alguém próximo demonstra sinais depressivos e, sem alguém para conversar, as chances daquela pessoa em sofrimento psíquico atentar contra a própria vida aumentam. Correia explica que o fluxo de atendimentos no CVV aumenta aos finais de semana e principalmente em datas como Dia dos Pais, dos Namorados, das Mães e também aumentam muito nesta época de fim de ano, com as festas natalinas e réveillon.
“Muitas pessoas que passaram por perdas de pessoas próximas, perda de um emprego, uma separação vão ficar sozinhas nessa época. No fim de ano as pesoas fazem um tipo de balanço da vida e algumas situações desencadeiam alguns sentimentos. Geralmente quem tem pensamentos suicidas passa por fases, por isso temos que parar e olhar para nós e as pessoas que estão à nossa volta para perceber o sofrimento de alguém”, diz o voluntário do CVV.
Segundo Correia, as pessoas próximas àquela que cometeu suicídio automaticamente sobem para o topo da pirâmide de risco para suicídio também. Muitas vão perceber apenas depois que o amigo ou parente estava dando sinais de depressão e não ouviram. “Essas pessoas próximas do suicida precisam de muita ajuda porque elas serão impactadas de tal maneira que o risco delas repetirem o fato é grande”, relata.
Nem sempre os serviços de atendimento psiquiátrico estão disponíveis no momento em que as pessoas mais precisam. “O psiquiatra, ou o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) atendem com hora marcada, que nem sempre vai ser a hora crítica para aquele paciente. Se a dor bater agora, quem vai ouví-lo? Por isso que é importante ter um amigo confidente, para conversar, um amigo de confiança que tenha paciência para ouvir. Essas dores não tratadas consomem uma energia vital muito grande. Então, se a pessoa tem um olhar de tristeza prolongado, sofreu perdas, como emprego, pessoas ou terminou um relacionamento o bom é se oferecer para conversar, sem julgamentos, sem olhar para o relógio. Esse acolhimento faz toda a diferença”, completa.
Como procurar ajuda
O RD apoia todo e qualquer tipo de serviço de valorização à vida. Sinais como perda de apetite, sono, interesse, vaidade, isolamento e mudança de comportamento, podem ser sinais de quem algo não vai bem. Deste modo, qualquer mudança de comportamento que perdure três meses, a indicação é buscar ajuda de um profissional.
Serviço gratuito
As prefeituras da região mantêm serviços públicos para atender casos de distúrbios mentais, tratamento com acompanhamento. O paciente pode buscar qualquer unidade básica de saúde ou unidade de saúde da família para pedir ajuda. Outra opção é o Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone gratuito 188, em que não há necessidade de identificação do paciente. Além da chamada por telefone, cerca de 2,7 mil voluntários fazem atendimento em 105 postos físicos, ou pela internet www.cvv.org.br. Também pode ser feito o atendimento pelo e-mail acessado através do formulário no site do CVV (www.cvv.org.br) ou diretamente no apoioemocional@cvv.org.br. Também é possível acessar o atendimento via chat no site da entidade.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
