
Nesta quarta-feira (29/10) é comemorado o Dia Nacional do Livro, data que celebra a fundação da Biblioteca Nacional do Brasil e reforça a importância da leitura – especialmente da produção literária nacional. Apesar da riqueza e diversidade da literatura brasileira, o hábito de ler tem diminuído.
Segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o país perdeu 6,7 milhões de leitores nos últimos quatro anos. Em 2024, 53% da população não leu nenhum livro, nem mesmo parcialmente.
Para estudantes que se preparam para os vestibulares ou para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – marcado para 9 e 16 de novembro -, conhecer os principais autores e obras da literatura brasileira é uma forma de ampliar o raciocínio, aprimorar a argumentação e conquistar uma boa nota rumo à tão sonhada vaga na universidade.
“No Enem e na maioria dos vestibulares, os textos literários aparecem em perguntas que exigem análise de trechos, comparação entre autores, reconhecimento de crítica social e interpretação simbólica. Muitos desses livros também oferecem repertório para o aluno argumentar na redação com profundidade e originalidade”, explica Aline Souza Silva Santos, bibliotecária do Brazilian International School (BIS).
Aline lista a seguir alguns dos autores e livros mais recorrentes no Enem e nos principais vestibulares do país. Muitos títulos estão em domínio público ou ganharam adaptações para o cinema e a TV, o que facilita o acesso e a compreensão das obras.
Aluísio Azevedo
(São Luís/MA, 1857 – Buenos Aires, Argentina, 1913)
Caricaturista, jornalista, romancista e diplomata, Aluísio Azevedo retratou com olhar crítico os agrupamentos humanos e a degradação das casas de pensão, exploradas principalmente por imigrantes portugueses.
Principais obras: O Mulato (1881), Casa de Pensão (1884) e O Cortiço (1890).
Carlos Drummond de Andrade
(Itabira/MG, 1902 – Rio de Janeiro/RJ, 1987)
Poeta e cronista, Drummond marcou todas as gerações da literatura brasileira com sua linguagem simples e profunda.
Principais obras: Sentimento do Mundo (1940) e Antologia Poética (1962).
Carolina Maria de Jesus
(Sacramento/MG, 1914 – São Paulo/SP, 1977)
Uma das primeiras escritoras negras do país, Carolina retratou com força e sensibilidade a vida nas favelas.
Principal obra: Quarto de Despejo (1960).
Clarice Lispector
(Ucrânia, 1920 – Rio de Janeiro/RJ, 1977)
Considerada um dos maiores nomes da literatura brasileira, Clarice explorou a introspecção e o autoconhecimento com estilo inconfundível.
Principais obras: Laços de Família (1960), A Legião Estrangeira (1964) e A Hora da Estrela (1977).
Conceição Evaristo
(Belo Horizonte/MG, 1946)
Romancista, contista e poeta, é uma das vozes mais potentes da literatura contemporânea. Sua escrita parte das vivências das mulheres negras e das desigualdades raciais brasileiras.
Principais obras: Ponciá Vicêncio (2003), Olhos d’Água (2014) e Canções para Ninar Meninos Grandes (2018).
Graciliano Ramos
(Quebrangulo/AL, 1892 – Rio de Janeiro/RJ, 1953)
Romancista e cronista, retratou com realismo os problemas sociais e políticos do Brasil, além da dureza do sertão nordestino.
Principais obras: São Bernardo (1934), Vidas Secas (1938) e Memórias do Cárcere (1953).
João Guimarães Rosa
(Cordisburgo/MG, 1908 – Rio de Janeiro/RJ, 1967)
Diplomata e escritor, Guimarães Rosa inovou ao misturar o regionalismo com a linguagem simbólica e mítica.
Principais obras: Sagarana (1946), Corpo de Baile (1956) e Grande Sertão: Veredas (1956).
Júlia Lopes de Almeida
(Rio de Janeiro/RJ, 1862 – Rio de Janeiro/RJ, 1934)
Cronista, teatróloga e abolicionista, foi a única mulher entre os idealizadores da Academia Brasileira de Letras — embora impedida de ocupar uma cadeira. Defendia temas como a educação feminina e os direitos civis.
Principais obras: Memórias de Martha (1899) e A Falência (1901).
Itamar Vieira Júnior
(Salvador/BA, 1979)
Geógrafo e doutor em estudos étnicos, Itamar traz à ficção personagens marginalizados e vítimas de violências estruturais.
Principais obras: Torto Arado (2019) e Salvar o Fogo (2023).
Jeferson Tenório
(Rio de Janeiro/RJ, 1977)
Autor contemporâneo premiado, aborda o racismo estrutural, o pertencimento e a memória.
Principais obras: O Avesso da Pele (2020) e Estela sem Deus (2022).
Jorge Amado
(Itabuna/BA, 1912 – Salvador/BA, 2001)
Um dos autores mais populares do país, retratou os costumes e lutas sociais da Bahia. Suas obras inspiraram diversas adaptações.
Principais obras: Capitães da Areia (1937), Gabriela, Cravo e Canela (1958) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966).
José de Alencar
(Fortaleza/CE, 1829 – Rio de Janeiro/RJ, 1877)
Considerado o “patriarca da literatura brasileira”, nacionalizou o romance ao retratar temas históricos e populares.
Principais obras: O Guarani (1857), Iracema (1865) e Senhora (1875).
Machado de Assis
(Rio de Janeiro/RJ, 1839 – Rio de Janeiro/RJ, 1908)
Maior nome da literatura brasileira, explorou com ironia e profundidade a alma humana e os costumes da sociedade.
Principais obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1899).
Marcelo Rubens Paiva
(São Paulo/SP, 1959)
Escritor e dramaturgo, trata de temas como memória, paternidade e ditadura militar.
Principais obras: Feliz Ano Velho (1982) e Ainda Estou Aqui (2015).
Mário de Andrade
(São Paulo/SP, 1893 – São Paulo/SP, 1945)
Figura central da Semana de Arte Moderna, defendeu a valorização da cultura brasileira e a renovação estética da literatura.
Principais obras: Paulicéia Desvairada (1922) e Macunaíma (1928).
Rachel de Queiroz
(Fortaleza/CE, 1910 – Rio de Janeiro/RJ, 2003)
Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, escreveu sobre a seca, a miséria e a emancipação feminina.
Principais obras: O Quinze (1930) e Memorial de Maria Moura (1992).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
