
Com um ano e oito meses de atraso para a entrega das suas 480 unidades habitacionais, o Residencial Clara, que é construído pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano), no bairro Camilópolis, em Santo André, ainda não tem qualquer previsão de entrega. Apesar de estar na fase final de construção, o empreendimento está com obras paradas, pois a construtora está sendo substituída, mas esse processo vem acontecendo desde maio, não foi concluído e não há nenhum prazo para a entrega das chaves.
Uma moradora que pediu para não ter seu nome revelado, contou que espera com muita ansiedade a entrega do seu apartamento. Ela conta que está pagando um alto valor de aluguel enquanto já poderia estar morando em seu próprio apartamento. “Estou inscrita desde 2020, já era para ter sido entregue faz tempo, agora pararam as obras, as ruas ficam escuras tem assaltos e estão jogando lixo em volta do terreno”, relata a mulher que vive com o esposo e dois filhos em uma casa de aluguel, pagando R$ 1,2 mil mensais pela moradia. “As pessoas estão pagando aluguel sendo que já poderiam estar morando no apartamento e pagando pelo que é seu”, relata.
A inscrita para um dos 480 apartamentos diz ainda que são feitas cobranças à prefeitura de Santo André, que inscreveu as pessoas para o empreendimento habitacional, e para a CDHU. “Um empurra para o outro, a construtora faliu e nós estamos aqui só pagando aluguel caro, com os apartamentos lá parados. Esqueceram de nós aqui”, lamenta.
A psicóloga Milene Cristina Farias Kalil Soares e o filho de 18 anos, aguardam também a oportunidade para se mudarem para o novo apartamento. Com problemas de saúde que encarecem as contas, além do aluguel, Milene diz que é desesperador passar em frente aos prédios que estão quase prontos e não ver ninguém trabalhando na obra há meses. “A construtora faliu e não colocaram outra, as obras estão paradas. A gente pagando aluguel que não é barato, gastando com a saúde e nosso apartamento lá”, revolta-se.
Em maio, em entrevista ao RD, o presidente da CDHU, Reinaldo Iapequino, disse que a companhia adotaria uma solução rápida para o problema diante da recuperação judicial da construtora contratada para erguer os prédios de apartamentos. Na ocasião ele disse: “É problema de uma construtora que entrou em dificuldades, entrou em recuperação judicial. Nós já recuperamos a posse desse imóvel em negociação com o administrador judicial. Em breve a gente vai ter uma solução isso, que também passa pela seguradora. Ontem (segunda-feira, 05/05) estivemos aqui com equipes técnicas fazendo os levantamentos; temos perto de 80% da obra executada para apresentar para a seguradora, a posse já é nossa, a vigilância é nossa”, disse o presidente durante agenda no ABC, junto com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Passaram cinco meses da declaração do presidente da CDHU e a solução rápida ainda não veio. Em nota, enviada nesta terça-feira (07/10) a resposta é praticamente a mesma do mês de maio. “A CDHU esclarece que adota todas as medidas necessárias para retomar as obras e entregar, no menor prazo possível, as 480 unidades habitacionais previstas do Residencial Clara. O empreendimento, com 85% das obras executadas, teve sua implantação paralisada após o pedido de recuperação judicial da incorporadora/construtora responsável. Em parceria com a seguradora contratada, a CDHU realiza o processo de seleção de uma nova empresa para concluir a construção. A Companhia já detém a posse do empreendimento e mantém a guarda e vigilância do local até que a empresa substituta assuma as obras”, diz o comunicado.
O empreendimento Residencial Clara é composto por 480 unidades habitacionais, sendo: 222 com 55,61m² e três dormitórios; 240 com 54,65m² e três dormitórios e outras 18 adaptáveis com 55,61m² e dois dormitórios. Segundo a companhia as unidades serão entregues com piso cerâmico em todos os ambientes, revestimento cerâmico até o teto nas paredes hidráulicas, acabamento das paredes e teto em gesso e/ou massa única, pintura nas paredes e teto, portas em madeira pintada com esmalte ou verniz e esquadrias metálicas.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
