
Mauá será a sede da 4ª edição consecutiva do Grito dos Excluídos e das Excluídas do ABCDMRR, que ocorre no dia 7 de setembro, feriado da Independência do Brasil. A articulação do evento, no entanto, já está em andamento: quatro reuniões públicas acontecerão durante agosto, com objetivo de organizar de forma coletiva as atividades do ato.
Com o tema permanente “Vida em primeiro lugar!” e o lema deste ano — “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia” —, o Grito busca dar visibilidade às diversas formas de exclusão social e denunciar a violação de direitos básicos no país.
O lema, que muda a cada edição, é definido em âmbito nacional por uma articulação que envolve movimentos sociais, pastorais e entidades da sociedade civil, como o Conselho Nacional do Laicato do Brasil.
Segundo Veludo Neto, da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santo André, um dos articuladores do evento na região, a escolha do lema reflete o momento político e ambiental vivido pelo país. Ele explica que o conceito de “Casa Comum” tem inspiração nas reflexões do Papa Francisco sobre meio ambiente, justiça e solidariedade. “O tema é sempre o mesmo: vida em primeiro lugar. O que muda é o lema, e ele reflete muito do que vivemos. Este ano, por exemplo, traz essa ligação com o cuidado com a Casa Comum e com a democracia, que tem sido tão atacada nos últimos tempos”, afirma.
A expectativa é que a edição de 2025 reúna ainda mais participantes do que nos anos anteriores, superando os 400 participantes da edição de 2024. A decisão por Mauá como cidade-sede foi tomada nas primeiras reuniões realizadas em julho, quando representantes dos municípios do ABC avaliaram as possibilidades. A cidade, segundo Veludo, acolheu a proposta com entusiasmo. “Já nos primeiros contatos com a igreja local e com lideranças sociais, tivemos uma receptividade muito forte, muita gente querendo participar, ajudar, somar”, conta.
As reuniões abertas ao público estão marcadas para os seguintes dias (mais informações no instagram @grito.dos.excluidos):
- 02/08 (sábado), às 14h — no Santuário Nossa Senhora Imaculada Conceição (Praça Monsenhor Alexandre Venâncio Arminas, 01 – Matriz, Mauá)
- 12/08 (terça-feira) — encontro online
- 23/08 (sábado), às 14h — novamente no Santuário de Mauá
- 30/08 (sábado), às 14h — local ainda indefinido
Durante os encontros, os participantes vão debater o trajeto da caminhada, as falas previstas, a articulação com movimentos sociais, com a população em situação de rua e com os povos tradicionais, além da organização do ato inter-religioso que encerrará o Grito.
Neto destaca que o evento nasce das vivências das populações historicamente excluídas. “Não é um evento partidário, nem institucional. O protagonismo é das pessoas excluídas: população em situação de rua, catadores, comunidades indígenas, quilombolas, trabalhadores informais. Buscamos garantir que quem sofre as exclusões tenha voz e espaço”, afirma.
Histórico no ABC
Após um período de pausa, o Grito foi retomado no ABC em 2022, com sua primeira edição em Santo André. Em 2023, ocorreu em São Bernardo, e no ano passado, em Diadema, E reuniu cerca de 300 pessoas, mesmo em um dia frio e com trajeto extenso. A mobilização cresce a cada ano, agregando novos coletivos, jovens e movimentos sociais, inclusive de fora da esfera católica.
“A caminhada em Diadema foi longa, num dia muito frio, mas mesmo assim tivemos uma participação significativa. Este ano, queremos algo mais enxuto, mas ainda com força popular. Esperamos um público ainda maior em Mauá”, relata Neto.
O Grito dos Excluídos integra uma mobilização nacional, que em 2025 chega à sua 31ª edição. A coordenação nacional — formada por dezenas de movimentos sociais, como Pastoral da Juventude, Pastoral Operária, CEBs, entre outros — realiza encontros ao longo do ano para definir o lema e as diretrizes. Neto, que participa dessas articulações, ressalta que a proposta é sempre conectar os contextos locais às pautas mais urgentes do país. “Já tivemos temas sobre a fome e dignidade dos idosos. Este ano, o cuidado com o meio ambiente e a democracia apareceu como central. É o que o Brasil precisa agora”, afirma.
Um ato de fé, resistência e comunhão
Tradicionalmente, o Grito dos Excluídos começa com um café da manhã comunitário, seguido de uma celebração religiosa e da caminhada pelas ruas da cidade-sede, com paradas para falas e denúncias. A programação valoriza as vozes que, muitas vezes, são invisibilizadas: pessoas em situação de rua, migrantes, mulheres, trabalhadores informais, moradores de ocupações, entre outros.
O evento se encerra com um ato inter-religioso, que reúne representantes de diferentes tradições espirituais — cristãs, afro-brasileiras, indígenas, entre outras. Em 2024, o encerramento contou com o uso simbólico da água, elemento comum a diversas espiritualidades, representando purificação, ancestralidade e comunhão.
Neto reforça que, apesar de a Igreja Católica liderar a articulação, o Grito se constrói de forma plural. “Por mais que a Igreja esteja à frente da organização, construímos com outras expressões religiosas e populares. O que nos une é a luta por dignidade. É uma caminhada em comunhão”, afirma.
A programação completa do Grito de 2025 será divulgada após a última reunião preparatória, prevista para o fim de agosto. Até lá, a organização convida todas as pessoas, movimentos e comunidades interessados a integrar a construção do ato, reafirmando que a democracia e o cuidado com a vida exigem compromisso diário.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
