O emplacamento de veículos eletrificados leves subiu 89% no Brasil em 2024. O maior acesso a esse tipo de carro traz consigo maior exigência sobre a infraestrutura necessária para recarregar estes veículos. Ao RDtv, a professora Michele Rodrigues, do Departamento de Engenharia Elétrica do Centro Universitário da FEI, de São Bernardo, aponta os maiores desafios para atender a esta demanda, principalmente em relação aos moradores de prédios.
Enquanto os moradores de casas precisam se preocupar com um sistema de aterramento que possa suportar a tecnologia dos carregadores, os condomínios verticais precisam pensar em um processo que tem relação com uma série de pontos. O primeiro é a infraestrutura do local, que precisa ter grande suporte elétrico para instalação dos pontos de recarga.
“Nos prédios, o maior problema, se a gente falar de edificações novas, por aí cinco, 10 anos, o problema delas, muito provavelmente, não vai ser o sistema de aterramento. O sistema de aterramento, a norma é de 2010, obrigando as edificações novas a terem sistema de aterramento, então, esse problema já, para as edificações, já foi contornado para as edificações novas, mas o que não vai suportar é a infraestrutura. Então, é a demanda do prédio, ela não vai suportar se todo mundo, vamos colocar aí, se 100 moradores, cada um tiver um carro elétrico”, inicia a engenheira.
Michele faz um comparativo. Um chuveiro elétrico moderno conta com uma potência entre 7 mil e 9 mil watts. Alguns carregadores de carros elétricos contam com uma potência parecida e demoram entre oito e 10 horas para carregar. Em alguns prédios são instalados carregadores de 20 mil watts. A questão é que não são todos os prédios que contam com uma infraestrutura elétrica para isso, o que demanda um primeiro investimento.
Outro ponto relatado pela professora é a falta de infraestrutura das concessionárias de energia elétrica. Michele relata que em alguns casos é possível que determinadas regiões tenham quedas de fornecimento em decorrência do grande uso dos carregadores. Algo que vem acontecendo, segundo a especialista, em regiões que contam com garagem de ônibus elétricos.

Um segundo ponto está no gerenciamento para atender a demanda. Em casos em que muitos moradores contam com veículos elétricos, o gerenciamento de tempo de carga acaba sendo muito necessário para evitar problemas. Segundo Michele, sistemas que incluem inteligência artificial conseguem ajudar neste processo.
Porém, outro desafio é lidar com os valores. Com o maior uso de energia elétrica a consequência é ter uma conta mais cara. A divisão deste valor precisa ser bem definida para evitar problemas, principalmente com aqueles que ainda seguem usando carros a combustão.
Questionada sobre os locais disponibilizados pelo Poder Público para recarregar os motores elétricos, como existe em Ribeirão Pires, Michele considera que estes locais podem colaborar com a demanda.
“Outro exemplo também são os shoppings. Todo mundo vai ao shopping, vai ao cinema. É a hora exata, duas, três horas, que você tem aí um carregamento do seu veículo. Eu acho que esse é o papel que eles podem contribuir para a urbanização, para a mobilidade, para todas essas questões de descarbonização. Eu acho que é algo, além deles venderem esse produto.”, diz Michele.
“Aqui em São Paulo, o que a gente observa é que muitos shoppings ainda fornecem esse serviço de graça. Sem tarifar o cliente, que também é algo bem interessante. Mas a gente tem também outros shoppings que acabam colocando ali para você pagar, que também é algo interessante. Para a gente que está com o carro elétrico, a gente não está tirando a nossa culpa ou a nossa obrigatoriedade, a gente sabe das necessidades de abastecer e de se pagar como se fosse um carro a combustão”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
