
As chuvas dos últimos dias já afetaram 125 municípios do Rio Grande do Sul e deixaram 6.018 desalojados, segundo a Defesa Civil do Estado. Um total de 1.332 pessoas está em abrigos. Até o momento, três mortes foram confirmadas, além de um ferido e uma pessoa desaparecida.
Segundo o professor Rodrigo Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as novas enchentes configuram um evento extremo acima da média, o que confirma o padrão de aumento de chuvas extremas e cheias no RS. As enchentes atingem o centro do Estado pelo terceiro ano consecutivo.
A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado e a Defesa Civil não informaram se o evento é o segundo ou terceiro maior ocorrido no Rio Grande do Sul. Até agora, 20 municípios decretaram situação de emergência, e um deles, Jaguari, calamidade pública.
Segundo a Defesa Civil, seis rios se encontram em cota de inundação, mas a maioria apresenta tendência de estabilidade ou declínio no momento. Entre aqueles com tendência de elevação estão o Uruguai, de São Borja a Uruguaiana; o Ibicuí, em Manoel Viana; o Jacuí, a partir de Rio Pardo; e o Sinos, em São Leopoldo. As ilhas da região metropolitana de Porto Alegre apresentam níveis que variam entre estabilidade e declínio.
Impactos distintos
Embora ainda seja preciso aguardar o fim das chuvas para se ter a dimensão total, Paiva estima que o evento atual se aproxima dos ocorridos em setembro e novembro de 2023 em termos de volume de precipitação e abrangência. Mas ocorreram em regiões diferentes e com impactos distintos.
“(O evento deste ano) teve abrangência espacial, mas a chuva foi maior no centro e no oeste do Estado, onde a densidade populacional é menor que a da serra, dos vales e da região metropolitana de Porto Alegre”, afirma.
Em 2023, as chuvas foram maiores na bacia do Rio Taquari e no nordeste do Estado, o que resultou em estragos maiores, assim como neste ano.
Embora tenha causado alagamentos também na serra, nos vales e na região metropolitana de Porto Alegre, a chuva dos últimos dias concentrou-se na região central gaúcha.
No ano passado, as chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul causaram 184 mortes, conforme balanço da Defesa Civil do Estado divulgado em 24 de abril deste ano. Mais de 1,9 milhão de pessoas foram afetadas, segundo a Defesa Civil. Os números superaram os de 1941, ano em que também ocorreu uma cheia histórica no Estado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
