
Ardor e sensação de areia nos olhos parecem sinais do efeito dos dias de hoje, mas quando deixa de ser apenas um desconforto e passa a se repetir com frequência pode ser a doença do olho seco, condição em que os olhos não produzem lágrimas suficientes ou a lágrima evapora rápido demais impedindo a lubrificação adequada.
A menopausa e o envelhecimento são apontados como principais fatores para o problema, porém, nos últimos anos, um novo perfil de paciente tem chamado a atenção nos consultórios: os jovens. “Observamos que adultos jovens e até adolescentes apresentam sintomas da síndrome do olho seco, principalmente, por causa do uso excessivo de telas”, explica Claudia Francesconi, oftalmologista da Eye Clinic.
Segundo a médica, além do maior tempo em telas, o trabalho remoto e a maior exposição a ambientes climatizados também reforçam essa mudança. “Quanto mais perto dos olhos as telas ficam, maior tende a ser a queixa”, diz.
A diferença entre uma situação pontual ou um quadro mais grave está na duração e na frequência. “Quando é um incômodo causado por uma noite maldormida, por exemplo, costuma melhorar sozinho, já nos casos críticos, os sintomas permanecem durante semanas e até meses”, enfatiza.
Para confirmar é necessário ter o diagnóstico, que é realizado por meio de exame como a lâmpada de fenda, que permite observar diretamente a superfície do olho e medir a quantidade de lágrima disponível. Esses procedimentos são essenciais e requer um acompanhamento com um especialista.
Quando não tratado, o olho seco pode levar a complicações como lesões na córnea, úlceras, infecções e cicatrizes que comprometem a visão de forma permanente. Essas complicações são menos frequentes quando o paciente recebe acompanhamento adequado e inicia o tratamento em estágio inicial.
Outra questão é evitar tratar com colírios sem indicação médica para não atrasar o diagnóstico correto. “Nem todo colírio é igual, alguns conservantes podem irritar ainda mais a superfície ocular. Inclusive, o alívio temporário pode mascarar a necessidade de intervenções específicas”, alerta a especialista.
O tratamento em fase inicial inclui medidas simples, como pausas regulares durante o uso de telas, aumento da hidratação, ajustes ambientais como umidade e iluminação. Já em casos crônicos, terapias específicas prescritas por oftalmologista. “O acompanhamento pode ser prolongado, com oscilações de acordo com a gravidade de cada caso”, finaliza Claudia Francesconi.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
