ABC - terça-feira , 16 de junho de 2026

Chanceler alemão evita embate com Trump, mas cobra pressão à Rússia

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, evitou embates durante um encontro com Donald Trump na Casa Branca nesta quinta-feira (05/06). A última visita de líderes ao republicano no Salão Oval resultou em emboscada e constrangimento.

Merz cuidou das palavras quando repórteres o questionaram sobre temas ligados à guerra na Ucrânia. O conflito, junto com as despesas militares, prometia ser o foco de divergências entre os dois líderes. O fato de Trump divagar sobre diversos assuntos, como tarifas, proibições de entrada, Joe Biden e Elon Musk, pode ter contribuído para um cenário menos agressivo para o alemão.

Apesar de Trump relativizar a agressão russa, o chanceler enfatizou que seu país está inteiramente ao lado da Ucrânia. “Buscamos mais pressão sobre a Rússia” para acabar com a guerra, disse. Até agora, Trump tem relutado em pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, apesar de dizer: “Quero ver o fim das matanças”.

Trump chamou a guerra de “banho de sangue”, mas comparou a mediação do conflito à tentativa de separar crianças que brigam no parque: “talvez elas precisem continuar a lutar”. “Você vê isso no hóquei, você vê isso nos esportes”, disse Trump. “Deixe-os ir por alguns segundos”. Mas reconheceu que “provavelmente não será bonito”.

Merz foi questionado se concordava com a comparação e se esquivou ao dizer que ambos os líderes concordavam que a guerra tinha de chegar ao fim. Ele iniciou a coletiva de imprensa com elogios a Trump e afirmou que o americano era a pessoa ideal para liderar esta situação.

Uma pequena tensão surgiu quando Merz respondeu à pergunta de um repórter em alemão. Trump escutou incomodado e, ao final, perguntou se o chanceler “falava alemão tão bem quanto falava inglês”. Merz riu e logo o assunto mudou.

O alemão foi a Washington com a esperança de persuadir Trump a assumir um papel mais ativo na defesa da Ucrânia e utilizar o poder incomparável dos EUA para forçar a Rússia a encerrar a invasão ao vizinho. Mas recebeu uma resposta bem diferente. Trump basicamente desistiu e afirmou que não havia nada que os Estados Unidos pudessem fazer agora para pôr fim à guerra.

Trump prometeu repetidamente durante a campanha presidencial que poderia fazer a paz entre as nações em guerra em 24 horas, mas agora diz que foi sarcástico.

Merz lembrou ao presidente que o aniversário da operação do Dia D é na sexta-feira (6), “quando os americanos encerraram uma guerra na Europa”. “E acho que isso está na sua mão, especificamente na nossa”, acrescentou.

Trump interrompeu com uma piada sobre os nazistas. “Aquele não foi um dia agradável para vocês”, disse ele, em referência à derrota de Adolf Hitler pelos Estados Unidos. Merz respondeu que, “a longo prazo, Sr. Presidente, esta foi a libertação do meu país da ditadura nazista”.

“Sabemos o que devemos a vocês”, acrescentou, “mas é por isso que afirmo que a América está, mais uma vez, em uma posição muito forte para fazer algo sobre esta guerra e acabar com ela”.

Trump não assumiu compromissos. Em vez disso, gabou-se da economia dos EUA e dos números de recrutamento militar sob sua liderança.

Merz, que assumiu o cargo no início de maio, disputa a liderança da Europa em comércio internacional, segurança e a guerra na Ucrânia. Ele aspira ser uma força estabilizadora e tornar a Alemanha indispensável para o esforço europeu de manter independência.

Mas, primeiro, ele e seus assessores sabiam que teria que superar a aparição no Salão Oval. O presidente e seu governo demonstraram animosidade especial em relação à Alemanha, entre as nações europeias que Trump vê mais como concorrentes do que como aliadas.

Merz, político de centro-direita e ex-advogado rico, esperava que ele e Trump falassem a mesma língua. Passou grande parte do seu primeiro mês em ensaios para o teste, ciente das reprimendas que outros líderes estrangeiros receberam no Oval, entre eles o presidente ucraniano Volodmir Zelenski e o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

Já de entrada, a equipe alemã foi pega de surpresa. Na noite de quarta-feira (4), autoridades americanas anteciparam a reunião no Salão Oval para o início da visita, antes do almoço de trabalho. Autoridades alemãs esperavam que o almoço acontecesse primeiro, para oferecer aos líderes a chance de discutir divergências em particular antes das câmeras serem ligadas.

A equipe de Merz sabia da importância do primeiro encontro entre os líderes. Seus assessores informaram os repórteres antes da visita que conversaram com assessores de outros líderes que peregrinaram a Washington para perguntar sobre suas experiências. O próprio Merz conversou com muitos desses líderes, entre eles, em ligação recente, Ramaphosa.

O líder alemão presenteou Trump com um quadro dourado, uma cópia emoldurada da certidão de nascimento do avô de Trump. Friedrich Trump imigrou da Alemanha para os Estados Unidos. A certidão tinha uma moldura dourada, em reflexo do tom favorito de Trump, que usa para ornamentar seu escritório na Casa Branca.

Compartilhar nas redes

casibomgrandpashabetDeneme Bonusu Veren SitelerGrandpashabetkralbetjojobetbullbahisjojobet girişgrandpashabet girişcasino siteleri