O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado nesta quinta-feira (05/06). No Brasil, às vésperas da COP (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas) 30 (10 a 21 de novembro), a principal preocupação está com um projeto de lei oriundo de 2021. A proposta 2.159/2021, que está no Senado Federal, visa alterar regras sobre o licenciamento ambiental, o que tiraria boa parte das exigências para empreendimentos em áreas ambientais. Ambientalistas temem que a propositura, em caso de aprovação e sanção, possa ser usada para aumentar o desmatamento e criar ainda mais riscos ao meio ambiente.
Na prática a proposta dá autonomia para que os municípios possam aprovar ou não empreendimentos em áreas ambientais, seja um galpão logístico ou um investimento de agronegócio ou mineração. A ideia é reduzir as exigências, o que é visto como uma forma de permitir o desmatamento com mais rapidez.
“Se alguém que depende do agronegócio como ganha pão, como é que aprova um projeto de lei que flexibiliza o desmatamento até chegar na beira de um rio, até chegar na beira das nascentes ou até chegar na encosta? Daqui um tempo esse povo não vai ter água para esses animais. Daqui algum tempo esse povo não vai ter sombra para esses animais terem um momento de tranquilidade. Daqui a pouco não vamos ter qualidade desse solo para que possamos fazer um plantio responsável.”, explica a bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Marta Marcondes.

“Não adianta falar que ambientalista é chato, que fica querendo atrapalhar o progresso. Que progresso, minha gente? Que progresso é esse? Não tem essa. Um grande empreendimento como um galpão logístico, por exemplo, que o povo fala que vai gerar empregos, não gera emprego nenhum, nenhum emprego que vai utilizar a capacidade técnica daquela pessoa. Isso é balela.”, segue.
Para Marta, a formação de bancadas no Congresso Nacional que não se atentam às mudanças climáticas ou ao desmatamento acaba gerando problemas futuros para o planeta, principalmente levando em conta os problemas que levam a grandes períodos de seca ou mesmo de temporais que destroem muitos locais.
ABC
Sobre a região, um dos principais pontos de preocupação em relação ao Meio Ambiente é a represa Billings. A falta de fiscalização sobre o esgotamento que é jogado no reservatório, o não cumprimento da Lei Específica da Billings e a falta de atenção dos municípios sobre os Planos de Saneamento são colocados por Marta como ações que estão longe de ajudar na recuperação deste local.
Outra preocupação está com o processo de drenagem. “Nós temos um modelo de processo de drenagem urbana muito antiquado. Ainda os municípios estão canalizando os rios, estão colocando rios dentro de tubos, estão fazendo piscinões. Todo esse modelo é completamente ultrapassado e isso precisa ser discutido, precisa ser modernizado.”, aponta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
