Turismo mantém ritmo de recuperação, mas ainda está longe do normal

Praias já são destinos mais procurados. Agências já vendem bem pacotes regionais, em que o turista vai de carro mesmo (Foto: divulgação)

Um dos segmentos mais afetados pela pandemia da covid-19, o de turismo, ensaia recuperação, mas ainda está distante da normalidade. As agências, que em um mês de setembro normal estariam cheias de clientes à procura das últimas vagas para pacotes de viagens para praias do Nordeste ou Réveillon carioca, ou ainda pelos cruzeiros pela costa brasileira, começam a recuperar as vendas.

A oferta de voos domésticos, na última semana de setembro, deve alcançar uma média diária de 980 voos. A previsão é da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), a partir de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O número representa pouco mais de 40% da quantidade prevista antes do início da pandemia do novo coronavírus, em 2 de março, quando estavam programados 2,4 mil voos no País por dia, em média. O levantamento mostra que a demanda por voos domésticos, medida em passageiros quilômetros transportados (RPK), permanece no seu menor nível em duas décadas: em julho, teve redução de 78,9% na comparação anual. A oferta, calculada em assentos quilômetros ofertados (ASK), por sua vez, teve retração de 76,3%.

A estratégia de muitas agências para manter os clientes durante a pandemia foi adiar as viagens para depois da pandemia, mas também há quem aceite viajar agora. A consultora de viagens Priscila Reis, da agência de viagens Interpolo, de Santo André, diz que ainda é difícil vender, mas aos poucos os clientes estão voltando. “Tem procura por pacotes de finais de semana e tem procura para o Nordeste, principalmente para resorts”, comenta. Sobre os preços, diz, não há grandes mudanças.

Destinos nacionais já são bem procurados, com destaque para as praias. (Foto: Bando de Imagens)

Priscila conta que os clientes corporativos e o turismo de negócios aos poucos também voltam a procurar. Para o setor novamente deslanchar, segundo a consultora, só falta mesmo a reabertura das fronteiras, para os destinos turísticos no Exterior. Mesmo sem saber ao certo quando a pandemia vai terminar, vendas para viagens ao Exterior já são realizadas. “Pacotes para Nova York (EUA), Madrid (Espanha) e para vários destinos em Portugal já vendemos antecipadamente”, comenta.

A CVC, empresa com foco maior no turismo nacional, não fornece números, mas aposta que já no final deste ano a situação do mercado mude. “Acreditamos que, no Brasil, a retomada do turismo se dará pelas viagens de lazer em destinos domésticos, de forma gradativa, a partir de agora para embarques principalmente no final deste ano. Em termos de consumo, lugares de praia, campo, ambientes abertos e hotéis que oferecem espaço livre serão preferidos. E as viagens que o cliente pode fazer com o seu próprio carro – ou com veículo privativo para traslado ou alugando um carro na agência de viagens – são tendências para esse ‘novo normal’, na forma de viajar no momento da retomada”, salienta a companhia em nota.

A empresa elaborou até uma campanha para falar das mudanças adotadas por companhias aéreas, hotéis e operadoras de viagem. “As regiões turísticas também começam a buscar as certificações lançadas por órgãos internacionais e nacionais de segurança global, os Safe Travels”, destaca a CVC.

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