ABC - quarta-feira , 29 de maio de 2024

ABC pede socorro e Estado não oferece seus hospitais para emergência pediátrica

Filippi pediu ao Estado que use os dois hospitais estaduais para desafogar o atendimento em emergência pediátrica na região. (Foto: Reprodução)

Na reunião de terça-feira (16/04) do Consórcio Intermunicipal do ABC, o prefeito de Diadema e presidente da entidade regional, José de Filippi Júnior (PT) disse que a demanda de atendimento de emergência entre as cidades consorciadas aumentou 80% nos últimos meses por conta do surto de dengue e de doenças respiratórias, como covid-19 e influenza. Sobretudo o atendimento pediátrico está em dificuldades. A entidade acenou para o governo do Estado pedindo ajuda para ampliar esse atendimento usando a estrutura dos dois hospitais estaduais – Mário Covas, em Santo André, e Serraria, em Diadema, mas o governo paulista, questionado sobre o tema, nada falou sobre isso.

Em entrevista ao RD, após a reunião do colegiado de prefeitos, Filippi contou que até Rio Grande da Serra, que ainda não tinha aderido à emergência para a dengue, também concordou em também fazer parte do grupo de cidades em estado crítico para atendimento da doença. O petista considera que há uma boa estrutura hospitalar que pode também ser usada para atendimento de emergência. “Estamos buscando mais recursos financeiros do Estado através dos dois hospitais que hoje dão apoio para o atendimento a saúde, mas podemos ter um atendimento mais planejado. Já buscamos recursos para manter o Hospital Nardini, em Mauá, e o Hospital Público de Diadema, mas ainda não tivemos resultado”, disse.

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O prefeito falou de emendas que ainda não foram liberadas das bancadas de deputados estaduais e federais. “Além das emendas do nosso Estado, temos cerca de R$ 350 milhões em emendas de deputados federais de São Paulo, pelo acordo cada deputado tem direito a R$ 10 milhões. Estive conversando com o secretário Gilberto Kassab (Relações Institucionais do Governo de São Paulo) que disse que essa verba ainda não está disponível, mas deverá chegar entre o final de abril e início de maio. Lembrando que estamos em ano eleitoral e temos restrições para repasses como esses”, disse Filippi.

Questionado sobre o pedido das prefeituras do ABC por apoio dos hospitais estaduais no atendimento emergencial, principalmente na área de pediatria, a Secretaria de Estado da Saúde falou de investimentos somente na Grande São Paulo, que inclui dezenas de outras cidades, mas não admitiu a possibilidade de uso dos equipamentos estaduais para desafogar as emergências municipais. “A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que mantém amplo diálogo com a região do ABC para a garantia da assistência à saúde pelo SUS. Além do atendimento de média e alta complexidade já realizado nos hospitais estaduais, a pasta irá repassar neste ano R$ 1,8 bilhão em recursos extras dos programas Tabela SUS Paulista e IGM SUS Paulista para serviços filantrópicos e fundos municipais de saúde da Grande São Paulo. Os programas aumentam a capacidade de atendimento na rede pública de saúde e auxiliam na redução de filas com aporte às entidades filantrópicas, pelos procedimentos realizados”, diz o comunicado.

O Estado admite a sobrecarga do sistema. “Toda a rede de assistência em saúde, seja pública ou privada, enfrenta período crítico de pico de atendimentos em razão da alta expressiva de casos de dengue, covid-19 e doenças respiratórias. Em fevereiro, em razão da alta de casos de dengue, o Estado anunciou o repasse de R$ 200 milhões às prefeituras dos 645 municípios paulistas para o enfrentamento direto ao mosquito”, diz nota da Saúde estadual.

O governo disse ainda que esta semana foram anunciados mais de R$ 20 milhões em novas medidas de combate à dengue. Entre as ações, o Estado comprará 6 mil litros de inseticida, e abrirá 28 novos leitos no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Além disso, serão transferidos R$5,1 milhões para os municípios adquirirem repelentes específicos para a população gestante, que atenderá cerca de 50 mil mulheres no Estado, conforme publicado na resolução SS nº 76, de 12 de abril de 2024. A SES anunciou também a compra de 133 equipamentos de nebulização portátil e mais seis de nebulização ambiental, que são acoplados nas viaturas.

Cidades

Enquanto o Consórcio pede e o Estado não admite ceder seus equipamentos para apoio em emergência pediátrica, as cidades convivem com a sobrecarga. A Prefeitura de Diadema informou em nota que, de janeiro a março deste ano foram realizadas 395 internações e 10.899 atendimentos pediátricos no Pronto Socorro Central. “A principal queixa é se casos respiratórios, situação que é agravada com a chegada do outono/inverno, além dos atuais casos de suspeita de dengue. No PSC trabalham três pediatras para atendimento de urgência e emergência e mais um pediatra na enfermaria em cada plantão. No Pronto Atendimento Eldorado trabalham dois pediatras em cada turno de 12 horas. Temos expectativa de aumentar o quatro com mais um pediatra para plantões diurnos no PSC e PA Eldorado”, informa a administração.

Em São Caetano a prefeitura informou que a demanda de atendimento aumentou sensivelmente. No primeiro trimestre deste ano foram 13.769 atendimentos pediátricos. Para comparação no mesmo período de 2022 foram 12.593, isso só na atenção básica. No PS Infantil a demanda também aumentou de 9.952 em 2022 para 10.585 o primeiro trimestre deste ano. Os principais problemas que chegam ao pronto socorro infantil são doenças das vias aéreas superiores e gastroenterite. Na atenção básica as síndromes gripais são mais frequentes. Ao todo são 18 pediatras na saúde de São Caetano.

Nas 23 unidades básicas de saúde de Mauá foram 15.870 atendimentos em pediatria nos três primeiros meses de 2023 e 16.967 no primeiro trimestre de 2024. “Houve o aumento de demanda de 2023 para 2024, no âmbito Atenção Básica, em uma variação discreta de 6,91%. A Atenção Básica possui 19 médicos pediatras. Considerando que formato preponderante da Atenção Primária no Brasil é a Estratégia da Saúde da Família (ESF), que conta hoje com 75 equipes homologadas, e que o número de equipes de Atenção Primária saltou de quatro para 18 equipes desde o início desta gestão, o município alcançou o dimensionamento adequado para este momento. O Hospital Nardini manteve o número de leitos pediátricos entre os anos de 2023 e 2024, sendo quatro leitos em UTI Cirúrgica e 16 em Pediatria Clínica”, informou a prefeitura, em nota.

As demais prefeituras da região não informaram sobre o número de atendimentos em pediatria.

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https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3420412/

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