Prefeituras começam com trabalho presencial; sindicatos criticam

Em Santo André o paço já retomou atendimento presencial dos munícipes, respeitando protocolos de saúde. (Foto: Alex Cavanha/ PMSA)

Parte dos funcionários públicos municipais que haviam se afastado do trabalho presencial no início da pandemia da covid-19 volta às atividades. Na segunda-feira (03/8) os servidores de Mauá retornaram depois de decreto do prefeito Atila Jacomussi (PSB). O Sindserv (Sindicato dos Servidores Municipais) da cidade reclama que faltou diálogo. Nas demais cidades da região também houve retorno de algumas atividades, apenas São Caetano informou que mantém os mesmos afastamentos.

O presidente do Sindserv de Mauá, Jesomar Alves Lobo, disse que cerca de 10% dos servidores ainda vão ficar afastados do trabalho presencial por conta de comorbidades. Na cidade os trabalhadores retornaram ao trabalho na segunda-feira após decreto do prefeito. Segundo Lobo, não houve reunião prévia com os trabalhadores para definir o retorno. “A reunião só aconteceu depois da canetada, na segunda-feira, com o secretário de administração (Marcos Maluf) e pedimos para que garantisse os EPIs (equipamentos de proteção individual)”, disse o sindicalista que tem destacado para os servidores que a ausência de medidas de segurança devem ser denunciadas ao sindicato. “Por enquanto tivemos poucas reclamações”, apontou.

Um dos servidores de Mauá que voltou ao trabalho, e que pediu para não ter o nome revelado, disse que não se opôs em voltar ao trabalho. “Estou com boa saúde. Eu voltei a trabalhar na segunda-feira (03/08) porque fiz o teste deu negativo”, disse. O RD questionou a prefeitura sobre quantos trabalhadores vão permanecer em casa e quantos retornam ao serviço presencial, mas não obteve resposta.

Jesomar disse que em Mauá o sindicato só teve reunião com a prefeitura depois da definição pelo retorno. (Foto: Reprodução)

A presidente do Sindema (Sindicato dos Servidores Municipais de Diadema), Mara Neide Ferreira, disse que por enquanto não há nada de oficial sobre o retorno de todos os servidores ao trabalho presencial. Na cidade o decreto da prefeitura que colocou grande parte do funcionalismo em trabalho remoto vale até o dia 10 de agosto. “Não temos nada documentado sobre o retorno ainda. Exceto na Saúde e Segurança Pública, em que todos estão trabalhando inclusive com férias e licenças suspensas, os demais setores trabalham em rodízio. Na Educação a maioria está em home-office com exceção de diretores, vice-diretores e agentes administrativos que fazem plantão nas quartas-feiras, mas em rodízio de pessoal”.

Em nota, a prefeitura de Diadema informou que 1045 servidores foram afastados desde o início da pandemia até 30/07. Destes 452 foram confirmados para covid-19. Dos afastados retornaram ao trabalho 968 servidores, 72 continuam afastados e 5 servidores foram a óbito (um médico, uma professora, um comissionado, um agente administrativo II e um motorista do SAMU).

A preocupação de Mara era com a volta das aulas, assunto de que ainda não se tem definição. O prefeito Lauro Michels (PV) disse na terça-feira (04/08) que as aulas não serão retomadas em 8 de setembro (data indicativa do governo do Estado). “Sexta-feira (07/08) teremos uma plenária com os professores, mas eu acho difícil pensar em um retorno enquanto só cresce o número de mortes”, diz a presidente do Sindserv. Diadema tem cerca de 6 mil servidores. A prefeitura de Diadema não se pronunciou sobre o contingente de servidores em trabalho presencial.

Em São Bernardo a prefeitura informa que 2.101 servidores pertencentes a grupos de risco à covid-19 foram afastados para isolamento, desde o início da pandemia, passando a atuar em regime de home office. O número representa 15% dos 13.765 servidores ativos. Do total de funcionários afastados, 96 já retornaram para as atividades presenciais e outros 2.005 permanecem trabalhando em isolamento, como medida de segurança.

Marlene Matias, presidente do Sindserv de São Bernardo, diz que o sindicato está fazendo um movimento específico para os profissionais da Educação. “Nessa área tem um conflito, o prefeito disse que não vai voltar, mas também não temos uma data específica, por isso o sindicato está fazendo um movimento para não voltar mesmo este ano. Estamos apoiando o servidor para que ele não volte enquanto não tiver uma vacina. Até porque três meses não vão recuperar o que foi perdido”. Na cidade, segundo estimativa do Sindserv dos cerca de 13 mil funcionários públicos municipais, mais de 50% deles já voltaram ao trabalho.

 

Durval Ludovico disse que servidores da área de manutenção tiveram que voltar e estão sem restaurante. (Foto: George Garcia)

Em Santo André a estimativa de quantos já voltaram é a mesma, mais da metade. Mas lá o número de funcionários é de aproximadamente 10 mil. “Estamos brigando pelo pessoal de Serviços Urbanos, Obras e Manutenção, que voltaram todos a trabalhar antes do restante e 20 deles já testaram positivo. Eles ainda têm que trabalhar sem restaurante e recebendo uma marmita de qualidade duvidosa”, explicou o presidente do Sindserv, Durval Ludovico Silva.

De acordo com Silva o problema é que a prefeitura não tem dialogado com o Sindserv. “Na Saúde, na Segurança e no pessoal operacional, 100% estão trabalhando. Na Educação, apesar dos alunos não terem voltado, muitos servidores já voltaram e não foram testados. A prefeitura não tem falado com o sindicato e por isso temos peticionado constantemente, porém não temos retorno”, disse o sindicalista andreense. A prefeitura de Santo André não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Em São Caetano são 7.957 funcionários entre concursados, contratados via CLT e comissionados, contando com os que prestam serviços através da Fundação do ABC.  Destes 1.404 foram destacados para o home office. A prefeitura informou que eles continuam afastados do trabalho presencial. “1.049 foram afastados do trabalho presencial por serem idosos e, outros 355, por possuírem algum tipo de comorbidade. Eles permanecem em home office, cumprindo o disposto em decreto municipal”, informou a administração.

Em Ribeirão Pires a prefeitura informou que foram afastados 220 servidores por causa de doenças crônicas ou por terem mais de 60 anos (6,5% do total de servidores). A Prefeitura tem, no total, 3,4 mil servidores.  “Parte dos servidores foi afastada com apresentação de atestado e irá retornar quando houver a indicação médica. Há outros servidores que pediram afastamento sem o atestado e, por essa razão, optaram por tirar férias, utilizar o banco de horas ou licença prêmio. Não estão contabilizados entre os 220 servidores os profissionais dos grupos de risco que estão afastados de suas funções presenciais, mas que mantém as atividades de trabalho em sistema home office (decreto municipal autorizou adoção de teletrabalho para setores não essenciais, onde há essa possibilidade)”, sustenta a prefeitura.

Rio Grande da Serra não se pronunciou.

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