Legado de Celso Daniel, 17 anos após sua morte, ainda é lembrado pelo eleitor

Mauricio Mindrisz, diretor comercial do instituto ABC Dados, disse que aparecimento do nome de Bruno Daniel foi surpresa (Foto: Pedro Diogo)

Se o primeiro turno das eleições municipais fosse hoje, Santo André teria uma disputa acirrada entre o prefeito Paulo Serra (PSDB) e Bruno Daniel (Psol), irmão do prefeito Celso Daniel (PT) assassinado em 2002. A pesquisa foi realizada pelo Instituto ABC Dados e divulgada nesta terça-feira (16/7). A mesma pesquisa também fez análise da aprovação do atual governo e ainda inquiriu os entrevistados sobre o maior prefeito da história da cidade, quando surge o nome do petista, citado por 73%. A pesquisa ouviu 400 pessoas entre os dias 6 e 7 de julho e a margem de erro é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.

Na pesquisa estimulada – onde aparecem os candidatos Paulo Serra (PSDB), Bruno Daniel (Psol), Carlos Grana (PT), Ailton Lima (PSD), Almir Cicote (Avante), Sargento Lobo (SD), Léo Kahn (s/partido) e Nilson Bonome (PRB) – o prefeito aparece com 28% e Bruno Daniel com 19%. Considerada a margem de erro, a diferença entre os dois pode ficar em apenas 1%. Nesta simulação, Carlos Grana aparece em terceiro com 11%, seguido de Ailton Lima e Cicote, ambos  com 5%, Sargento Lobo assinala 3% das intenções de voto e Léo Kahn e Nilson Bonome ficam com 1% cada. Brancos e nulos somam 18% e 13% não souberam responder.

Em outra situação, com o vereador Eduardo Leite como candidato do PT, no lugar de Carlos Grana, a diferença é um pouco maior entre Serra e Daniel, 28% a 17% em favor do tucano. Leite aparece nesta simulação com 12%, Lima e Cicote, empatados com 4%, Lobo fica com 3%, Kahn e Bonome com 1%. Brancos e Nulos somam 18% e não souberam responder 14% dos entrevistados.

A taxa de rejeição entre os candidatos é liderada por Carlos Grana (PT), enquanto Bruno Daniel é o menos rejeitado. Quando o eleitor é perguntado sobre qual candidato não votaria de jeito nenhum, o petista é rejeitado por 41% dos eleitores pesquisados, Paulo Serra não seria a escolha de 13%, Sargento Lobo não seria escolhido por 7%, e ficam empatados com 4% de rejeição Eduardo Leite, Ailton Lima e Almir Cicote. Kahn é rejeitado por 3% dos pesquisados, Bonome por 2% e Bruno Daniel por 1%.

Segundo turno

Para o segundo turno, o instituto ABC Dados avaliou três situações. Paulo Serra venceria Ailton Lima se os dois fossem para a decisão da eleição, sendo que o tucano ficaria com 45% e o socialdemocrata com 22%. O prefeito também venceria Eduardo Leite por 45% a 24%. Mas quando a disputa é com Bruno Daniel a decisão seria voto a voto. O placar seria decidido dentro da margem de erro de 4 pontos percentuais. Serra ficaria com 37% e Daniel com 35%.

Ao analisar os números, o diretor comercial do instituto ABC Dados, Mauricio Mindrisz, disse que o aparecimento do nome de Bruno Daniel foi uma surpresa e a explicação é a de que ele surge como opção para os petistas que não estão satisfeitos com os rumos do partido. “O fato mais forte é por causa do Celso Daniel, que é nome de estádio, parque e tem história na cidade, 73% acham que ele foi o melhor prefeito da história da cidade. Acho que as pessoas estão procurando o novo e o Bruno é o novo, por isso tem essa vantagem, mas estamos a 14 meses da eleição e tudo pode mudar; depende da campanha. O fato é que antes ele não existia como candidato e hoje ele está no jogo. As pessoas estão decepcionadas com o PT, sobretudo com a última gestão Carlos Grana”.

Avaliação do governo

A pesquisa ABC Dados revela que é baixa a aprovação do governo Paulo Serra. Apenas 4% consideram o governo ótimo e 21% consideram bom, ou seja, aprovação de 25%. Entre os eleitores pesquisados, 44% acham que a atuação do tucano é regular, 14% ruim, 13% avaliam o governo como péssimo e 3% não souberam responder.

O pesquisador Marcos Soares considerou esse o resultado mais importante da pesquisa. “É essa variável que vai definir o resultado da eleição. Um prefeito que vai disputar a reeleição tem mais chance. Quando ele tem a aprovação da maioria tem mais chance. É uma avaliação que não é boa. No Brasil, existe um cálculo baseado na avaliação do governo. Esse cálculo compara a avaliação com o resultado das eleições, 86% que avaliam como ótimo e bom votam pela reeleição, ou seja 86% de ótimo e bom viram voto; 36% do regular também viram voto para quem disputa a reeleição, o restante vira voto contra, portanto se aplicarmos nesta variação o potencial de votos do prefeito hoje seria de 37% da intenção de votos, ou seja, a chance dele ser reeleito seria muito pequena”. Soares, no entanto, pondera que, como faltam 14 meses para a eleição, a situação tende a melhorar. “No último ano a avaliação melhora, pois vai mostrar suas realizações”.

O que diz o prefeito Paulo Serra:

“A gestão segue muito bem, recuperando a cidade, que foi devastada pela falta de planejamento das administrações anteriores, que deixaram problemas históricos e dívidas abusivas, que impediram Santo André de progredir. Poderíamos questionar, inclusive, as fontes da pesquisa citada, mas prefiro não entrar neste mérito, porque a minha única preocupação neste momento é com Santo André. Com o trabalho que estamos desenvolvendo, com os projetos que estamos tirando do papel, com as dívidas históricas sendo negociadas, com o retorno dos investimentos, que já ultrapassam R$ 500 milhões em obras de infraestrutura. Compromisso que assumi com seriedade e que foi revertido em 14 equipamentos de Saúde entregues modernizados pelo programa QualiSaúde, por 10 novas creches que estão sendo construídas e vão zerar, até 2020, o déficit de vagas no município, além de tantas outras melhorias que garantem qualidade de vida e dignidade para a nossa gente. Portanto, quem está preocupado com as eleições e com o processo eleitoral não é o governo, mas sim a oposição, que muito pouco contribui para o desenvolvimento da cidade e, portanto, se agarra à politicagem ao invés de se dedicar ao desenvolvimento de políticas públicas efetivas. Por isso, sigo comprometido com o trabalho de governar a cidade com planejamento, responsabilidade e transparência, garantindo resultados para Santo André jamais vistos nos últimos 20 anos. E vamos continuar mantendo este ritmo de trabalho para garantir cada vez mais avanços para a nossa cidade e a nossa gente”.

A avaliação do Psol:

Membro do diretório municipal do Psol e ex-vereador, Ricardo Alvarez, considerou muito positiva a pesquisa e disse que a atuação do prefeito Paulo Serra o prejudica na tentativa de reeleição. “O prefeito cometeu dois erros importantes, primeiro fechou as unidades de saúde e agora está reinaugurando, depois foi a proposta de mudar o IPTU e teve de recuar, isso são situações que trouxeram um azedume com os vereadores, que culminou no caso da entrega do Semasa para a Sabesp, neste caso mudaram o quórum na hora da votação, se não fosse isso, não teria passado, o que mostra fraqueza do governo na Câmara. Mas o Paulo Serra é um candidato forte e ainda tem a máquina na mão”.

O que diz Bruno Daniel:

“Vimos a pesquisa com uma certa surpresa, mas ao analisar os números percebemos que o resultado vem do reconhecimento do trabalho do meu irmão, aprovado por 73% da população. A pesquisa mostra ainda um desgaste do PT e que as pessoas estão buscando alternativas. Outro fator importante é que a avaliação do governo Paulo Serra não é muito boa. Eu vejo também que as pessoas têm alguma memória do empenho da minha família na elucidação do crime que vitimou meu irmão. O fato de jovens de cerca de 20 anos terem apontado Celso Daniel como maior prefeito da história da cidade se deve também à influência dos pais, que viveram isso e passaram para os filhos. Não há dúvida de que o legado da família Daniel vai ameaçar a reeleição do prefeito. Claro que esse é um retrato do momento e muita coisa pode mudar ainda”.

Bruno Daniel comentou, ainda, sobre outras ocasiões em que seu nome foi colocado para a disputa eleitoral. “Eu que não quis sair. Fui muito assediado, mas foi uma decisão minha não sair candidato. Agora temos de fazer um esforço para viabilizar a candidatura, primeiro tem de passar o nome no partido e podem surgir outros candidatos”.

Carlos Grana minimiza resultado da rejeição 

Citado por 41% dos eleitores no quesito rejeição, o ex-prefeito Carlos Grana (PT) disse respeitar as pesquisas e não demonstrou surpresa com a colocação de Bruno Daniel. “Essa pesquisa não tem nenhuma relação comigo porque não sou candidato. Minha leitura é a seguinte: estamos há um ano e dois meses da eleição, a última, em 2016, foi definida na última semana, ou seja, muita água ainda vai rolar e o PT tem condições de disputar pra valer”.

O petista chamou a atenção para a rejeição do prefeito Paulo Serra, com 13%, em segundo lugar e o baixo índice de aprovação do governo, de apenas 25%. “Com toda a propaganda que faz e tem essa avaliação é porque não está com essa bola toda. Eu respeito todas as pesquisas, mas acho que são uma fotografia do momento, quem tem de se preocupar com os resultados agora é o prefeito atual. O PT, com pouco esforço, estará no segundo turno. O nome do Bruno surge porque ele está ligado diretamente à gestão Celso Daniel, que é o melhor prefeito da história para 73% dos entrevistados”, resume.

Confira a íntegra da pesquisa:

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