A aprovação, pela prefeitura de Diadema, de um condomínio de apartamentos no bairro Serraria, pode colocar em risco a manutenção na cidade do Grupo Delga, a segunda maior empresa da cidade, que emprega 700 trabalhadores diretos. O problema é que a Delga, uma metalúrgica que trabalha em três turnos, geraria impacto de vizinhança e se os futuros moradores reclamarem do barulho poderão inviabilizar as atividades da indústria.
Há um mês que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, prefeitura e Câmara de Vereadores tentam uma solução para o problema. Em outubro a direção da empresa e o sindicato estiveram reunidos com o prefeito Lauro Michels (PV) para tratar do assunto. O empreendimento foi autorizado porque fica em uma pequena faixa onde o zoneamento é misto que, em tese, poderia receber habitações e indústrias. Durante a reunião foi apresentado um abaixo-assinado com cerca de 2 mil rubricas ao prefeito. Uma coleta de assinaturas pela internet também já está circulando. Segundo o diretor da regional de Diadema do sindicato, Claudionor Vieira do Nascimento, ainda não há resposta da prefeitura.
“Naturalmente que, estando ao lado de uma estamparia pesada, que funciona nos três turnos, gerando barulho e impacto no solo, os futuros moradores podem reclamar à Cetesb (Companhia Estadual ) e fatalmente um dos turnos ficaria fechado; com isso, se a empresa não conseguir cumprir com seus compromissos junto a seus fornecedores, poderá ir para outra cidade. Nós acreditamos que o prefeito tem responsabilidade por esses empregos”, disse Nascimento, que adiantou que a empresa, além de ser uma das maiores da cidade, já planeja investimentos na planta de Diadema. A Delga tem outras três unidades no estado (Jarinu, Piratininga e Ferraz de Vasconcelos), e outra em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
De acordo com o dirigente sindical, o prefeito demonstrou interesse em solucionar a questão. “Estamos buscando todas as ações possíveis, dentro do diálogo. O prefeito ficou de avaliar, se comprometeu, mas ainda estamos esperando resposta”, disse Nascimento que na última semana esteve na Câmara de Diadema e entregou cópias do abaixo assinado aos vereadores. O vereador Josemundo Dario Queiroz, o Josa (PT), disse que a comissão de obras da Câmara, disse que questionou a prefeitura, mas não recebeu documentos oficiais. “Não sei como foi feito o estudo de impacto de vizinhança, no mínimo deveria ter sido mais rígido. Precisamos manter os empregos, e também evitar que as pessoas, que seriam as compradoras desses apartamentos não sejam enganadas”, disse o parlamentar.
O Repórter Diário procurou a prefeitura de Diadema para comentar o assunto, mas até o fechamento desta reportagem, não recebeu resposta.
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