Visivelmente revoltado com o encontro protagonizado na véspera entre os dirigentes do PSDB e o prefeito de Santo André, Aidan Ravin (PTB), o vereador Paulinho Serra, pré-candidato majoritário, descarregou nesta terça-feira (20) sua artilharia pra cima dos “superiores”.
Paulinho qualificou como “desrespeitosa”, “desonesta” e “baixa” a articulação que reuniu para um almoço, além do prefeito, o coordenador regional do tucanato, William Dib, o dirigente andreense, Ricardo Torres, e assessores como Euclides Marchi (coordenador da campanha à reeleição de Aidan) e Osmar Mendonça ( assessor e homem da confiança de Dib).
Mesmo sem ter um desfecho oficial, o encontro teve como cardápio, segundo fontes, o xeque-mate nos anseios majoritários – canalizados por Paulinho – para alocar a sigla na órbita de Aidan desde a largada eleitoral, muito provavelmente instalada como vice na chapa petebista.
Segundo ele, mesmo sendo coordenador geral de sua campanha, Torres não o comunicou sobre o evento. “Existe um movimento capitaneado pelo coordenador regional (Dib) e pelo Ricardo Torres para matar a candidatura do PSDB na cidade. Quero que todos (pré-candidatos a vereador) estejam cientes que eu sou contrário e não participei desse conluio e não participo de venda do partido. Eles vão saber quem cobrar”, eletrificou Serra.
Ele – que já havia encontrado caminho livre para arregimentar aliados no pleito, depois da peregrinação pelos principais gabinetes tucanos do Estado, inclusive passando pelo QG do deputado Dib em Brasília – revelou que diante das ações “obscuras” no âmbito municipal já acionou os tucanos da alta plumagem no reduto paulista para saber se o xeque-mate no anseio majoritário tem eco “maior”.
O pleiteante bate o pé perante o triunvirato tucano ao reforçar que a “fritura” da sua candidatura não representa o projeto anti-PT. “Quero ouvir as lideranças verdadeiras do PSDB. Eu não concordo que para o partido crescer não precisa ter candidatura. Esse discurso de um projeto anti-petista é uma falácia. O coordenador defende aliança com o PPS em São Bernardo, mas esquece de citar que o PPS apoiou o Luiz Marinho (PT) na última eleição. O Alex vestiu a camisa do Marinho em 2008. Não há frente anti-PT, existe sim uma boa frente de negociação”, disse. “Já em Santo André chama de parceiro um prefeito que apoiou Dilma Rousseff (PT) contra José Serra”, emendou, referindo-se ao fato de Aidan ter citado, em 2010, que apoiaria Michel Temer (vice de Dilma Rousseff) na corrida presidencial.
Segundo ele, o “PSDB na gestão da atual coordenação vai desaparecer” por não defender o pleito majoritário na região. Até o momento, só a candidatura própria em Rio Grande da Serra, postulada por Gabriel Maranhão, está assegurada.
Além de Santo André, em São Bernardo a sigla vai abrir mão em prol de aliança. O mesmo ocorrerá em São Caetano e Mauá. Em Diadema, o pleito de José Augusto ainda depende do aval da justiça pela possibilidade de ser enquadrada pelo “Ficha Limpa” e, em Ribeirão Pires, a pré-candidatura de Cezar Carvalho, se confirmada, ficará no meio da polarização entre governo e oposição.
William Dib não se posicionou até o fechamento da matéria. Ricardo Torres não foi localizado.
Futuro
Instado se a “fritura” o faria pensar em mudança partidária, Paulinho é evasivo, mas mostra que irá pleitear até as últimas conseqüências. “O futuro é difícil. Se não houver a confirmação do projeto da pré-candidatura, eu vou ser candidato a vereador sem problema nenhum. Depois da eleição a gente vê o que vai acontecer. Mas vou prestar contas aos 70 pré-candidatos a vereador que estão no projeto, pois eu tenho o compromisso de lutar até o fim pela candidatura”.
O tucano, embora na iminente aliança seja obrigado partidariamente a inclinar apoio ao atual prefeito, mostra que irá se rebelar. “Não ficarei ao lado de um governo que está mergulhado em denúncias de corrupção de toda espécie. Vou ficar neutro. Vou fazer o que o partido obrigar protocolarmente”, fincou-se.
Fim da guerra fria
O episódio deflagra a guerra interna travada entre William Dib e Orlando Morando. Os dois duelam a todo momento em qualquer tipo de disputa. Seja qual for o cargo em questão, a dupla sempre está em trincheiras opostas. Paulinho, por ser próximo a Orlando, também é alvo da rusga entre os deputados.
O abismo entre eles ficou claro em 2010, quando Orlando e Paulinho apoiaram, no âmbito regional, a candidatura federal de Bruna Furlan em detrimento ao pleito de Dib. De lá pra cá, o distanciamento só aumenta. A diferença é que com a decisão partidária que se avizinha, as rusgas extrapolam as fronteias dos bastidores tucanos.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
