
Durante anos, o polimetilmetacrilato (PMMA) esteve entre os principais motivos de preocupação em relação aos preenchimentos dos glúteos. Agora, o alerta envolve também a aplicação de grandes quantidades de ácido hialurônico e hidroxiapatita de cálcio. O cirurgião plástico Alexandre Kataoka chama a atenção para o aumento de pacientes com complicações após esses procedimentos, realizados tanto por médicos quanto por profissionais sem formação médica.
Entre os problemas relatados estão infecções, celulites, abscessos e infecções profundas, inclusive com formação de biofilme. Os sintomas podem aparecer semanas ou até meses depois da aplicação. Dependendo da gravidade, o tratamento exige antibióticos, drenagens e, em alguns casos, cirurgias.
“Um produto ser absorvível ou ser chamado de bioestimulador não significa ser isento de riscos”, alerta Kataoka. O especialista também aponta outras possíveis intercorrências, como nódulos, migração do material, reações inflamatórias, necrose e alterações vasculares.
A região dos glúteos exige cuidados específicos por apresentar vasos sanguíneos de grande calibre e estruturas profundas importantes, como nervos e artérias. Por isso, aplicações inadequadas podem provocar complicações graves.
A hidroxiapatita de cálcio merece atenção especial. Embora existam estudos sobre seu uso diluído ou hiperdiluído como bioestimulador, essa finalidade é diferente da aplicação de grandes volumes para aumentar o tamanho dos glúteos. Nesse tipo de procedimento, podem ocorrer endurecimentos, granulomas, inflamações, infecções e problemas vasculares.
Outro aspecto importante é a possibilidade de tratar complicações. O ácido hialurônico pode ser degradado com o uso de hialuronidase em determinadas situações. Já a hidroxiapatita de cálcio não possui uma substância equivalente que permita sua dissolução rápida, o que pode tornar o tratamento de intercorrências mais difícil.
Segundo Kataoka, a segurança desses procedimentos depende de diversos fatores, como a indicação adequada, o conhecimento da anatomia, a técnica utilizada, o volume aplicado e os cuidados de antissepsia. Também é fundamental reconhecer e tratar precocemente qualquer sinal de complicação.
O cirurgião ressalta que as intercorrências nos glúteos podem exigir tratamentos complexos e deixar sequelas permanentes. Quando há necessidade de cirurgia, as cicatrizes podem ser extensas e acompanhar o paciente por toda a vida.
Fonte: Dr. Alexandre Kataoka, cirurgião plástico, perito concursado da Secretaria da Justiça de São Paulo (IMESC), membro da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Federal de Medicina (CFM), conselheiro responsável pela Câmara Técnica do Cremesp e coordenador de Comunicação do Cremesp.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
