
O zumbido no ouvido, a misofonia e a hiperacusia podem afetar a qualidade de vida, interferindo no sono, na concentração e no equilíbrio emocional. A campanha Novembro Laranja chama a atenção para esses problemas que provocam irritabilidade, desconforto e dificuldades para realizar atividades cotidianas.
O uso de fones de ouvido com volumes elevados e por períodos prolongados também merece atenção, especialmente entre adolescentes e jovens.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum grau de perda auditiva, número que poderá chegar a 2,5 bilhões até 2050. Desse total, mais de 700 milhões necessitarão de reabilitação auditiva.
A preocupação com a exposição sonora entre o público jovem foi foco de uma pesquisa publicada em 2026 na revista Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, que analisou dados de saúde dos Estados Unidos. O estudo identificou aumento de zumbido entre pessoas de 18 a 24 anos e o índice passou de 5,8%, em 2008, para 7,8%, em 2023. O estudo também encontrou associação entre a exposição a sons muito altos e à ocorrência do sintoma, embora não atribua o aumento exclusivamente ao uso de fones de ouvido.
Para o otorrinolaringologista Thiago Brunelli, do Hospital Santa Casa de Mauá, sintomas auditivos persistentes não devem ser ignorados, mesmo quando não há perda de audição perceptível. “A avaliação médica é importante para investigar as causas e definir a conduta mais adequada para cada paciente”, explica.
O zumbido ou tinnitus é a percepção de um som sem uma fonte sonora externa e pode ser semelhante a apitos, chiados, assobios ou ao ruído de uma cigarra. Ele pode ser ocasional, mas quando persistente e intenso, dificulta o sono, prejudica a concentração, provoca irritabilidade e ansiedade.
O sintoma pode estar associado a diferentes condições, como alterações auditivas, exposição a ruídos intensos e outros problemas de saúde. Segundo uma revisão científica publicada na revista JAMA Neurology, estima-se que mais de 740 milhões de adultos no mundo apresentam algum tipo de zumbido. Desse total, cerca de 120 milhões convivem com formas graves.
Na misofonia, alguns sons, às vezes repetitivos e produzidos por outras pessoas, desencadeiam reações emocionais intensas. Nesse caso, mesmo não sendo altos, a mastigação, respiração, tosse ou deglutição podem provocar irritação, desconforto e ansiedade.
Já a hiperacusia é a tolerância reduzida a sons que, para a maioria das pessoas, são comuns ou suportáveis. Os ruídos do ambiente podem ser percebidos como excessivamente intensos, levando a pessoa a evitar determinadas situações. O quadro pode estar relacionado a diferentes condições e requer investigação.
“A identificação da causa orienta o tratamento que pode envolver diferentes abordagens conforme o quadro. Embora nem todos os casos tenham cura, existem estratégias capazes de reduzir o incômodo e melhorar a qualidade de vida”, orienta Thiago Brunelli.
A prevenção também é importante e entre os cuidados estão evitar a exposição prolongada a sons intensos, manter o volume dos fones de ouvido em níveis seguros e fazer pausas durante o uso. A revisão de estudos publicada em 2022 na revista BMJ Global Health estimou que 23,8% dos jovens avaliados estavam expostos a níveis sonoros inseguros por meio de dispositivos de áudio pessoais.
Em ambientes barulhentos, a utilização de proteção auditiva adequada pode ajudar a reduzir os riscos. Ao perceber mudanças na audição ou desconforto persistente diante de sons, a orientação profissional é fundamental.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
