
A confirmação de casos de peste pneumônica em diferentes países e o monitoramento realizado pelas autoridades de saúde têm despertado dúvidas na população sobre os riscos da doença.
Apesar de ser considerada rara, a peste pneumônica é a forma mais grave da peste e requer diagnóstico rápido e tratamento imediato para reduzir o risco de complicações e de transmissão.
Segundo Kelly Cristina Batista de Souto Queiroz, professora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), embora o nome desperte preocupação, a doença possui características bem conhecidas pela ciência e pode ser tratada quando identificada precocemente.
“A peste pneumônica é uma doença infecciosa grave, mas rara. O mais importante é compreender que existem métodos de diagnóstico, tratamento eficaz com antibióticos e protocolos internacionais de vigilância capazes de controlar rapidamente possíveis casos.”
O que é a peste pneumônica?
A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis, a mesma responsável pelas epidemias históricas conhecidas como Peste Negra.
Existem três formas principais da doença:
• peste bubônica;
• peste septicêmica;
• peste pneumônica, considerada a forma mais grave.
Na peste pneumônica, a bactéria atinge os pulmões, podendo ser transmitida entre pessoas por meio de gotículas respiratórias expelidas ao tossir, espirrar ou em ambientes mal ventilados com agrupamentos de pessoas.
Quais são os sintomas?
Os sintomas costumam surgir rapidamente e podem incluir:
• febre alta;
• calafrios;
• dor de cabeça intensa;
• fraqueza;
• tosse;
• dor no peito;
• dificuldade para respirar;
• escarro com sangue em alguns casos.
“Os sintomas podem evoluir rapidamente. Por isso, pessoas com suspeita da doença devem procurar atendimento médico imediatamente para receber avaliação e tratamento adequados.”
Como ocorre a transmissão?
Na natureza, a bactéria circula principalmente entre roedores silvestres através da infestação de pulgas.
A forma pneumônica, entretanto, pode ser transmitida diretamente entre pessoas por meio de secreções respiratórias durante contato próximo e prolongado com um indivíduo infectado.
Segundo a professora, essa característica torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.
Existe tratamento?
A peste pneumônica pode ser tratada com antibióticos, especialmente quando o tratamento é iniciado nas primeiras horas após o aparecimento dos sintomas.
Além da medicação, pacientes podem necessitar de isolamento respiratório durante o período de transmissibilidade, conforme avaliação médica.
“O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de recuperação e menor o risco de transmissão para outras pessoas.”
Há risco para o Brasil?
Segundo a Profa. Kelly, o Brasil mantém sistemas de vigilância epidemiológica capazes de identificar rapidamente doenças de importância internacional.
Embora existam áreas naturais onde a bactéria já foi identificada no passado, casos humanos são extremamente raros e permanecem sob monitoramento das autoridades sanitárias.
“Não há motivo para pânico. O país possui protocolos de vigilância epidemiológica e profissionais capacitados para investigar rapidamente casos suspeitos e adotar as medidas necessárias.”
Como se prevenir?
As principais recomendações incluem:
• evitar contato com animais silvestres doentes ou mortos;
• não manipular roedores sem proteção;
• manter controle de pragas em áreas urbanas e rurais;
• procurar atendimento médico diante de sintomas compatíveis após viagens ou exposições de risco;
• seguir as orientações das autoridades de saúde em caso de surtos.
Informação é a melhor prevenção
A professora alerta que, em momentos de maior repercussão na mídia, é comum o surgimento de informações falsas.
“Buscar informações em fontes confiáveis é fundamental. A desinformação pode gerar medo desnecessário e dificultar o enfrentamento das doenças. A ciência oferece conhecimento, prevenção e tratamento baseados em evidências.”
O papel da Biomedicina
Para a Profa. Me. Kelly Cristina Batista de Souto Queiroz, profissionais biomédicos desempenham papel essencial no diagnóstico laboratorial, na vigilância epidemiológica, na pesquisa científica e no monitoramento de doenças infecciosas.
“A Biomedicina contribui diretamente para identificar agentes infecciosos, desenvolver métodos diagnósticos e apoiar as estratégias de vigilância em saúde. Investir em ciência, pesquisa e prevenção é a melhor forma de proteger a população contra doenças emergentes e reemergentes.”
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
