
Os donos de postos de combustíveis do ABC estão organizando um boicote a duas bandeiras de cartão usadas em frotas para abastecimento de veículos. Segundo o Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do ABCDMRR) as altas taxas de administração e o atraso no repasse dos valores para os estabelecimentos comerciais são os motivos para a recomendação aos associados se descredenciarem das bandeiras City Card e ValeCard, esta última que tem contrato com a Secretaria de Segurança Pública para o abastecimento das viaturas da Polícia Militar.
“Estão nos dando um calote. Além de uma taxa de administração exorbitante entre 10% e 12% essas instituições financeiras estão atrasando para pagar. Os repasses que deveriam ser feitos em 20 dias tem casos de atraso de 60 outros até 90 dias. Mesmo para quem tem muito capital de giro esperar esse tempo todo para pagamento, não compensa”, explica Roberto Leandrini Júnior, presidente do Regran.
O sindicato patronal já está recomendando o descredenciamento dos postos junto a essas duas bandeiras de cartões e agora quer organizar um movimento maior para boicotar essas empresas que estão lesando o setor, segundo a análise da entidade. “A nossa margem de lucro não passa dos 16% e eles nos cobram 12% de administração, eles corroem o nosso lucro, viraram sócios dos postos, e ainda atrasam. Tentamos marcar reuniões com essas empresas de cartão e não nos atendem, por isso estamos organizando esse boicote”, diz Leandrini Júnior.
A situação da ValeCard, que é contratada para que as viaturas da Polícia Militar no Estado sejam abastecidas nos postos, é a mais delicada, considerando que o boicote pode resultar em falta de combustível para a polícia fazer seu trabalho. “Em todo Estado é a ValeCard que fornece esse serviço. Toda viatura tem um cartão desses para abastecimento, por isso tentamos resolver o problema com as empresas, mas não tiveram nenhuma sensibilidade, a gente faz solicitação de reunião e nem resposta nos dão”, completa o representante do setor.
Negociação

Nota do ValeCard aponta que há canal para relacionamento com os estabelecimentos credenciados e que a empresa está disposta a conversar com o setor. “A ValeCard tem como prioridade o diálogo e a busca por soluções que atendam às necessidades de seus estabelecimentos parceiros. A empresa está à disposição para ouvir, esclarecer dúvidas e avaliar individualmente cada situação, considerando as particularidades de cada estabelecimento e de sua relação comercial. Para facilitar esse contato, a ValeCard disponibiliza diferentes canais de atendimento, incluindo telefone, WhatsApp e um sistema específico para solicitações de renegociação. Por meio desses canais, os parceiros podem apresentar suas demandas e buscar, junto à empresa, alternativas adequadas a cada realidade. A ValeCard mantém seu compromisso com a transparência, a proximidade e a construção de um relacionamento de confiança com sua rede de estabelecimentos”, diz a empresa.
O RD não obteve retorno da administradora de cartões City Card.
Também em nota, a Polícia Militar diz que dispõe de mecanismos que podem garantir o abastecimento em caso de problemas com abastecimento pelos postos locais. A corporação diz ainda que problemas no contrato podem resultar em impedimento para participar de novas licitações. Veja a íntegra do posicionamento:
“A Polícia Militar informa que o contrato com a instituição de pagamento, firmado em março de 2026, atende a frota corporativa em todo o Estado. A vigência é de 30 meses, com possibilidade de prorrogação. A PM também conta com postos próprios e mecanismos legais para compras emergenciais, a fim de evitar interrupções no abastecimento e garantir a continuidade do policiamento. A corporação acompanha continuamente a disponibilidade dos postos credenciados, fiscaliza a prestação do serviço e o cumprimento das obrigações contratuais. As taxas de administração e os prazos de repasse aos estabelecimentos são questões da relação comercial entre a empresa e os postos. A contratada, porém, é responsável por manter rede ampla e operacional. Eventuais falhas ou descumprimentos contratuais podem resultar em sanções, como advertência, multa, rescisão e impedimento de licitar”.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
