Com a aproximação do período de chuvas mais intensas, o ABC tem R$ 326 milhões em obras de drenagem previstas para ampliar a capacidade de escoamento e reduzir os riscos de enchentes. O montante reúne projetos de R$ 260 milhões da SP-Águas para a canalização do Rio Tamanduateí e a implantação de dois reservatórios, além de R$ 66 milhões previstos por Santo André para ampliar o sistema de drenagem na bacia do Córrego Guarará. Paralelamente, prefeituras e Estado executam serviços de limpeza, desassoreamento e capinagem em estruturas existentes.
A SP-Águas, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado, informa que é responsável por 19 reservatórios no ABC. São 10 em São Bernardo, quatro em Mauá, três em Diadema, um em São Caetano e um em Santo André, e em 2026, o órgão realizou serviços de desassoreamento e/ou capinagem em 18 dessas estruturas. A periodicidade das intervenções varia conforme o acúmulo de sedimentos, as condições operacionais e as necessidades identificadas pelas equipes técnicas.

Segundo a SP-Águas, a ausência de desassoreamento em determinado ano não representa, isoladamente, falta de manutenção ou comprometimento da capacidade operacional. O órgão considera as condições de cada reservatório para definir a necessidade e o intervalo entre os serviços.
Estado programa novas intervenções
Entre os reservatórios estaduais, alguns apresentam intervalos maiores desde o último desassoreamento. O Mercedes Piraporinha, em Diadema, recebeu o serviço pela última vez em agosto de 2023. Já o Praça dos Bombeiros, em São Bernardo, passou pela intervenção em abril de 2024. Para ambos, a SP-Águas prevê novos trabalhos em novembro de 2026.
Em Mauá, o reservatório Petrobras tem desassoreamento contínuo, segundo o órgão, e recebeu capinagem pela última vez em maio de 2026. O Sonia Maria e o Paço Municipal passaram por desassoreamento e capinagem em julho, e no Corumbé Zaira, o último desassoreamento ocorreu em agosto, enquanto a capinagem foi realizada em julho.
Em Diadema, o reservatório Casa Grande recebeu desassoreamento em fevereiro de 2026 e capinagem em julho. No Ecovias, os serviços ocorreram em setembro e julho, respectivamente, e no Mercedes Piraporinha teve capinagem em julho, mas o último desassoreamento registrado pela SP-Águas ocorreu em agosto de 2023.
Em São Bernardo, o Volks Demarchi passou por desassoreamento em janeiro e capinagem em março. No Ford Fábrica, o desassoreamento ocorreu em março e a capinagem em julho. O Canarinho recebeu desassoreamento em abril e capinagem em junho, enquanto o Taboão teve os dois serviços em maio. No Mercedes Paulicéia, o desassoreamento ocorreu em agosto e a capinagem em junho. O Vila Rosa recebeu desassoreamento em setembro e capinagem em agosto, o Chrysler teve desassoreamento em setembro e a capinagem em maio, e o Capitão Casa também recebeu desassoreamento em setembro e capinagem em julho. Já o Ford Taboão passou pelos dois serviços em setembro.
No reservatório Praça dos Bombeiros, o último desassoreamento ocorreu em abril de 2024, com a capinagem sob responsabilidade da Prefeitura de São Bernardo. Em São Caetano, o reservatório São Caetano recebeu desassoreamento em maio e capinagem em setembro. Já o reservatório Faculdade de Medicina, em Santo André, passou por desassoreamento em agosto e capinagem em julho.
Para novembro, a SP-Águas prevê desassoreamento nos reservatórios Paço Municipal, Mercedes Piraporinha, Casa Grande, Praça dos Bombeiros e Ford Fábrica e, além disso, a programação de capinagem inclui Paço Municipal, Petrobras, Ecovias, Taboão e Capitão Casa.
Em dezembro, os serviços de desassoreamento devem ocorrer no Sonia Maria, Taboão e Canarinho. A capinagem está prevista para Corumbé Zaira, Sonia Maria, Casa Grande, Vila Rosa, Ford Fábrica, São Caetano e Faculdade de Medicina. O desassoreamento do reservatório Petrobrás permanece em execução contínua.
A programação poderá sofrer alterações conforme as condições verificadas pelas equipes técnicas, inclusive com antecipação ou prioridade para intervenções diante de necessidades operacionais e da ocorrência de chuvas mais intensas.
Prefeituras também relatam serviços
Em Santo André, a Prefeitura informa que possui cinco piscinões sob responsabilidade municipal: Bom Pastor, Homero Thon, Jardim Irene, Santa Terezinha e Vila América. Conforme vistorias técnicas, todas as estruturas estão em condições normais de operação.
Quatro reservatórios passaram por serviços de limpeza e manutenção em 2026: o Bom Pastor recebeu intervenção em maio; o Jardim Irene, em julho; o Santa Terezinha, em setembro; e o Vila América, em outubro. No Homero Thon, a vistoria não identificou necessidade de limpeza. A administração afirma que os serviços retiraram materiais sedimentados e vegetação acumulada, sem apontar necessidade atual de novos reparos.
O município destinou R$ 485 mil aos serviços de limpeza, desassoreamento e transporte de resíduos em 2025. Em 2026, o valor chegou a R$ 520 mil. Eventuais novos investimentos até o fim do ano dependerão das necessidades identificadas e da programação dos serviços. A manutenção ocorre de forma rotineira, conforme as inspeções técnicas, sem um calendário fixo divulgado pela Prefeitura.
Além da conservação dos reservatórios, Santo André prevê R$ 66 milhões em obras de ampliação do sistema de drenagem nas regiões da Vila América e Vila Pires, na bacia do Córrego Guarará. O projeto contempla sete microrreservatórios nas ruas Tucuruí, Armida, Caiapós, Álida, Cajuru, Icaraí e Santa Joana D’Arc, além da ampliação da estação elevatória e do sistema de bombeamento da Vila América.
São Bernardo começou manutenção no Paço em setembro
Em São Bernardo, a Prefeitura iniciou em setembro a limpeza e a manutenção preventiva do Piscinão do Paço, que tem capacidade para armazenar 220 milhões de litros de água. As chuvas intensas registradas em setembro e no início de outubro exigiram o escoamento gradual do volume acumulado, em etapas nos períodos de estiagem, por questões de segurança dos trabalhadores. Com a conclusão dessa fase, os serviços avançaram para limpeza, lavagem, desassoreamento e manutenção geral. O reservatório recebe água por meio de um túnel de 950 metros de extensão, seis metros de diâmetro e 18 metros de profundidade, que parte da Alameda Glória em direção ao Paço Municipal. Após a redução do nível do córrego, a água armazenada pode ser bombeada para o Ribeirão dos Meninos.
A administração afirma que as estruturas de controle de inundações, como piscinões, pôlderes e estações elevatórias, operam 24 horas por dia, sete dias por semana. Também cita obras de micro e macrodrenagem, limpeza de bocas de lobo, coleta porta a porta e Programa Bota-Fora entre as ações de prevenção. A Prefeitura ainda menciona o início das obras de drenagem na Vila Galileia.
Diadema conta com três piscinões: Casa Grande, Piraporinha e Ecovias-Imigrantes. A Prefeitura afirma que a limpeza dessas estruturas é executada por um consórcio estadual e que o desassoreamento e a capinagem dos três locais ocorreram no primeiro semestre de 2026. O município acompanha os trabalhos e comunica ao órgão responsável eventuais problemas técnicos nos reservatórios.
Estado prepara projetos de R$ 260 milhões
Além da manutenção dos reservatórios existentes, a SP-Águas concluiu os projetos executivos para a canalização do rio Tamanduateí e a implantação dos reservatórios RT-15 e RT-16. O órgão investiu aproximadamente R$ 1,2 milhão na elaboração dos projetos.
A execução das futuras obras tem custo estimado em R$ 260 milhões. Atualmente, estão em curso as providências relacionadas às questões fundiárias e ao licenciamento ambiental necessários para viabilizar as intervenções. Não há, na resposta encaminhada, uma data definida para o início das obras.
Especialista critica modelo de drenagem urbana
Para o professor e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Santo André, Enrique Staschower, a manutenção dos piscinões representa apenas uma parte da discussão sobre as enchentes. O professor critica a forma como os governos tratam a drenagem e os rios, com medidas voltadas aos efeitos do problema, sem enfrentar suas causas históricas.“Os piscinões são tentativa de solucionar um problema antigo de canalização e retificação de rios, que se mostrou ineficiente, além da ocupação de áreas de várzea”, afirma.
Staschower explica que a Região Metropolitana está em uma área de campina, na qual os rios correm da serra para o interior, em vez de seguir diretamente para o mar. No ABC, córregos e áreas naturais de espraiamento foram ocupados ao longo das décadas. A canalização e a retificação dos cursos d’água também alteraram a velocidade do fluxo. “Então, o problema não é a quantidade de água e sim como impedir ela chegar tão rápido. Confinaram os rios e quando chove muito eles saem da sua calha e mostram todo o seu poder”, destaca.
O professor também aponta a existência de soluções baseadas na natureza, mas avalia que a urbanização das cidades ocorreu antes da adoção dessas alternativas. “Há soluções baseadas na natureza, mas que foram descobertas após a urbanização das cidades que, agora, tentam fazer remendos”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
