
A “Mostra PLAY! – Arte Interativa Urbana” está de volta para colocar as pessoas para jogar e ocupar o espaço público com arte inspirada em games. Em 2026, a 7ª edição do evento cresceu, ganhou o patrocínio da Sabesp e, pela primeira vez, viaja para além da capital paulista. Santo André é a primeira cidade do circuito, que posteriormente passará por Boituva, Cotia, São Paulo e Várzea Paulista.
Entre 28 de outubro e 01 de novembro, a exposição de arte digital ocupa o Paço Municipal de Santo André, em frente à Biblioteca Nair Lacerda, com sete obras lúdicas de arte digital: duas interativas (nas quais o público poderá jogar), quatro visuais e uma ação de intervenção urbana com projeção de laser em grande escala. As atrações são gratuitas e estarão ligadas das 09 às 21h.
Saiba mais sobre as obras abaixo.
Nos dias 19 e 20 de outubro, a “Mostra PLAY! – Arte Interativa Urbana” promoveu o Workshop Gamemaker para os alunos da Escola Estadual Dr. Américo Brasiliense. A experiência educativa, artística e tecnológica contou com jovens de 11 a 12 anos. Veja aqui. A partir de uma reflexão sobre o tema Patrimônio Cultural, eles criaram um videogame com a estética pixel art dos games clássicos. O resultado faz parte da mostra e o público poderá jogar o game construído pelos alunos.
SANEA.BOT (2026)
Game interativo com temática de saneamento, que acompanha a rotina de um robô de manutenção, responsável pelo funcionamento de uma estação de tratamento de água e esgoto. Com uma mecânica inspirada no clássico Super Mario Bros., o jogador controla o personagem em busca de chaves necessárias para restaurar quatro setores essenciais: manutenção, conexão, filtragem e tratamento químico da água. O jogo destaca a importância do saneamento básico e do acesso à água tratada, serviços fundamentais para a saúde e o funcionamento das cidades.
André Oliveira é um artista multimídia e creative coder baseado em São Paulo, fundador do estúdio criativo Onion Dreams. Seu trabalho envolve arte, tecnologia e cultura urbana e explora linguagens como programação criativa, audiovisual, games e instalações digitais. Sua estética é marcada pelo uso de glitch art e pelo low-tech futurista, criando universos que misturam imperfeição digital, ruído e linguagem computacional retrô com referências contemporâneas.
Gamemaker (2026)
Game interativo no qual a jogabilidade se baseia em coletar ou desviar de símbolos em pixel arte que surgem na tela do jogo. Cada elemento simboliza um valor positivo ou negativo que ilustra os temas desenvolvidos pelos estudantes, como: bullying e sustentabilidade.
O game é o resultado inédito dos workshops realizados em cada cidade do projeto e ministrados pela pedagoga Ana Helena de Mello e a arte educadora Karen Keppe com programação e design do artista André de Oliveira.
Karen Keppe é artista, arte educadora e produtora cultural. Desde 2007, ela investiga as relações entre arte, performance e tecnologia, produzindo instalações artísticas e atividades educativas. Nesta atividade, é responsável pela introdução à pixel art, à estética 8 bits e ao uso de ferramentas digitais e de inteligência artificial na criação dos elementos visuais.
Ana Helena de Mello é pedagoga. Durante o workshop, ela é a responsável pela mediação das discussões, pela abordagem dos conceitos sociais e pela organização da criação coletiva.
Um jogo para a Vovó Zezé (2026)
Nas férias de Minas Gerais, o tempo tinha outra textura: era feito de retalhos de mosaico colados a quatro mãos, de cartas viradas na mesa da cozinha, do baralho do buraco entre uma xícara de café e um pão de queijo. Essa animação visual nasce dessas tardes como um retrato afetivo da relação entre avó e neta contada através dos jogos que atravessaram gerações.
Do artesanal ao digital, a obra segue uma linha do tempo lúdica e dá vida a um game atravessado por referências que marcaram a infância dos videogames de corrida: o caos multicolorido de Mario Kart, e o espírito de disputa amigável da Corrida Maluca. Personagens ilustrados correm por uma pista de memórias, onde cada ultrapassagem é um abraço quentinho de vovó.
Luv (Luiza Viana) é uma artista multimídia que funde vídeo, creative coding, escultura e arquitetura de luz e projeção. Seu trabalho é enraizado no folclore brasileiro e na tradição literária do Realismo Mágico. Ela é Diretora Criativa do MOV Festival, uma plataforma de arte e tecnologia que produz experiências em grande escala. Possui MFA em Artes Interativas pelo Pratt Institute, em Nova York.
Bruta (2026)
Uma videoperformance que convida o público a refletir sobre sua própria relação com o espaço e o tempo da cidade contemporânea, investigando como o corpo se insere, se transforma e ressignifica esses territórios em um contexto pós-pandêmico de hiperconexão digital.
A obra possui imagens gravadas em um parque arborizado com cortes abruptos, erros de frame e distorções digitais que atravessam momentos de fluidez e respiro. O verde insiste em meio à cidade, evidenciando a relação contraditória entre natureza e espaço urbano, territórios que nunca estiveram de fato separados.
Nthcrvlh (Nathália Carvalho) é uma artista visual carioca. Como VJ, é reconhecida por seu trabalho audiovisual para festas e festivais, como Rio Innovation Week, The Town, Rock in Rio, Rock the Mountain, e grandes artistas nacionais, como Ivete Sangalo, Gloria Groove e Di Ferrero. Ela é residente do Coletivo Eixo Z e se inspira pelas tensões e fascínios do ambiente cibernético/digital, e pelo paradoxo que ele representa na vida humana e na relação com a natureza. Suas obras abstratas contém estéticas glitch e pixel art.
ISSOMEMO (2024)
Videoarte que exibe uma catalogação de passos e coreografias de danças urbanas contemporâneas, disseminadas por inúmeras cidades brasileiras. A obra oferece uma vivência visual que se conecta à linguagem da pop art. Cada frame é editado com efeitos vibrantes e uma paleta de cores nostálgicas, remetendo aos vídeos e cards de videogames dos anos 90.
Super Jogos Clássicos Megamix (2022)
A obra de game arte homenageia os jogos clássicos, tanto de tabuleiro quanto eletrônicos, como: Space Invaders, Tetris e o Jogo da Cobra. Feita a partir de elementos presentes no imaginário coletivo, ela mistura os universos analógico e digital. A estética retrô se relaciona com os videogames 16-bit como o Super Nintendo e o Mega Drive.
Vini Fabretti é um artista de novas mídias que integra arte e tecnologia em projetos experimentais. Formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dedicou quase 20 anos à investigação da interseção entre imagem digital e expressão artística, atuando em festivais e mostras no Brasil e no exterior. Seus projetos exploram dimensões filosóficas da condição humana e da capacidade transformadora da tecnologia.
Laser Mapping PLAY! (2026)
Ação de intervenção de projeção de laser em grande escala em edifícios e árvores, transformando esses elementos urbanos em estruturas animadas. Por meio de animações luminosas a intervenção revela as infra estruturas ocultas que atravessam a cidade como redes de esgoto e sistemas de captação, tratamento e distribuição de água, tornando visíveis os fluxos invisíveis que sustentam a vida urbana.
Arquiteto e artista visual, Homem Gaiola (Rafael Cançado) é diretor do Darklight Studio Brasil e idealizador dos festivais Rota das Luzes e Horizontes Mapping. Sua atuação se concentra na direção de experimentações visuais que articulam luz, laser e projeções, com foco em intervenções de grande escala como a obra “Digital Landscapes”, composta por 1,1 km de projeções contínuas. Esteve presente em eventos como o Lille Mapping Festival (França), iMapp (Romênia) e Epson Mapping Challenge (Costa Rica), além de participar do Sónar e do Llum BCN, em Barcelona.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
