
A vacinação contra a meningite ganhou destaque com a atualização das recomendações de imunização no Brasil. As mudanças buscam ampliar a proteção contra formas graves da doença, especialmente entre crianças, e reforçam a importância de manter a carteira de vacinação atualizada.
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser provocada por diferentes agentes infecciosos, incluindo vírus, bactérias e fungos. Entre as formas mais preocupantes está a meningite bacteriana, que pode evoluir rapidamente e provocar complicações graves, como perda auditiva, sequelas neurológicas e até a morte.
Segundo Mariana Cristina Silva, coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), compreender as mudanças nas recomendações de vacinação é fundamental para que as famílias possam proteger crianças e adolescentes.
“A meningite é uma doença que exige atenção porque algumas de suas formas podem apresentar evolução muito rápida. A vacinação é uma das principais estratégias de prevenção, pois contribui para reduzir o risco de infecções graves, complicações e mortes. Manter o calendário vacinal atualizado é uma medida essencial de proteção individual e coletiva”, explica Mariana.
O que muda na vacinação contra a meningite?
Uma das principais mudanças no Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi a substituição da dose de reforço da vacina meningocócica C pela vacina meningocócica ACWY, aos 12 meses de idade.
A alteração amplia a proteção oferecida no reforço, e passa a contemplar quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis: A, C, W e Y. Anteriormente, o reforço nessa idade era realizado com a vacina meningocócica C, que protege especificamente contra o sorogrupo C.
Com a atualização, o esquema infantil passou a prever duas doses da vacina meningocócica C, aos 3 e 5 meses, seguidas do reforço com a meningocócica ACWY aos 12 meses. Em setembro de 2026, a Anvisa aprovou a ampliação do uso da vacina ACWY para bebês a partir de 6 semanas de idade, além de crianças e adultos.
A vacina meningocócica ACWY também integra as recomendações de imunização para adolescentes, conforme as faixas etárias e orientações vigentes do Ministério da Saúde.
A mudança representa uma ampliação da cobertura contra diferentes sorogrupos da bactéria meningocócica, responsável por infecções invasivas potencialmente graves.
Por que ampliar a proteção?
A meningite meningocócica é causada por uma bactéria que pode apresentar diferentes sorogrupos. A proteção oferecida por uma vacina depende dos sorogrupos contemplados em sua composição.
A vacina meningocócica ACWY amplia a proteção contra quatro desses grupos, o que contribui para a prevenção de doenças meningocócicas invasivas.
Para Mariana, a atualização das estratégias de imunização acompanha o avanço do conhecimento científico e das necessidades de saúde pública.
“A ciência está em constante evolução, e as recomendações de vacinação precisam acompanhar esse desenvolvimento. A ampliação da proteção contra diferentes sorogrupos da bactéria meningocócica é importante porque permite prevenir infecções que podem causar consequências graves, principalmente em crianças e adolescentes”, diz a preofessora.
A especialista também ressalta que não existe uma única vacina capaz de prevenir todas as formas de meningite. A imunização contra o meningococo do sorogrupo B, por exemplo, exige uma vacina específica, que não faz parte da composição da ACWY.
Outras vacinas do calendário nacional, como as pneumocócicas e a vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b, também ajudam a prevenir determinadas formas de meningite bacteriana.
Quais são os principais sintomas?
Os sinais de meningite podem variar conforme a idade e o agente causador. Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Febre, geralmente acompanhada de mal-estar intenso;
- Dor de cabeça forte e persistente;
- Rigidez na nuca;
- Náuseas e vômitos;
- Sensibilidade à luz;
- Sonolência excessiva ou confusão mental;
- Manchas arroxeadas na pele em alguns casos de doença meningocócica.
Em bebês, os sintomas podem ser menos específicos, incluindo irritabilidade, recusa alimentar, choro persistente, sonolência e abaulamento da moleira.
A presença de sintomas sugestivos de meningite exige avaliação médica imediata. Não se deve esperar pelo aparecimento de todos os sinais para procurar atendimento.
A meningite é contagiosa?
Alguns agentes causadores da meningite podem ser transmitidos entre pessoas, principalmente por secreções respiratórias e contato próximo.
No caso da doença meningocócica, a transmissão pode ocorrer por contato direto com secreções da pessoa infectada ou de portadores da bactéria, especialmente em situações de convivência próxima.
Por isso, além da vacinação, medidas como higiene das mãos, ventilação dos ambientes e acompanhamento das orientações das autoridades de saúde são importantes.
Em determinadas situações, pessoas que tiveram contato próximo com um caso confirmado podem precisar receber antibióticos preventivos, conforme avaliação dos serviços de vigilância epidemiológica.
Qual é o papel da Biomedicina na prevenção da doença?
O diagnóstico laboratorial desempenha papel fundamental na identificação dos agentes causadores da meningite e no direcionamento das medidas de controle.
Profissionais biomédicos habilitados podem atuar em análises clínicas, microbiologia, biologia molecular, pesquisa científica e outras atividades relacionadas à identificação de microrganismos e ao monitoramento de doenças infecciosas.
Na Fundação Santo André, a formação em Biomedicina busca integrar conhecimento científico, prática laboratorial, inovação tecnológica e responsabilidade social, preparando profissionais para contribuir com os desafios da saúde contemporânea.
“O biomédico possui um papel importante na identificação dos agentes infecciosos, na investigação laboratorial e na produção de conhecimentos que contribuem para a prevenção e o controle das doenças. A formação científica é essencial para que os futuros profissionais compreendam a importância do diagnóstico preciso e da vigilância epidemiológica”, diz Mariana
Informação e vacinação salvam vidas
Para a professora, a principal orientação às famílias é acompanhar o calendário de vacinação e buscar informações em fontes oficiais, como o Ministério da Saúde e as secretarias municipais de Saúde.
A especialista reforça que a vacinação não elimina todas as possibilidades de meningite, mas representa uma das medidas mais eficazes para prevenir determinadas formas graves da doença.
“A prevenção começa com informação de qualidade. É fundamental que pais e responsáveis conheçam as vacinas recomendadas, mantenham a imunização em dia e estejam atentos aos sinais de alerta. A vacinação é um investimento na saúde das crianças, das famílias e de toda a sociedade”, afirma Mariana.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
