
O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP) “Prof. Alexandre Vranjac” confirmou na terça-feira (28/09) três novos casos de sarampo, elevando para 40 o total registrado no estado em 2026. Os pacientes são moradores da capital: dois homens, de 18 e 21 anos, e uma bebê de 1 ano.
Os novos registros estão vinculados a cadeias de transmissão identificadas e acompanhadas desde junho. As cadeias de transmissão do sarampo mostram o caminho que o vírus faz de uma pessoa doente para uma pessoa saudável. O monitoramento realizado pelas equipes municipais e estadual, aponta uma tendência de redução da transmissão. Em Guarulhos e São Bernardo, a vigilância também monitora a possibilidade de encerrar a cadeia de transmissão associada aos casos registrados.
Para confirmar a interrupção de uma cadeia, o período de referência é de 90 dias (ou 12 semanas) sem novos casos relacionados, contados a partir do início das manchas na pele (exantema) do último caso confirmado. Durante o intervalo, seguem a investigação das notificações suspeitas e a busca ativa de casos.
A confirmação laboratorial de três casos nesta terça-feira ocorreu no contexto do monitoramento já em curso, a partir do acompanhamento de contatos e das ações de busca ativa realizadas pela vigilância epidemiológica. Até agora, mais de 1.700 notificações suspeitas foram descartadas no estado. As ações incluem busca ativa, rastreamento de contatos, análise laboratorial pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) e, quando confirmado, o sequenciamento do genótipo do vírus com apoio da Fiocruz.
De acordo com a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini, nos municípios com casos confirmados, as equipes mantêm o monitoramento dos contatos e realizam bloqueio vacinal conforme a investigação epidemiológica.
Contexto epidemiológico
O Brasil mantém o status de eliminação da transmissão endêmica do sarampo, mesmo com a confirmação de casos neste ano em São Paulo, no Amazonas e no Rio de Janeiro. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) descreve a situação do Brasil e do Estado de São Paulo como transmissão limitada, com um cenário de casos esporádicos em que as cadeias de transmissão estão identificadas e com medidas de contenção adotadas.
A primeira cadeia, registrada entre março e abril e associada a dois casos importados, foi encerrada após 12 semanas sem novas ocorrências relacionadas. As cadeias identificadas em junho, julho e agosto permanecem sob acompanhamento das equipes municipais e estadual.
O sarampo é uma doença de transmissão respiratória, altamente contagiosa, e que pode ser transmitida antes mesmo do início do aparecimento das manchas vermelhas, quando é feita a suspeita clínica.
Perfil dos casos
Dos 40 casos confirmados, 30 ocorreram em pessoas sem registro de vacinação contra o sarampo ou com registro vacinal incompleto. Entre os três pacientes incluídos nesta atualização, o homem de 21 anos e a menina de 1 ano têm uma dose registrada; o homem de 18 anos não tem registro de vacinação. A avaliação do esquema vacinal deve considerar a idade de cada pessoa. Entre todos os casos registrados no estado, nenhum evoluiu para óbito.
Do total registrado, são 36 casos na capital paulista, dois casos em São Bernardo, um caso em Guarulhos e um em Santo André. Os casos na capital paulista são registrados em regiões com fluxo migratório e populosas.
Cerca de 60% de todos os casos ocorreram em crianças menores de 2 anos, que são mais vulneráveis ao vírus. A concentração de casos nas crianças pequenas reforça a importância da dose zero nos municípios onde ela é recomendada.
“A dose zero protege os bebês, mas não substitui a vacinação de rotina. Igualmente importante é que todo adulto confira sua caderneta de vacinação e procure uma unidade de saúde para atualização. Esta é uma medida simples que protege o adulto vacinado e bebês ainda não elegíveis para todas as doses de rotina”, orienta Tatiana.
Vacinação
Nos dados apresentados pelo Estado para 2026, a cobertura da primeira dose passou de 86,56% em abril para 93,24% em julho. A da segunda dose passou de 72,72% para 78,37% no mesmo período. No mês de setembro, durante a Campanha de Multivacinação promovida em todo o Estado, mais de 2,5 milhões de doses de sarampo foram aplicadas, dado que ainda será incorporado na atualização da taxa de cobertura vacinal.
A vacina contra o sarampo está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde dos 645 municípios paulistas.
Confira o esquema de vacinação:
Crianças : primeira dose aos 12 meses e segunda dose aos 15 meses.
Pessoas de 15 meses até 29 anos: duas doses comprovadas, com intervalo de pelo menos 30 dias entre elas.
Pessoas de 30 a 59 anos : pelo menos uma dose comprovada.
Trabalhadores da saúde: duas doses comprovadas, independentemente da idade.
Dose zero: é oferecida a crianças de 6 a 11 meses e 29 dias residentes em São Paulo, Guarulhos, São Bernardo e Santo André. Também pode ser indicada em ações de bloqueio após contato com caso suspeito ou confirmado, conforme avaliação da vigilância. Ela não substitui as doses previstas aos 12 e aos 15 meses.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
