
Mato alto, furtos, falta acessibilidade e de espaço para novos sepultamentos estão entre os problemas relatados por moradores que frequentam os cemitérios municipais do ABC. Às vésperas do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, as reclamações expõem a falta de zeladoria para além da preparação para a data e levantam questionamentos das famílias sobre a manutenção permanente e planejamento dos espaços públicos.
Em Ribeirão Pires, alguns problemas como falta de manutenção e segurança parecem ser históricos e sem resolução no Cemitério Municipal São José. Em entrevista ao RD, familiares voltaram a relatar dificuldades para acessar túmulos de entes queridos e a falta de fiscalização que tem levado a furtos frequentes.
Já em Rio Grande da Serra, a Prefeitura admite que o único cemitério municipal já trabalha no limite da capacidade, reconhece problemas estruturais, mas afirma não ter recursos para investimentos.
Na Estância Turística, as queixas já conhecidas se somam, ainda, à falta de atendimento das famílias. Uma aposentada de 63 anos, que prefere não ser identificada, conta que o jazigo de seu pai, falecido há mais de 30 anos, foi alvo de furtos sucessivos. Segundo a moradora, até a fotografia que identificada o túmulo foi levada. “Primeiro levaram os brasões, depois a cruz e agora até a foto roubaram. Isso porque já havia entrado com uma reclamação na administração do cemitério, mas a situação só tem piorado”, comenta.
A falta de manutenção também compromete a circulação nas áreas comuns. Morador do bairro Quarta Divisão, Mauro Dutra Pedrosa afirma que o mato alto dificulta o acesso aos túmulos e impede que sua mãe, que utiliza cadeira de rodas, visite o jazigo da família com facilidade. “Nem consigo sequer levar minha mãe visitar o jazigo da família, porque ela usa cadeira de rodas e, por conta do mato alto na parte alta do cemitério, quase não conseguimos passar”, relata.
No cemitério Jardim Santa Lídia, em Mauá, as reclamações são parecidas quando o assunto é a falta de manutenção, mas incluem dúvidas sobre os procedimentos de exumação. Nathasha Borges Gouveia, moradora da Vila Assis, afirma que os familiares nem sempre são comunicados sobre a retirada dos restos mortais e questiona os prazos adotados pela administração.
“Além de não fazerem a limpeza e capinação ao longo do ano, o cemitério tem outros problemas, os corpos são exumados sem estar no tempo e sequer avisam os familiares”, diz. Segundo a reclamante, os profissionais que atuam no cemitério jogam os restos mortais no ossário e muitas vezes sequer avisam os familiares. “Isso foi, inclusive, confirmado por uma funcionária do cemitério há uns anos”, comenta.
Rio Grande da Serra trabalha no limite da capacidade
Em Rio Grande da Serra, a limitação de espaço é um dos principais desafios. A cidade possui um único cemitério e, segundo a Prefeitura, trabalha no limite da capacidade, com exumações realizadas conforme a organização das quadras para possibilitar a reutilização dos espaços disponíveis.
Como alternativa, o município afirma estar no processo para viabilizar um cemitério vertical. A proposta é apontada pela administração como uma medida para enfrentar a limitação de espaço, mas ainda não há cronograma de execução informado.
Além da questão da capacidade, a Prefeitura reconhece problemas estruturais nas instalações. Entre eles estão vazamentos nos telhados dos dois espaços de velório, o novo e o da capela, e a necessidade de modernizar a iluminação de todo o cemitério, com a instalação de lâmpadas de LED.
Apesar das demandas, a administração informa que não há investimentos previstos até o momento por falta de recursos. A limpeza e a organização são realizadas pelos próprios funcionários municipais, que também participam dos preparativos para o Dia de Finados.
O município oferece serviços de sepultamento, exumação e velório. Segundo a Prefeitura, as manifestações dos usuários são pontuais e, quando possível, resolvidas internamente.
Santo André investe R$ 6,6 milhões por ano
Em Santo André, os cinco cemitérios públicos municipais: Nossa Senhora do Carmo, na Vila Curuçá; Sagrado Coração de Jesus, em Camilópolis; Saudade, na Vila Assunção; Cristo Redentor, na Vila Pires; e Bom Jesus, em Paranapiacaba recebem serviços de manutenção durante todo o ano.
A autarquia mantém cronograma anual de conservação e intensifica os trabalhos em datas de maior movimento, como Dia das Mães, Dia dos Pais e Finados. O investimento anual informado para manutenção e conservação é de R$ 6,6 milhões, além dos recursos humanos destinados às atividades administrativas e operacionais.
A cidade dispõe atualmente de aproximadamente 2,5 mil vagas para sepultamentos temporários, realizados exclusivamente no Cemitério Nossa Senhora do Carmo e no Bom Jesus, neste último caso para atender às famílias de Paranapiacaba. Nos demais cemitérios, os sepultamentos são realizados em jazigos perpétuos.
Segundo a administração, não há risco de esgotamento da capacidade neste momento. Ainda assim, estão em estudo a criação de novas quadras de sepultamento no Nossa Senhora do Carmo, considerando a necessidade de reformas em quadras temporárias.
Para os próximos anos, estão planejadas intervenções no velório do Cemitério Cristo Redentor, na Vila Pires, e nas capelas dos cemitérios de Vila Pires, Camilópolis, Vila Assunção e Vila Curuçá. Também estão previstas melhorias nos passeios internos.
Para o Dia de Finados, as equipes administrativas e de manutenção permanecerão de plantão. O horário de funcionamento será mantido, das 8h às 17h, sem interrupção. Também estão previstas missas ao longo do dia nas capelas dos cemitérios.
Diadema recuperou cerca de 4 mil columbários
Diadema possui um cemitério municipal, que recebe serviços contínuos de limpeza, conservação e zeladoria. No primeiro semestre de 2026, foram recuperados aproximadamente 4 mil columbários, estruturas destinadas à guarda de urnas funerárias.
Segundo os dados fornecidos pela administração, em agosto de 2026 o equipamento contava com 9.382 columbários e 15.384 ossuários. A quantidade de vagas para novos sepultamentos varia conforme a ocupação, a liberação de espaços e as exumações.
Mais de 900 exumações foram realizadas no primeiro semestre deste ano. A Prefeitura afirma que os procedimentos seguem os prazos legais e as condições técnicas e sanitárias aplicáveis, contribuindo para a reorganização dos espaços e a continuidade dos serviços funerários.
A manutenção é realizada conforme as necessidades identificadas pela administração do cemitério. As demandas relacionadas à segurança, acessibilidade e conservação são avaliadas de acordo com a prioridade e a disponibilidade orçamentária. A cidade também conta com o Cemitério Vale da Paz, no bairro Eldorado, de administração privada.
A programação específica para o feriado ainda está em definição. Segundo a Prefeitura, neste ano não houve registros de reclamações sobre as condições do cemitério municipal nos canais oficiais Colab e Ouvidoria.
Questionada, as prefeituras de São Caetano, São Bernardo, Ribeirão Pires e Mauá não responderam até o fechamento da reportagem.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
